“A eleição acabou. Agora é hora de nos unirmos pelo bem de Jataí”

Eleito prefeito depois de enfrentar poderio financeiro da campanha do adversário, vereador tucano diz que seu sucesso vem do fato de ter sabido captar o que queria a população jataiense

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

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O “vereadorzinho de 700 votos” contra o megaempresário do agronegócio. Davi contra Golias. O tostão contra o milhão. Essas são algumas das definições que recebeu a disputa de Jataí, entre o vereador Vinícius Luz (PSDB) e o deputado Victor Priori (DEM). Tido como azarão da disputa e enfrentando o dono de uma das maiores fortunas do Estado, o tucano soube superar o adversário, que contou, inclusive, com o inesperado reforço do PMDB, seu rival em eleições anteriores. O partido do atual prefeito Humberto Machado — que se manteve distante da disputa eleitoral —, porém, saiu rachado e derrotado do pleito.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Vinícius conta sua estratégia para ganhar uma prefeitura com uma das gestões mais elogiadas do Estado. Resumindo: uma pré-campanha bem feita, pesquisas de diagnóstico e um horário de TV bastante proveitoso. Com uma relação pacificada com Humberto, ele espera um período de transição tranquilo e já chegar à primeira semana de trabalho, em janeiro, já totalmente “inteirado” da situação do município.

À frente da gestão, o tucano já tem um modelo a seguir para seu modo de agir: o governador Marconi Perillo (PSDB). “Quero fazer na cidade algo como ele conseguiu com o Consórcio Brasil Central”, afirma Vinícius Luz, se referindo ao grupo de Estados do Centro-Oeste e do Norte que firmaram parcerias por meio de um fórum permanente.

Patrícia Moraes Machado — O sr. fez uma campanha surpreendente à Prefeitura de Jataí. Como foi enfrentar alguém como Victor Priori, com tantos recursos e que era apontado como favorito?
Eles acharam que iriam nos atropelar. Mas fizemos uma boa aliança, com um bom tempo de televisão.

Patrícia Moraes Machado — Quem fez o marketing de sua campanha?
Foi uma pessoa prata da casa mesmo, porque não tínhamos recursos. Meu marqueteiro foi o Francis Barros, meu amigo de longa data, jataiense. Ele montou uma equipe de lá mesmo e nossos programas foram destaques…

Patrícia Moraes Machado — O sr. começou a campanha com quantos pontos?
Na primeira pesquisa Serpes tínhamos 16%. Victor Priori tinha 32%, o dobro.

Patrícia Moraes Machado — Então o sr. cresceu nos últimos dias?
Nossa campanha foi crescendo aos poucos. Na segunda pesquisa a diferença já caiu para 10 pontos. Crescemos na medida em que conseguimos mostrar as propostas na TV. Nossa campanha na televisão foi muito bacana.

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

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Patrícia Moraes Machado — Qual foi o gancho de sua campanha?
Pegamos aquilo que a população queria ouvir. Fizemos pesquisa e 83% dos eleitores queriam propostas efetivas; aliamos isso a um gancho mais emocional, que sempre deu o tom nas campanhas em Jataí. A campanha do prefeito Humberto Machado sempre foi por aí também, enfatizando o amor pela cidade. Juntamos essas coisas.

Cezar Santos — E o prefeito realmente ficou à parte na campanha?
O fato de ele não ter entrado na campanha foi muito importante, fez diferença.

Patrícia Moraes Machado — E como Maguito Vilela [PMDB, prefeito de Aparecida de Goiânia, ex-governador e ex-senador nascido em Jataí, onde foi vereador] participou?
Na verdade, Maguito não respeitou a liderança de Humberto. Já Daniel Vilela soube respeitar, porque se posicionou da mesma forma que Humberto — ele liberou o partido, mas não foi a Jataí durante a campanha.

Alexandre Parrode — Daniel tinha outro candidato lá, tentaram emplacar Geneilton de Assis [secretário municipal de Administração]. Isso não ocorreu menos pelo perfil do candidato e mais por uma imposição de Maguito, que não deixou que Geneilton se viabilizasse.
Exatamente isso. E aí veio também a questão de custos de campanha, porque ninguém se preparou para isso. Nós também entramos com a cara e a coragem na campanha e aos poucos fomos buscando os recursos, as pessoas foram acreditando.

Patrícia Moraes Machado — O sr. sentiu que realmente era uma campanha do tostão contra o milhão?
Sim, era gritante a diferença de recursos, a visibilidade da campanha do adversário era infinitamente maior — material, bandeiras, pessoal contratado. Eu via isso porque o comitê dele era perto de minha casa. Eles tinham três ônibus para carregar o pessoal, enquanto nós tínhamos um só, e pequeno (risos). Eles entraram num clima de já ganhou.

Patrícia Moraes Machado — E a rejeição de Victor Priori?
Eles buscaram na figura do dr. Hélio Caetano [vice na chapa de Priori], um médico muito bem conceituado, do PMDB, eliminar um pouco da rejeição de Victor Priori, mas também cometeram erros na campanha. Teve a questão da BRF Brasil Foods [empresa sediada em Jataí], que pegou muito mal.

Patrícia Moraes Machado — O caso da BRF foi mentira mesmo?
Foi. A BRF soltou duas notas. A segunda eu fiquei sabendo no dia do debate promovido pela TV Anhanguera, na quinta-feira (29 de setembro). Priori falou que tinha ido à empresa, mostrou foto dele no saguão, que a BRF tinha de se retratar etc. Aí a BRF soltou outra nota, no dia do debate, dizendo que ele esteve na empresa, sim, mas para tratar de assuntos particulares, e não para tratar de reabertura da empresa. Está no site da BRF. No debate eu explorei isso, sim, porque o povo não poderia engolir uma mentira dessas.

E antes dessa questão da BRF, eles puseram o Leandro [Vilela, ex-deputado federal] na campanha, ele até gravou um vídeo para o programa de TV deles. Mas alguém — e nem foi gente da nossa campanha — achou um vídeo antigo em que Leandro detonava Victor Priori, quando este enfrentou o prefeito Humberto Machado. No vídeo, Leandro só não chama o Victor de “santo”. E o pessoal jogou esse vídeo nas redes sociais. Aí foi um “deus nos acuda” na campanha deles.

Alexandre Parrode — Quando Victor Priori deixou o PSDB criou-se esse sentimento na cidade de que ele era uma pessoa que estava só procurando poder? Digo isso porque ele buscou um grupo ao qual foi oposição por três eleições. As pessoas levaram isso em conta?
Ele não explorou isso quando saiu do PSDB, não chamou tanto a atenção. Mas a ligação ao grupo de quem era adversário realmente desgastou e os próprios peemedebistas também não aceitaram essa aliança, tanto que eu tive muito voto de peemedebista. Como mensagem final na campanha nas redes sociais, eu me dirigi diretamente aos eleitores do PMDB e do prefeito Humberto Machado, justamente porque eu já estava sentindo isso, que eles não abraçaram a campanha de Victor e muitos vieram para nossa campanha espontaneamente, por não concordar com essa aliança.

Patrícia Moraes Machado — Seus adversários nunca imaginaram que o sr. teria essa votação, não?
Eu me preparei muito, desde o início do meu mandato de vereador.

Patrícia Moraes Machado — Como é sua vida em Jataí? O sr. sempre militou lá?
Estou desde 1996 na política, quando com 20 anos fui candidato a vereador pelo antigo PL [hoje PR] e tive 281 votos — um bom número porque o menos votado eleito teve 400 e poucos votos. Eu não era conhecido, não tinha nenhum serviço prestado, nada. A partir daí, militei mais fortemente, fui para campanha de deputado em 1998, apoiando a primeira candidatura de Cilene Guimarães, que era vereadora. Ela estava na chapa de Iris Rezende, então eu lhe disse “vou te apoiar, mas não me peça para pedir voto pra ele” (risos). Eu nem conhecia Marconi Perillo, mas simpatizei com ele e disse para mim mesmo “eu vou com esse rapaz”. Em 1999 fui para o governo, e Marconi me nomeou para ser gerente do Ipasgo local.

Patrícia Moraes Machado — Já em 1998, que diferenças o sr. via entre Marconi e Iris?
Na verdade, era o sentimento de mudança que eu via em Marconi. Foi o que aconteceu em Jataí agora, também.

Patrícia Moraes Machado — Diz-se que Humberto Machado fez uma administração equilibrada, então o sr. não vai ter problema de pegar uma prefeitura endividada e com problemas administrativos. Com a derrota de Heuler Cruvinel (PSD) em Rio Verde, o sr. assume a liderança política regional da base aliada. Como o sr. vai trabalhar isso?
Eu quero fazer diferente de Humberto Machado, que sempre foi mais fechado nisso, voltando-se para a questão local. Eu quero agregar, aproveitar a força da região e chamar os prefeitos para fazermos uma união. Semelhante ao que Marconi fez com o Con­sórcio Brasil Central, é algo que eu pretendo fazer no Sudoeste.

Cezar Santos — Até para fazer valer o peso econômico de Jataí na região, certo?
Com certeza, é um peso importantíssimo que eu quero aproveitar e chamar os prefeitos para conversarmos.

Elder Dias — Nesse consórcio regional que o sr. pretende liderar, quais seriam os grandes desafios?
Em primeiro lugar, há problemas que enfrentamos na área da saúde. Jataí é sede de regional de saúde, absorve a demanda de dez municípios do extremo Sudoeste e precisamos nos unir para melhorar o atendimento, porque a cidade não suporta sozinha atender essa demanda. Esse acúmulo já está prejudicando o atendimento da própria população de Jataí, é preciso equilibrar e vamos contar com o apoio do governo estadual. O Hospital Municipal, por exemplo, está sendo ampliado e vamos triplicar o número de leitos de UTI, porque a demanda de toda a região vai para Jataí, que sozinha não dá conta de manter isso.

A questão de infraestrutura também. Em relação às rodovias, há muitas não pavimentadas que são importantíssimas para a região. Têm rodovias que passam por Jataí, Itarumã, Caçu, então precisamos lutar para melhorar essa infraestrutura, também. Pelo tanto que a região produz não só de grãos, mas de leite, de gado, e isso precisa ser valorizado pelo Estado. A contribuição de ICMS que nossa região dá para o Estado precisa ser revertida em mais benefícios para lá. E todos nós unidos podemos conseguir mais coisas. Não adiantam ações isoladas, Jataí puxando para um lado, Caçu para outro, Serranópolis para outro, Chapadão do Céu para outro… Precisamos nos unir, inclusive com as cidades maiores, como Mineiros e Rio Verde, temos de trabalhar como região.

Elder Dias — O sr. já conversou com alguns prefeitos eleitos por lá?
Ainda não. Aliás, conversei com o prefeito eleito de Perolândia, o Jhonatta [Doutor Jhonatta, do PSDB, que venceu Neldes Beraldo, do PT], que também teve uma vitória muito bonita. Eu até fiquei muito feliz, porque ajudei na articulação que não deixou que o PSDB caísse em outra mão lá, senão estaria caminhando para ser um partido de aluguel e nós não deixamos. Acredito que minha campanha também tenha influenciado na vitória do Jhonatta.

Cezar Santos — O poder de influência de Maguito Vilela foi utilizado para fazer uma bancada forte na Câmara? O sr. terá um oposição de peso no Parlamento?
Eu vou discordar dessa influência de Maguito Vilela, tanto que não deu certo a articulação dele com relação ao prefeito. Na Câmara de Jataí, 60% dos vereadores se reelegeram e não foi por influência dele. Vou ter, inicialmente, três vereadores da nossa aliança, ou seja, 30% da Câmara. Mas integrantes de partidos que compuseram a aliança do Victor são amigos nossos, então não acredito que eu tenha problemas com o Legislativo. Já conversei com alguns dos eleitos, pessoalmente ou por telefone, e não acredito que terei problemas.

Augusto Diniz — Em Goiânia, o sr. torce por quem?
Por Vanderlan Cardoso (PSB), claro. Já pedi ao pessoal de Jataí que vota em Goiânia para dar o voto nele (risos). Primeiro, porque o PSDB faz parte dessa aliança — o vice é Thiago Albernaz, amigo nosso. Temos de nos unir e o pouco de influência que eu possa ter vou trabalhar sobre isso para sermos bem-sucedidos.

Patrícia Moraes Machado — A administração de Humberto Machado é elogiada. O povo de Jataí teria escolhido o sr. por ter um perfil parecido com o dele? Sua gestão poderá ser comparada com a dele. Isso será um peso?
Na verdade, não. Meu primeiro ato na segunda-feira, após a entrevista, foi procurar o prefeito Humberto para já tratar da transição. Eu disse a ele que quero tê-lo por perto, que não se afaste. Não é à toa que ele é prefeito pela quarta vez, tem muita experiência, pode nos ajudar, ser um grande conselheiro. Acredito muito que ele vá nos ajudar na gestão.

Cezar Santos — E o deputado Daniel Vilela, também vai lhe ajudar?
Acredito que também o deputado Daniel Vilela vai nos ajudar. Ele inclusive me telefonou na terça-feira, 4. Ele, que fez questão de ficar afastado da campanha por respeitar o posicionamento de Humberto, me disse que posso contar com ele para o que precisar. Então, não vamos ter dificuldade (de relacionamento).

Patrícia Moraes Machado — Só por essa posição já mostra que o sr. vem da linha de novas gerações de políticos, porque os antigos trabalham para destruir o que foi feito pelo prefeito anterior. O sr. já mostra defender uma união de políticos e a continuidade do que foi feito de positivo.
Eu disse isso na minha primeira entrevista pós-eleito: a eleição tem que acabar no domingo mesmo, após a divulgação do resultado. Agora é o momento de a gente se juntar, sacudir a poeira de todo mundo e nos unir porque nós temos grandes desafios naquela cidade. Por exemplo, Victor Priori é um grande empresário, tem suas influências. Eu disse que vou procurá-lo, assim como vou procurar José Herculano [candidato a prefeito derrotado, pelo Pros]. É o momento de todos se unirem, até mesmo o próprio prefeito Humberto. A gente tem que usar essas influências em prol da cidade.

 

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

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Elder Dias — Tem cidade em que isso que o sr. quer é algo impossível, como o caso de Catalão…
Mas eu não sou inimigo de Victor Priori, tanto que eu já o apoiei. Eu apoiei Victor três vezes. Não somos inimigos. Tivemos as nossas diferenças. Ele não quis caminhar conosco mais no campo da disputa democrática no partido. Mas durante toda sua vida política ele esteve no PSDB. Nas quatro eleições que ele disputou antes dessa, todas foram no partido. O PSDB deu duas oportunidades a ele para prefeito e duas para deputado. Das quatro eleições anteriores dele, eu o apoiei em três. Só não apoiei na primeira porque eu fazia parte da gestão do então prefeito Fernando Henrique Peres e não tinha jeito de apoiá-lo. Nós não somos inimigos. Temos de partir desse princípio porque agora cada um pode fazer a sua parte.

Euler de França Belém — Jataí é um município desenvolvido, mas há muito tempo a arrecadação de Jataí não cresce, porque não são feitos novos investimentos. O sr. pretende buscar novos negócios para aumentar a arrecadação?
Com certeza. Um dos professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) me apresentou um relatório que mostrava que Jataí deixava de arrecadar R$ 280 milhões por ano por não processar os seus produtos primários na cidade. A arrecadação deste ano deve ficar em torno de R$ 330 milhões. É quase a arrecadação de um ano que a gente perde.
Imagina se a gente tivesse mais R$ 280 milhões por ano! Isso seria maravilhoso.

Euler de França Belém — O que o sr. pensa em fazer? Trabalhar com que tipo de projeto?
Eu já conversei isso com o vice-governador José Eliton (PSDB) e com o próprio governador, dizendo que eu quero que o Estado seja muito parceiro nessa questão da atração de novos investimentos. Nós vamos agir diferente. O prefeito Humberto sempre foi mais fechado quanto a isso, mas eu quero divulgar as potencialidades de Jataí, seja no campo econômico, ou no campo cultural, ou no turismo. Todo lugar que tem água termal de 40 graus aproveita isso e nós temos esse potencial. Temos de aproveitar tudo isso, agregar e divulgar isso para o Brasil inteiro, bem como aproveitar as missões internacionais que o governo faz, pegar carona nos negócios.

Cezar Santos — Jataí tem uma potencialidade turística não aproveitada?
Está subaproveitada. E precisa ser explorada. Nós temos um hotel fazenda que se chama Thermas Bonsucesso. É belíssimo, com água termal, um lago em que dá para usar lancha, jet ski etc. Sem falar que se pode agregar uma região agroecológica, que envolve Serranópolis, Chapadão do Céu, Mineiros. Tem um circuito que se chama Pegadas do Cerrado. E é possível agregar a potencialidade turística de Jataí à região também. E como Jataí está no centro da região, é a maior cidade e tem a melhor infraestrutura, o pessoal vai para lá e toda região se beneficia.

Euler de França Belém — O Jornal Opção fez uma reportagem mostrando uma experiência bem sucedida em Aparecida de Goiânia, que é a criação de uma Secretaria de Projetos. Essa pasta não é burocrática, tem um espírito de iniciativa privada. Deu tão certo que o governador Marcelo Miranda (PMDB), do Tocantins, veio buscar essa experiência, assim como fez o governador Marconi Perillo e vários prefeitos de cidades maiores. É questão de tirar os projetos do papel e fazer acontecer. Hoje, é preciso ter projetos bem elaborados para captar verbas federais. O sr. pensa em trabalhar essa busca por recursos de forma bem programada?
Não só penso como preciso. Nos últimos anos, se não fossem as verbas federais não tínhamos conseguido quase nada para Jataí. Só com a arrecadação municipal não dá para fazer o tanto de obra que Humberto fez. Jataí foi muito agraciada com recurso federal nesses dois últimos mandatos dele.

E a prefeitura tem um departamento de projetos bem estruturado. Talvez a gente precise fortalecê-lo para ter mais gente, cuidar de mais áreas e buscar mais coisas.

Euler de França Belém — O sr. vai contar com uma bancada maior. O PMDB tinha dois deputados federais na Câmara Federal. Já sua gestão pode contar com 13 a 14 parlamentares [do PSDB, PSD e outros partidos].
Talvez o que eu pense não seja transformar o departamento em uma secretaria, mas fortalecer o departamento. E é um departamento que é muito competente. A equipe que está lá hoje eu irei aproveitá-la toda.

Euler de França Belém — Como curiosidade, Jataí ainda é o maior município produtor de milho?
É um dos grandes produtores de milho. A cada ano essa lista muda um pouco, mas Jataí já esteve no 1º lugar do Brasil. A cidade é a 1ª na produção de grãos no País.

Euler de França Belém — A BRF comprou a empresa do Victor Priori, foi muito importante por criar uma cadeia produtiva no município, mas de repente fechou com alegações de crise econômica. Victor disse na campanha que a BRF será reaberta, mas a empresa desmente. Não deveria ser uma bandeira da Prefeitura negociar a reabertura da empresa?
Eu vou atrás. Vou pedir ao governo do Estado que me ajude nisso. Mas vou atrás de verdade.

Euler de França Belém — O que a BRF significa hoje para Jataí?
Ela é uma grande geradora de empregos. São mais de 600 empregos diretos, sem falar os indiretos, aviários, fábrica de ração, granja, incubatório. Mas não foi toda a fábrica toda que fechou, salvo engano foi só a parte de produção de frangos. Nós precisamos reabrir isso, precisamos rever essa questão para não prejudicar tanta gente que ficou desempregada. Eles aproveitaram alguns funcionários na unidade de Rio Verde e na de Mineiros.

“Eu era o ‘vereadorzinho de 700 votos’ ”

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Cezar Santos — Mas se a economia retomar força, isso se torna um passo natural.
Para eles também não é interessante, que não querem ficar com a fábrica fechada. Eles têm custo de manutenção mesmo com a fábrica fechada. Eu vou procurar a empresa. Pedir ao governo do Estado que me ajude para a gente conversar de verdade sobre esse cenário lá de Jataí.

Euler de França Belém — A BRF tem uma característica diferente de outras empresas, ela cria uma integração grande com a sociedade local.
Tem outro frigorífico também, esse de bovinos, que está se preparando. O pessoal já entrou em contato comigo e informou que deve iniciar suas atividades em janeiro. Isso vem se arrastando um pouco, porque teve uma demora em algumas obras que precisavam adequar porque era uma planta muito antiga. Eles já estão há quase um ano se adequando. Mas deve gerar de 300 a 400 empregos novos. Ainda não sei com qual razão social eles vão abrir, mas é um frigorífico de abate de bovinos.

Euler de França Belém — O sr. citou a questão do turismo de águas termais e Caldas Novas começou seu turismo apenas por ônibus. Hoje já existe o turismo mais conhecido e o de negócios, com pessoas indo de avião com voos lotados. Como está a construção do aeroporto de Jataí?
Na verdade tem a área e a terraplanagem da pista. E nem é toda, apenas uma parte dessa terraplanagem. Salvo engano, já foram investidos R$ 6 milhões. A parte pesada o governo federal ficou de fazer naquele plano de aviação regional em que Jataí está inserido. Agora nós temos de correr atrás do governo federal.

Euler de França Belém — Será uma de suas prioridades?
Sim, porque eu entendo que é necessário.

Euler de França Belém — Qual será a capacidade desse aeroporto?
Ele tem capacidade para atender toda a demanda da região, pista em torno de 2,5 mil metros, para comportar aviões grandes. O prefeito até comentou que havia ali uma possibilidade de algumas empresas aéreas instalarem o transporte de cargas. Hoje nós temos um aeroporto comum, pequeno, com pista balizada de cerca de 1,5 mil metros. Mas não comporta a aviação pesada.

Eu acho que Humberto foi visionário na questão do novo aeroporto. Mas precisava ter garantido mesmo que isso fosse viabilizado pelo governo federal. Ele começou a tocar confiando, com apoio de Leandro e Daniel Vilela, conseguiu colocar no planejamento da Secretaria de Aviação Civil, mas o recurso não saiu. Agora nós temos de buscar.

Euler de França Belém — A cidade tem centro de convenções?
Tem o Centro de Cultura e Eventos, com capacidade para 900 pessoas que é bom, com capacidade para receber grandes eventos. Para uma cidade como Jataí, com cerca de 100 mil habitantes, é um bom número.

Augusto Diniz — O sr. disse que conversou no dia seguinte à votação com o prefeito Humberto e que a expectativa é boa para que haja uma transição tranquila. Qual foi o posicionamento do Humberto nessa conversa?
Primeiro ele me cumprimentou e eu senti que ele estava alegre com o resultado. Esse foi o meu sentimento em relação a ele, otimista com relação ao futuro da cidade. Eu acredito que essa preocupação existe porque o Humberto é uma pessoa que realmente gosta de Jataí. Ele é verdadeiramente apaixonado por Jataí, ele se preocupa com a cidade. Eu acho que uma das grandes preocupações dele era se esse legado que ele pretende deixar seria continuado.

A conversa girou em torno de já falar de coisas de futuro, como por exemplo o hospital municipal, que em área construída está mais do que dobrando. A obra não está totalmente pronta, mas já inauguraram um bloco. São três novos blocos. A UTI vai triplicar. Vão ter muitos outros serviços e isso foi conseguido também por meio daquele convênio que foi construído para levar o curso de Medicina para Jataí por meio da UFG.

Isso não pode parar. A gente já discutiu coisas que precisam ser feitas para dar sequência nesses projetos que estão em andamento. Quando a gente falou de transição tranquila foi exatamente porque ele já disponibilizou, mesmo sem as formalidades de baixar decreto, espaço para que eu indique as pessoas que eu quiser e já entrar para a prefeitura para a gente poder pegar todas as informações para não ter nenhum prejuízo.

Vinícius Luz fala à equipe do Jornal Opção: “Jataí passou a ser parte da rota do tráfico, infelizmente” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Vinícius Luz fala à equipe do Jornal Opção: “Jataí passou a ser parte da rota do tráfico, infelizmente” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Cezar Santos — Sua campanha em Jataí foi aquilo que os marqueteiros chamam de “case”…
Sabe como algumas pessoas da campanha se referiam a mim? “O vereadorzinho de 700 votos”. Isso porque em 2012 eu fui eleito com 787, pela sobra, fui o menos votado.

Cezar Santos — Há algum episódio específico que ilustre essa situação do tostão contra o milhão?
Tivemos vários episódios interessantes. A união com minha vice, a dra. Simone Oliveira Gomes (PSD), ex-presidente da OAB em Jataí e eleita na chapa de Lúcio Flávio [atual presidente da OAB-GO] como secretária-geral adjunta, foi um episódio assim. Ninguém imaginava que ela deixaria a política classista para encarar a política partidária, até porque ela fez várias críticas a Henrique Tibúrcio naquele episódio em que ele deixou a presidência da OAB-GO para se tornar secretário de Estado e participar da campanha de Marconi. Mas Simone agregou bastante, não só pelo fato de ser mulher, mas também por ser uma pessoa aguerrida.

Creio que também o fato de termos nos preparado bem para a campanha foi fundamental. Nós planejamos tudo isso. Fui para as prévias em fevereiro como candidato único, já que Victor Priori não quis concorrer. Ele achava que o governador iria chegar apontando o “ungido”, então, quando o partido baixou a resolução das prévias, pensamos “está aí a chance, vamos abraçá-la, vamos discutir democraticamente com os filiados”. Tivemos de passar por todas as etapas, desde o controle do partido, em que não se fazia discussão, numa falta de reunião e de diálogo que incomodava os filiados e os dois vereadores da cidade. Não houve convocação de convenção para a eleição do diretório, por exemplo, imagine.

Cezar Santos — Em relação à campanha propriamente dita, houve alguma preocupação com derramamento de dinheiro do outro lado?
De vez em quando aparecia alguém preocupado, até assustado, com a estrutura montada pelos rivais. Eu falava que não adiantaria competir nesse nível e nesse aspecto e que teríamos de tocar como déssemos conta. Tínhamos de competir no campo das ideias, das propostas. Nosso plano de governo foi um exemplo, foi feito lá nos bairros, em muitas e muitas reuniões.

Elder Dias — Não daria mesmo para competir em termos de estrutura, por conta do poderio individual do outro candidato.
Essa nova legislação eleitoral, que permitiu oficialmente a pré-campanha, soubemos aproveitar de verdade. Nós nos apresentamos como pré-candidato, fomos para a imprensa e usamos bem as redes sociais — que foi outro diferencial que tivemos. Fomos para as ruas, eu visitei cada bairro da cidade.

Euler de França Belém — Corre a lenda que o sr. visitou todas as casas da cidade.
(risos) Na verdade não foi bem assim, porque a cidade está grande e não seria possível, mesmo com uma pré-campanha muito bem feita.

Elder Dias — O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) tentou fazer essa pré-campanha forte, com muitas reuniões, mas não deu certo. Qual foi a diferença?
A comparação é complicada, porque Goiânia tem hoje quase 1,5 milhão de habitantes, enquanto Jataí tem 100 mil. Lá, a gente conseguiu verdadeiramente percorrer toda a cidade.

Euler de França Belém — Tem também o fato de o sr. ter uma história política consolidada em Jataí, ser um político local, coisa que talvez faltasse a Vecci em Goiânia. Mesmo Vanderlan Cardoso (PSB) não tinha isso, foi preciso fazer uma campanha para trazer esse aspecto.
E veja um dado interessante: quando fizemos uma pesquisa de diagnóstico para iniciar a campanha, descobrimos que 50% da população não me conhecia, apesar de eu ser vereador e de estar há quase 20 anos militando na política. As pessoas passaram a me conhecer verdadeiramente durante a campanha.

Euler de França Belém — Nessas pesquisas, o sr. descobriu que era o “novo” e Victor era o tradicional, não constituía renovação. A partir de que momento o sr. sentiu que daria para mudar?
Falei exatamente aquilo que o povo pediu durante a pré-campanha. Quando fomos para os bairros, a primeira coisa que ouvíamos era “pelo amor de Deus, dá um jeito na nossa segurança!”. Os comerciantes estão presos dentro de seus comércios, com grades mesmo. E a pesquisa de diagnóstico bateu exatamente com o que a gente ouvia. Juntamente com a dra. Simone, debatemos muito a questão da segurança pública. Então, fui para o embate conhecendo o problema.

O segundo ponto era a saúde. Temos uma baita estrutura, mas ela não é colocada a serviço da população como deveria, muito por teimosia do atual secretário de Saúde [Amilton Fernandes Prado], que é um excelente médico e sanitarista, conhece muito do SUS, mas como gestor não mostrou ainda a que veio. Temos vários postos de saúde, inclusive novos, mas não adianta tudo o que temos se não serve ao povo.

Euler de França Belém — Tem crime organizado atuando em Jataí?
Sim. Até pelo fato de estar próximo à divisa do Estado e de o município ser cortado por três rodovias federais. Ou seja, somos parte da rota, o tráfico passa por ali, mas parte considerável fica por ali. Criou-se, infelizmente, ramificações do crime organizado em Jataí.

Euler de França Belém — E o que o sr. projeta para a questão ambiental?
Jataí está bem servida nessa questão. Nesta terça-feira, 4, participei de uma sessão na Câmara e aprovamos mais um parque para a cidade, o Parque das Brisas. Temos vários parques ecológicos e precisamos também avançar na questão da coleta seletiva de lixo, que só existe em parte da cidade. Também quero implantar mais ecopontos e melhorar a fiscalização das nascentes. Quero saber como podemos agregar programas como o Produtor de Águas, da Saneago.

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

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Elder Dias — Vivemos um cenário muito preocupante em relação às águas. Há um diagnóstico que prevê a desertificação do Cerrado em não muito tempo. Já temos rios se tornando intermitentes, como os da Caatinga. Como é enfrentar isso pensando em relação à própria econômica, já que uma área desertificada não é interessante nem para o meio ambiente nem para a receita dos municípios?
Em Jataí, vejo que não temos tanto problema em relação a isso, já que a área agricultável está toda aberta. Temos pouca utilização de pivôs centrais e creio que, por isso, não vamos enfrentar grandes problemas. Precisamos nos voltar, com firmeza, à questão da fiscalização, para que não tenhamos a perda de nascentes. Se conseguirmos agregar programas na área e fizermos uma fiscalização mais eficiente, reforçando nossa equipe da Secretaria de Meio Ambiente, vamos ser bem sucedidos. É preciso, claro, que os agricultores se tornem mais conscientes em relação ao tema.

Augusto Diniz — Para onde vai o lixo produzido em Jataí?
Temos um aterro que precisa de adequações. Há, inclusive, um termo de ajustamento de conduta (TAC) que está em andamento com o Ministério Público. Precisa­mos incentivar cooperativas de recicladores e fazer uma destinação dos resíduos da construção civil.
Hoje está começando a faltar cascalho em Jataí, o que é um problema para um município com mais de 7 mil quilômetros quadrados e com muitas rodovias. Talvez os resíduos da construção civil possam ajudar em sua manutenção.

Cezar Santos — Como está a educação na cidade? Está bem atendida? O que está faltando?
O grande problema é a falta de vagas do Cmeis. Temos uma proposta ousada de que, até o fim da gestão, teremos 100% das crianças com matrículas disponíveis. Nós ainda não temos a porcentagem atual, que ainda não foi nos dada pela Secretaria da Educação, mas, ao menos na pré-campanha, visitando as escolas e Cmeis, todas as unidades tinham lista de espera. De acordo com o tamanho da unidade, há listas com até 40 crianças e outras ainda com mais. Sempre existiram. As famílias nem ficavam nas listas de espera, pois sabiam que não tinha vaga e não se inscreviam. Foi, então, uma reclamação forte que encontramos na população. A nossa proposta é universalizar até o final da gestão.

Euler de França Belém — E quanto às férias? Vanderlan quer que os Cmeis funcionem durante as férias. Afinal, os pais trabalhadores não têm onde deixar os filhos.
Sim, os Cmeis estão com duas férias por ano, como as escolas. Portanto, será um desafio e que precisa ainda ser bem discutido, pois é preciso ver se o financeiro suporta. A folha da educação é muito grande, na cidade. Hoje, inclusive, professores reclamam que estão trabalhando com horas extras e que não recebem. Eu me comprometi com eles a rever essa situação.

Euler de França Belém — Quer dizer que o repasse do governo federal não está sendo suficiente?
Não está. Eu fiz a proposta de ampliar o horário de atendimento, pois, entre 16 horas e 16h30, os pais têm de buscar seus filhos. Mas, e os que não conseguem, por trabalharem até às 18 horas? A proposta, então, que o Cmei receba as crianças a partir das 6h30 e que fique aberto até as 18h30.

Euler de França Belém — Jataí já teve um governador, Maguito Vilela, que tem um prestígio muito grande, também como senador. Talvez por influência dele, a cidade conseguiu ter 100% de saneamento básico?
Não. Hoje, ela está com um pouco mais de 60% de esgoto. E esse foi um assunto muito debatido durante a campanha, pois Jataí entrou na lista de municípios que têm subdelegação da empresa Odebrecht Ambiental. Muitos não estão conseguindo pagar a conta de água. A empresa tem, por obrigação contratual, até 2019 para universalizar o serviço de esgoto — a universalização, no caso, é de 90%. Quanto à água está tranquilo, o esgoto que é o problema.

Elder Dias — As obras estão no ritmo esperado?
Não. Estão atrasadas em quase um ano.

Elder Dias — Por conta da operação Lava-Jato?
Por conta dela, também, e, inclusive, por terem utilizado — parece-me — de operação financeira na Caixa Econômica Federal, um financiamento para fazer esse investimento.

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Euler de França Belém — E como vai a Universidade Federal de Jataí?
Sou aluno da Universidade Federal de Goiás na cidade. O professor Orlando Amaral [reitor da UFG] me ligou e disse ter ficado muito feliz por ter um aluno que foi eleito prefeito. Eu disse a ele que pode contar comigo, com meu apoio, com as parcerias que a prefeitura tem lá e que buscaremos ampliá-las. A universidade é um grande fator de desenvolvimento para cidade e o projeto de lei está tramitando no Congresso para transformá-la em Universidade Federal de Jataí. Agora temos uma bancada muito maior e a usaremos. Parece que o projeto está na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]. Quero aproveitar os próximos meses — até porque eu terei de correr atrás das emendas para o ano que vem — e pedirei prioridade nesse projeto.

Augusto Diniz — Essa proposta de federalizar algumas unidades da UFG e transformá-las em federais, como é o caso de Jataí, é de relatoria do deputado Daniel Vilela. Como fará este diálogo com ele ou para acelerar o processo ou fazer com que ele se conclua?
Daniel me ligou e nós não teremos nenhuma dificuldade nesse sentido. Usamos o mesmo argumento: ele é deputado de Jataí e não de um partido ou de um prefeito. Ele se colocou à disposição e, assim, faremos boas parcerias; até porque é para o bem da cidade e a questão política tem de ficar de lado. Quando chegar a disputa eleitoral, aí é outra coisa; estaremos em linhas diferentes, provavelmente — mas isso não pode interferir na nossa relação e no que podemos fazer pela cidade.

Augusto Diniz — O sr. já comentou, enquanto prefeito eleito, que buscará o apoio dos outros candidatos que não se elegeram nesta eleição. Há propostas dos outros candidatos que o sr. não as apresentou, mas que acha interessante discutir com eles e aplicar em Jataí?
As propostas foram muito parecidas. Em relação ao que eu discuti na pré-campanha e que apresentamos e registramos no TRE [Tribunal Regional Eleitoral], houve coisa muito parecida. A campanha do Victor, em especial, apresentou um volume de propostas muito parecidas com as nossas. O que apresentamos, no entanto, estava registrado. Com relação a isso, nosso plano está abrangendo praticamente tudo que os adversários falaram.

Euler de França Belém — Na primeira semana, qual será a sua atividade, depois de empossado?
Como quero já estar inteirado de tudo, e por isso procurei o Humberto no primeiro dia, eu não terei de me inteirar; eu quis que fizéssemos uma transição bem tranquila. Ainda não programei isso.

Euler de França Belém — Mas a primeira coisa em que atuará é na segurança?
Eu pedirei que o Humberto me envie a reforma administrativa que eu pretendo implementar, isso ainda em sua gestão. Como estou, até 31 de dezembro, como vereador, temos como articular. Eu já pedi estudos da estrutura administrativa, e creio que ele não vai se opor em enviar o projeto, assim já entraremos como uma estrutura nova. Também as emendas que forem necessárias para fazer as propostas de orçamento, eu mesmo as posso apresentar. Não teremos dificuldade nisso, portanto. Logo de início, eu pretendo mandar o projeto para a Câmara para criar a Guarda Civil Municipal.

Euler de França Belém — Ela será armada?
Sim, será armada. Mas é preciso que ela esteja formalmente criada para darmos início à estruturação e do projeto, com o apoio do Ministério da Justiça, com os equipamentos.

Euler de França Belém — Qual o eixo dessa reforma administrativa?
Para que consigamos enxugar os gastos. Temos uma quantidade grande de cargos comissionados e eu preciso estudar ainda e, portanto, não posso dizer de metas, reduções ou não, pois veremos a necessidade local. Mas, ao menos nos cargos de primeiro escalão, temos de enxugar, até para facilitar a gestão.

Euler de França Belém — São quantos comissionados?
Aproximadamente mil comissionados.

Elder Dias — E concurso público? O sr. pensa em fazer algum?
Temos de fazer, até por questão legal, na área da saúde e educação, que precisam. Nós identificaremos as áreas e faremos os concursos. Mas precisamos também fazer alterações em nossa legislação, pois o último concurso, eu, como vereador, critiquei muito, uma vez que se lança um edital de saúde com um salário de médico de R$ 1,4 mil, qual médico irá para Jataí com um salário desses? Nenhum. Até mesmo de enfermeiros. No PSF [Programa da Saúde da Família], com os contratos do fundo municipal de saúde, os médicos ganham R$ 12 mil e fazem 30 horas dentro do posto. l

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