Vitor Hugo de Araújo Almeida, mais conhecido pela patente do Exército, Major Vitor Hugo, é advogado e ex-deputado federal. Aprovado em um dos concursos públicos mais concorridos do País, o de consultor legislativo na Câmara dos Deputados, foi apresentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao qual ficou ligado a ponto de virar líder do então governo federal na Câmara, quando foi eleito deputado e exercia seu mandato parlamentar. Figura proeminente do PL, Vitor Hugo, nesta entrevista, fala sobre suas ambições políticas para este ano e sobre o cenário eleitoral goianiense. Segundo ele, Gustavo Gayer será o candidato do PL na capital, com chances quase inexistentes de a sigla recuar para apoiar outro nome. “Seria incoerente”, diz. O pré-candidato à Câmara de Goiânia também fala sobre seu instituto, o Harpia, que, conforme ele, se propõe a ser a mais organização de direita do Brasil.

Ton Paulo – Durante algum tempo, circulou a informação de que o senhor poderia sair candidato candidato à Prefeitura de Anápolis. Depois, que na verdade seria em Goiânia. Acabou sendo decidido que o senhor disputaria a Câmara Municipal de Goiânia. Esse projeto está mantido? Como foram as articulações?

Em relação à Anápolis, a minha ligação com a cidade foi algo natural. Ao longo do meu mandato de deputado federal, eu levei o presidente Bolsonaro, levei vários ministros do Estado pra lá, levei a administração local várias vezes para Brasília também, e mandei muitas emendas. Então, embora eu não tenha morado nem um segundo em Anápolis, foi criada uma relação com a cidade que eu acho que, na sequência, até por causa da candidatura ao governo [de Goiás], tive quase 50 mil votos lá. Tudo isso foi me aproximando mais, a ponto de as pessoas acharem que havia alguma sinalização da minha parte, de que eu poderia ser candidato em Anápolis.

Mas eu não me sentia confortável. Imagina, em uma cidade que eu nunca morei um segundo, como é que eu ia chegar no ano da eleição e tentar me candidatar a prefeito? Não fazia sentido na minha cabeça. Mas também não faria esse sentido, diante de tudo que eu vivi com a cidade, eu não articular para que a gente tivesse um candidato ou um pré-candidato que fosse viável. E aí nós fechamos, articulamos e conseguimos emplacar como pré-candidato o Márcio Corrêa, que está indo muito bem e eu acho que tem grandes condições de enfrentar a outra via, que é uma via petista. E, na nossa opinião, ele vai resolver os problemas da cidade.

E do outro lado, havia já uma pré-candidatura posta aqui em Goiânia do PL, que é a do Gustavo Gayer, que está fazendo um excepcional trabalho no Congresso, tem um perfil combative. As pessoas ficam pensando ‘Será que ele vai conseguir se adaptar ao perfil de administrador?’, mas eu tenho plenas certezas de que sim. Ele administrou já a empresa dele, administra a empresa dele voltada para aulas de inglês, e também a própria vida como youtuber e tal. Então, eu, diante do quadro que eu não iria me candidatar em Anápolis, em Goiânia, nós já temos um pré-candidato, eu fico muito à vontade de contribuir no nível que estiver aberto para mim, na esfera que estiver aberta. E a que está aberta para mim nesse momento é a vereança em Goiânia.

Então, eu tomei a decisão, sim, de ser pré-candidato. Muitas pessoas me perguntaram ‘Mas você foi líder do governo Bolsonaro na Câmara, por quase dois anos, depois foi eleito do maior partido da Câmara, que era o PSL, na época com 54 deputados federais. Depois foi candidato ao governo de Goiás, mais de meio milhão de votos, só em Goiás 120 mil votos. E agora vai ser candidato a vereador?’. Eu vou com muita tranquilidade e muita humildade, com a intenção de ajudar, primeiro, se tudo for como a gente espera, a ter uma Câmara mais conservadora, ajudar o PL se solidificar como partido com uma bancada grande, talvez a maior bancada, e apoiar o nosso futuro prefeito, que a gente torce que seja o Gustavo, que vai enfrentar grandes desafios, vai precisar de uma Câmara que seja aliada ao prefeito.
Está muito tranquilo para mim essa decisão. Com muita humildade, serenidade, trabalhando muito para que, se Deus quiser, eu consiga estar na Câmara ano que vem.

Ton Paulo – Qual foi o nível de articulação, de intervenção do senhor para que o Márcio Corrêa fosse filiado ao PL?

Desde o começo, eu defendi que fosse o Márcio Corrêa [a ser filiado ao PL e lançado como pré-candidato] por causa da expressividade que ele já tinha nas pesquisas eleitorais, do alinhamento que ele demonstrou ter com a direita conservadora, liberal na economia. Quando esteve no Congresso Nacional, quando assumiu o mandato, quando o Célio [Silveira] se licenciou, houve uma aproximação que se deu de maneira natural, após a eleição em 2022. Eu passei a conhecer, eu vi que ele é um empreendedor, ele tem doutorado na área de saúde, ele é dentista com mestrado e doutorado. É um empreendedor de sucesso, um empresário de sucesso na área das incorporações e condomínios. É alguém que tem condições de existir.

É alguém que nasceu em Anápolis, que vive os problemas de Anápolis e que tem condições de tratar dos problemas de Anápolis com a profundidade que alguém tem lá. Quando eu percebi isso, fiz todos os movimentos, primeiro nos bastidores, em respeito às demais posições que havia dentro do partido, de outras ideias. Mas nunca deixei de comunicar ou de falar com o Wilder [Morais], por exemplo, que essa era a minha posição. As pessoas ficaram com a impressão que eu tinha declarado o apoio antes, mas se pegar a minha fala estrita, lá, por exemplo, no movimento de São Paulo, foi uma fala no sentido de avaliar a pessoa do Márcio, e não falando em nome do PL, nem falando em pré-candidatura.

Mas eu levei ele no presidente Bolsonaro, levei ele no Valdemar [Costa Neto], levei ele no Wilder.

Major Vitor Hugo em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Leoiran/Jornal Opção

Ton Paulo – Houve uma ala evangélica que estava apoiando o Márcio Cândido na época e inclusive estava contando com a filiação dele ao PL. Eles ficaram muito surpresos quando houve a filiação do Márcio Corrêa em detrimento do Márcio Cândido. Como o senhor avalia essa surpresa deles?

Eu não sei a perspectiva deles, de como eles estavam vendo. Eu posso falar da minha perspectiva. Nós nunca enxergamos o Márcio Cândido como um adversário, até porque ele é cristão, evangélico. Sou católico, mas os evangélicos e os católicos são cristãos.
E o Márcio Correia é evangélico, então nunca houve, da nossa parte, nenhum tipo de preconceito, de distanciamento, pelo contrário.

Por causa do desafio que nós enfrentaríamos, e vamos enfrentar, a direita tinha que se unir, e não necessariamente em torno do meu nome, tinha que se unir em torno do nome que pudesse crescer. Quando a gente olhava para as pesquisas, independente da boa pessoa que o Márcio Cândido é, ele não subia. Tinha o vínculo dele também muito próximo do atual prefeito, que tem um desgaste com a direita. Era uma série de fatores, mas que hoje eu vejo que podem ser superados, e eles podem andar junto com a gente. Vai depender do Márcio Cândido, na verdade.

E o grupo que estava apoiando ele, eu acho que é muito natural que vá apoiar o Márcio Corrêa, porque são evangélicos, já conhecem o Márcio, sabem do posicionamento dele, não vai trair as pautas conservadoras, não vai nunca conduzir o processo em Anápolis por uma pauta progressista, não vai fazer nada disso. Acho que o grupo que apoiava o Márcio Cândido tem total condição de migrar agora, visto que é uma situação consolidada, são todos apoiadores do Bolsonaro.

Cilas Gontijo – Acompanhamos, recentemente, a prisão do seu ex-assessor parlamentar, suspeito de assaltar ônibus. Esse episódio não pode atrapalhar suas pretensões políticas?

O [cabo] Simão trabalhou no meu gabinete por um ano e meio. Ele trabalhou no início, quando entrei, porque ele tem um curso no Exército, que é um curso muito específico e muito concorrido, muito prestigiado, inclusive, que é o de Comandos, que equivale ao BOPE do Exército. Aliás, foram os Comandos, na década de 80, que deram instrução para o BOPE do Rio de Janeiro, por isso até que eles adotaram a caveira, que é o mesmo símbolo dos Comandos do Exército. É curso que remonta desde 1957.

Trabalhou no meu gabinete durante um ano e meio. Durante esse período em que ele esteve no meu gabinete, não houve nenhum sinal de que ele pudesse ter qualquer tipo de envolvimento em ações dessa natureza. Era pouquíssimo provável que isso acontecesse, até porque nós pesquisamos a ficha dele, e o histórico dele, que ele tinha no passado, era de alguém que serviu ao Exército, fez os cursos mais difíceis do Exército. Não havia nenhum indicativo.

Eu recebi essa notícia [da prisão] na semana passada com muita surpresa, na verdade, porque é alguém que a gente tinha um grau de confiança muito grande. Agora, ele foi preso em flagrante, ele tem que ser julgado, processado, condenado, dentro do que a lei prevê, e não tem o que falar. Ele, infelizmente, traiu todos os valores que acreditamos.

Cilas Gontijo – Mas pela proximidade de vocês, de quando o senhor era parlamentar, isso pode vir a prejudicá-lo nas intenções políticas?

Não. O adversário pode utilizer isso, mas eu acho que hoje em dia as pessoas conseguem pesquisar as coisas e interpreter. Por exemplo, tem vídeo dele, eu, ele com o Bolsonaro, tem vídeo dele com o Gayer, tem vídeo dele comigo, ele participou das campanhas. Até semana passada, ninguém imaginava que ele tivesse uma atitude como essa.

As pessoas hoje são muito maduras, elas vão pesquisar. E sabem que, muitas vezes, você convive com uma pessoa imaginando que ela é de um jeito e depois você descobre que ela é de outro.
Ton Paulo – Tem a conversa de que talvez Gustavo Gayer não se lance candidato. Havia realmente a possibilidade de o senhor sair candidato no lugar dele em Goiânia?

O Gayer é o nosso pré-candidato hoje, e até que ele diga o contrário, ele será o nosso pré-candidato. E nos contatos que eu tenho tido com ele, ele não tem, de forma alguma, mostrado outro lado, outra forma, outra via. E acho que a pré-candidatura de qualquer outra pessoa, caso ele voltasse atrás, já não teria tempo, agora, suficiente para se estabelecer.

Eu participei de uma campanha majoritária para o governo, Eu sei como é difícil você chegar na ponta da linha das pessoas. Nós estamos a quatro meses da eleição, não dá mais tempo de você lançar uma pré-candidatura agora, daqui a pouco, uma candidatura que não tem sido construída ao longo do tempo. Já tomei a minha decisão, eu sou pré-candidato a vereador por Goiânia. Se Deus me permitir, vou para a Câmara, tenho minhas pautas. Tenho uma experiência parlamentar na Câmara de Deputados que foi singular para um deputado de primeiro mandato.

Como líder do governo, nós votamos uma série de pautas importantes, como a reforma da Previdência no nível nacional, votamos a Declaração dos Direitos de Liberdade Econômica, reestruturamos a Esplanada diminuindo os ministérios de 29 para 22, votamos a medida provisória para combater as fraudes no INSS, votamos o novo marco das ferrovias, da cabotagem, do câmbio das licitações e uma série de outras pautas importantíssimas. Você lidar com 54 deputados federais, na situação de líder, com interesses, objetivos, características pessoais, personalidades, profissões, religiões, backgrounds completamente diferentes, e você ser o líder de um grupo desse, tentar unir, tentar pacificar, é um desafio, é uma bagagem que eu imagino que eu consiga somar bastante para a Câmara, no desenvolvimento da Câmara Municipal.

E, para além disso, eu sou servidor concursado da Câmara, sou consultor legislativo da Câmara, que é o concurso no Legislativo Federal de mais alto nível, não existe outro concurso. É muito focado na questão regimental e, no meu caso, na questão de mérito da segurança pública e da defesa nacional. Acho que essas duas vertentes, a vertente política, a experiência política minha e a experiência de mérito no trato da vertente técnica, podem, eu creio, somar muito para que a Câmara avance.

Cilas Gontijo – Existem conversas nos bastidores de que a Mayara Mendanha, esposa do Gustavo Mendanha, pode ser vice do Sandro Mabrel. Se isso ocorrer, haveria uma desistência do Gayer?

Tudo são possibilidades. Mas discutir a hipótese, enquanto a gente está com um pré-candidato posto, é quase como você querer discutir a herança de pessoas vivas.

Ton Paulo – Mas o Sandro Mabel tem conversado com o Gayer?

Não sei, você tem que conversar com eles.

Ton Paulo – Existe algum projeto para uma tentativa de retorno ao Congresso Nacional, por exemplo, em 2026? Ou o senhor deve continuar na Câmara se for eleito e, possivelmente, tentar uma reeleição?

Eu estou à disposição do que o partido me indicar, do que o presidente Bolsonaro me indicar. A gente sabe que em 2026 vão ter duas vagas para o Senado. É uma casa importante hoje na República, por causa até da questão do reequilíbrio de poderes. Nós vamos ter 17 ou 18 deputados federais, e talvez Goiás aumente uma cadeira por causa da questão da recontagem de eleitores, populacional. O Congresso Nacional é um palco de grandes batalhas e quem vai estar no próximo Congresso vai enfrentar.
Nós vamos lutar muito para que em 2026, independente de para qual cargo eu esteja, se eu vá concorrer ou não, nós vamos lutar muito para que o presidente de direita volte, torcendo para que seja o Bolsonaro, para que ele consiga reverter a invisibilidade.

Ton Paulo – O senhor acredita nessa possibilidade?

Eu acho que tudo na política é possível. A esquerda já esteve em uma posição muito pior do que nós estamos hoje. Já teve o líder deles preso e inelegível, a sucessora dele impitimada, e eles conseguiram reverter. Acho que tudo é possível, e torço e rezo todos os dias para que o Bolsonaro esteja elegível em 2026.

Tem uma pesquisa que mostrou que o Bolsonaro era o único que venceria o Lula hoje numa eleição.

Ton Paulo – Mas se esse cenário não for revertido, para quem o senhor acha que seria sábio da parte de Bolsonaro transferir o apoio? Ronaldo Cariado seria um desses nomes?

Eu acho que ele está na lista das pessoas possíveis de serem escolhidas. Mas o presidente tem uma gama grande de opções: o Tarcísio, tem a própria Michelle Bolsonaro, tem os filhos dele, o Flávio, o Eduardo, em particular, que já viveram bastante Brasília. E o Caiado é uma das opções, com toda certeza. Mas acho que dentro da família Bolsonaro tem várias opções. E além do próprio Tarcísio, tem o [Romeu] Zema, tem o Ratinho Júnior. Existem muitas opções para o presidente, tem outras opções no Congresso Nacional.

Ton Paulo – O senhor não acha que tenha havido algumas sinalizações por parte do Tarcísio de que ele prefere concorrer à reeleição em São Paulo do que se lançar à presidência?

Eu acho que é cedo para qualquer certeza nesse sentido. Imagina se ele, até antes das eleições municipais, já fizesse uma sinalização dessa. Qualquer um que se lance agora já passa a ser alvo também. Nós fomos contemporâneos da Aman [Academia Militar das Agulhas Negras], ele foi meu veterano, estava no primeiro ano quando ele estava no terceiro, e depois nós passamos para o concurso da Câmara juntos, ele para a área de transportes e eu para a área de segurança e defesa. Então eu conheço bem o Tarcísio. Aliás, fui eu que o apresentei para o Bolsonaro na transição, lá em 2018. Estou conjecturando que ele não faria nenhum tipo de movimento agora, até porque o president tem a liberdade de fazer a escolha dele. Se ele [Tarcísio] antecipar agora, pode ser que ele atropelhe de alguma maneira.

Não sabemos nem se o Bolsonaro vai estar, e a gente torce para que esteja, elegível. Ele [Tarcísio] já disse, por exemplo, que ele jamais iria contra o Bolsonaro.

Cilas Gontijo – Em Goiânia, temos três pré-candidatos que se dizem de direita: Sandro Mabel, Vanderlan Cardoso e Gustavo Gayer. Não existe uma divisão, um risco de pulverização dos votos?

Nós estamos num momento em que é legítimo e esperado de todos os partidos políticos, em especial os maiores, tenham seus pré-candidatos. O que você vai dizer para o União Brasil para não ter o candidato dele? O que você vai dizer para o PL, que tem 100 deputados federais, não ter um candidato próprio? O que você vai dizer para o PSD, que tem 40 deputados federais, é o partido com o maior número de senadores, tem a presidência do Senado, está lá no governo do Tarcísio, o Kassab, que é o presidente nacional do partido, é secretário do Tarcísio, mas você vai dizer para um partido desse que ele não vai ter candidato? Então, eu acho que nesse momento é natural que seja assim.

Mas a gente tem visto que o Gayer tem crescido bastante nas pesquisas, está disputando ali a primeira colocação, ora com o Vanderlan, ora com a Adriana. Eu acho que a polarização tende a acontecer, como está acontecendo em todo o país, e daqui a pouco vai ficar polarizado entre o Gustavo e Adriana.

E os demais candidatos, pré-candidatos, vão ter que tomar decisão, se vão efetivamente de direita, vão apoiar o Gustavo, ou se vão apoiar o PT.

Ton Paulo – Como seria um eventual segundo turno?

Acho que ainda é cedo para uma avaliação como essa. O Gustavo, pela exposição nacional que tem tido, pelo trabalho de oposição que tem feito e pelo fato de ser goianiense, já concorreu aqui em outro pleito, teve 40 mil votos em uma primeira candidatura da vida, está muito bem posicionado.

O Vanderlan foi o político com muito mais experiência que avalizou a minha candidature [ao governo]. Tenho uma gratidão a ele por isso. Mas sei também que ele tem algumas votações em que ele tem deixado um posicionamento dúbio. Em relação a, por exemplo, reforma tributária, ele votou a favor, quando a direita no Brasil estava, o Bolsonaro em particular, sinalizando para que fosse votado contra.

Alguém pode comentar ‘Mas o Tarcísio defendeu o texto e também orientou para que o republicano votasse a favor’. Sim, eu entendo que há uma briga, um problema entre ele [Vanderlan] e o Gustavo [Gayer]. No começo, eu tentei até dissuadir ambos para que isso não chegasse ao ponto que chegou. Mas nós vamos ter que ser pragmáticos daqui pra frente.

Ton Paulo – Mas o senhor acha que no segundo turno o Vanderlan apoiaria Gayer contra a Adriana?

Bom, eu torço para que sim. Porque, realmente, se ele apoiar a Adriana Accorsi, aí acho que toda a desconfiança que muitas pessoas têm em torno dele, do posicionamento dele, vai ficar claro, que ele apoia a esquerda.

Ton Paulo – Há uma crítica sobre o Gayer que é constantemente feita, também, sobre o Vanderlan, que eles têm muito mais a ganhar e a contribuir permanecendo no Congresso. Isso é levado em conta pelo PL, pelo próprio Gustavo Gayer?

Eu acho que esse é um fator que está sendo considerado por ele, pelo Wilder e pelo próprio Bolsonaro. De um lado, ele é realmente isso, ele tem uma expressividade entre os deputados federais com maior expressão, hoje, da direita, da oposição, mas por outro lado, Goiânia tem uma grande necessidade também. Goiânia está com um déficit de liderança muito grande. As pessoas aspiram ter um prefeito efetivamente eleito. Porque o atual prefeito Rogério, ele é, me parece, uma pessoa do bem. Todas as vezes que eu encontrei com ele, uma pessoa muito bacana. Mas ele chegou à prefeitura numa situação muito desvantajosa para si próprio, politicamente.

Agora, o goianiense aspira por ter um prefeito efetivamente, e o Gustavo tem essa pegada. Além de ser goianiense, como eu falei, já concorreu outras vezes, está no auge da carreira política dele. Então, seria um prestígio para Goiânia ter um prefeito do calibre dele.

Cilas Gontijo – Várias pesquisas em Goiânia revelam que o eleitor goiano prefere um prefeito que seja gestor, que tenha o costume em administrar. Qual é a experiência do Gayer nessa área?

Essa é a pergunta que muita gente fazia também em torno do Caiado, por exemplo, que ele nunca iria se eleger para um cargo majoritário no Executivo, porque foi sempre parlamentar, e é um parlamentar combativo. E ele não só se elegeu, como se reelegeu, nas duas vezes no primeiro turno, e hoje é o governador mais bem avaliado do país. Então, nessa visão, eu tenho certeza, [Gayer] é inteligente, eficiente, e é claro que ele vai adaptar a própria postura política dele a um novo momento. Uma coisa é você ser parlamentar de oposição num Congresso tendo um governo petista e você defender tudo o contrário do que o governo atual defende. Outra coisa é você ser o gestor de uma capital como Goiânia, que precisa de uma atenção. Tenho certeza que ele adaptaria e faria essa mudança.

E a experiência dele como empresário demonstra que ele faria o ajuste rapidamente.

Ton Paulo – Está havendo polarização entre os projeto do PL para as eleições deste ano nos municípios goianos e o projeto caiadista?

Eu acho que se estiver havendo, é uma incoerência. Se o governador quer ser presidente da República, ele vai precisar do apoio do PL, vai precisar do apoio da direita. Então, não faria sentido ele fazer um combate ao PL, enfraquecer o PL, que é o partido onde seria o ideal ele concorrer, caso as portas estivessem abertas ou estejam abertas, pelo PL.

Eu acho que o foco dele tem que se voltar para o nível nacional. Mas é claro que o cenário político não é tão simples assim. Ele tem como vice dele, o Daniel, que tem pretensões de ser governador, isso é claro. E o Wilder está em um momento que é natural que ele seja o próximo candidato ao governo. Então, isso é uma sinuca de bico a ser resolvida pelos três, acho que depois que as eleições municipais passarem.

Ton Paulo – O seu palpite é qual? Qual deve ser o desfecho dessas articulações?

Meu palpite? É que o Wilder vai ser governador de Goiás. Esse é meu palpite.

Ton Paulo – O senhor acha que ele deve concorrer com o Daniel Vilela em 2026?

Eu acho que isso é o que está se pronunciando. Acho que no final das contas vai ter o PL, que quer fazer o máximo de prefeituras, o MDB, que quer fazer o máximo de prefeituras também. Talvez o Caiado esteja olhando para um plano B, como senador. Se ele se viabilizar como candidato à presidência, a primeira-dama, a Gracinha, deve ser a candidata ao Senado pela União Brasil. Caso ele não se viabilize, ou se a Gracinha for candidata, eles vão precisar ter uma base também para o Senado. Então pode ser que essa seja a questão.
Ton Paulo – Esse projeto concomitante pode abalar a possibilidade do Bolsonaro apoiar o governador Ronaldo Caiado para a presidência em 2026?

Eu acho que é um fator que pode ser levado em consideração.

Cilas Gontijo – Entre os quatro possíveis candidatos da direita para 2026, Tarcísio, Ratinho, Zema e Caiado, na sua avaliação, qual deles tem as pautas de direita mais firmes, que podem receber o apoio do Bolsonaro?

Difícil de avaliar, mas acho que à frente estão o Tarcísio e o Caiado.
Ton Paulo – O senhor mencionou que o instituto do senhor, o Instituto Harpia, há tem um ano de atividades. Como ele está hoje, e qual sua pretensão para ele?

O Instituto Harpia Brasil, hoje, está numa estrutura bastante complexa, grande até, com quase mil associados espalhados por todo o país. Temos uma vertente de capilaridade, que é de presença física. Temos presidências estaduais em 20 estados, presidências municipais em mais de 200 cidades. Temos um representante do Harpia lá no Rio Grande do Sul, que é um vereador de Porto Alegre, e o embaixador do Harpia lá, o Zuco. Eles estão nos ajudando, por exemplo, a fazer toda a articulação em relação às doações [às vítimas de enchentes]. Arrecadamos mais de 1 milhão e 300 mil reais em equipamentos, mantimentos. Compramos toneladas e toneladas de materiais, entregamos, e essa articulação foi feita muito daqui de Goiânia, mas com a nossa ligação, com a capilaridade que nós temos lá no Rio Grande do Sul, com os presidentes estaduais e municipais lá, que nos ajudaram a distribuir o material.

Temos uma vertente de mérito, que é a discussão dos problemas brasileiros em comissões temáticas, que espelham as comissões do Congresso Nacional. Eu sou o presidente, temos seis secretários nacionais, um secretário-geral, vice-presidente, tesouraria e tal. Por exemplo, quem é que está tocando as ações no Sul? A nossa Secretaria de Assuntos Sociais, que nos ajuda a fazer os orçamentos, a mandar [as doações], ver a logística, vai ser de qual cidade para qual cidade, quem é que vai entregar, como é que vai ser entregue, como é que vai ser o recibo.

Temos O Harpia Mulher, Harpia Mirim, para as crianças, Harpia Jovem e assim vai. Nós já apresentamos proposições legislativas, minutas de PEC, minutas de projetos de lei, nós vamos começar a ingressar com ações judiciais. A pretensão do Instituto Harpia é ser uma vertente, se não a principal, uma das principais vertentes de organização da direita no país. Esse é o objetivo.

Ton Paulo – Não tem o risco de virar um partido político, Major?

Todas as pessoas falam isso, falam ‘Vocês vão querer lançar candidados também?’. Nós vamos apoiar, sim, mas eles têm os próprios partidos. O Harpia é apartidário. Embora eu seja do PL, embora uma grande parte dos harpianos seja do PL, tem vários de outros partidos. Eu posso garantir quais não são [parte do instituto], porque nosso estatuto tem, lá, por exemplo, a defesa e proteção da propriedade privada, a defesa dos valores liberais e econômicos. Você acha que alguém do PT, Psol, PCO, PCdoB vai se interessar em estar no Harpia? Porque conflita diretamente com o que eles defendem. Então, se o cara for de um partido de centro ou de direita, ele provavelmente vai se sentir confortável no Harpia, mas nós não somos um partido político. O nosso CNPJ é de uma associação civil sem fins lucrativos.

Ton Paulo – E caso o senhor seja eleito, seguirá à frente da direção do instituto?

Vou seguir. É uma associação civil, sem fins lucrativos, tem estatuto, tem eleição, tem tudo. Se eu for reeleito, se for da vontade da maioria dos harpianos, eu vou continuar à frente.

Ton Paulo – Recentemente, o ex-prefeito Gustavo Mendanha, em um evento com o Sandro Mabel, defendeu a ‘união das direitas’. Como o senhor avalia essa fala?
Eu só acho que tem a possibilidade, por exemplo, de afunilar até as convenções, algumas dessas [pré-candidaturas] que foram colocadas. Por exemplo, se ele aceitar abrir mão da pré-candidatura para apoiar outro. Acho que não vai chegar [ao final] mesmo todos esses que estão colocados, mas ninguém vai arredar o PL.

É difícil prever isso, mas acho que não faz sentido para o PL, que é o maior partido do Brasil, que tem 100 deputados federais, que tem 12, 13 senadores, não faz sentido pro PL não ter candidato nas capitais. Por que o PL não vai ter candidato na décima maior cidade do Brasil?

Não sei quanto outros partidos, mas das sinalizações que eu tenho tido do Valdemar, do Bolsonaro, do próprio Gayer, do Wilder, é de que nós teremos candidato aqui sim. E até o presente momento, eu sei que tem muita especulação, muita gente falando, mas o nosso candidato, o nosso pré-candidato é o Gustavo Gayer.

Ton Paulo – O Fred Rodrigues, do PL, foi escolhido como pré-candidato a vice do Gayer. O senhor acha que foi uma decisão acertada ir de chapa pura?

O vice precisa ser alguém que você confie. A postura do Gayer é tão conhecida pelas pessoas, que ele é um cara de direita, conservador, a defesa que ele faz no Congresso é tão clara, que eu não sei se ele pegasse alguém diferente faria alguém imaginar que ele está abrindo mão de algum valor ou princípio que ele defende. Então, faz todo sentido que ele escolha alguém que ele confie, que é amigo dele há muito tempo, que ele conhece. Não vejo como uma desvantagem, mas é claro que daqui até as convenções, muito vai ser conversado e tenho certeza que ele, o Wilder, nós todos estamos trabalhando para trazer outros partidos para a base dele, independente de ter a vice ou não.

Cilas Gontijo – Já tem algum partido com o qual vocês estão conversando?

Eu não posso falar isso aqui. Realmente, de verdade, não tenho ciência de conversas avançadas. Agora, tem partidos que têm uma possibilidade maior de aproximação. Qualquer partido de centro-direita e direita, a possibilidade de uma composição não existe. É claro que o União Brasil, que tem o Mabel apoiado pelo governador, acho que é mais complexo. Eles não vão querer abrir mão da candidatura. O Vanderlan já falou que não vai abrir mão. E o PL, como eu falei, o maior partido do Brasil, 100 deputados federais, vai abrir mão de ter uma candidatura própria? Acho que é incoerente.

Cilas Gontijo – Como é que está o acordo com os outros segmentos, por exemplo, os evangélicos, para a candidatura do Gayer?

A gente está conversando com todo mundo. Esse é o momento agora de conversar, de aproximar. Não conseguiria nominar aqui, mas eu tenho certeza que ele tem alguma coisa. Mas eu também não estou dentro da campanha dele, estou voltado para a minha campanha. Eu não sei se ele já se aproximou de algum líder da igreja.

Cilas Gontijo – O presidente da OAB nacional fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, em relação às prisões de pessoas que não têm foro privilegiado. Como o senhor avalia essa fala?

Eu acho que é uma fala importante. Eu sou advogado também, acho que a OAB precisa se posicionar em relação a muitas das coisas que estão acontecendo no país. E é interessante que a gente veja um posicionamento desse agora, sobre uma questão que é realmente importante.

O resultado do que aconteceu, as consequências do 8 de janeiro, as penas que foram aplicadas, a forma como tudo foi conduzido, precisa ser estudado por quem é do ramo jurídico e precisa começar a explicitar as críticas, reparos, estudos em cima do que foi feito, precisa ser realizado de maneira fria, de maneira distanciada. E eu acho que a OAB é o palco correto para se fazer isso.

Não faz sentido um senhor que estava lá [eventos do 8 de janeiro], um ambulante, o outro que estava com o terço na mão, uma senhora que estava com a bíblia, que nunca passou pelo Congresso Nacional, nunca exerceu nenhum cargo, que não tem nenhuma razão constitucional ou legal para ter o foro do Supremo, se não é julgado pelo Supremo.

Ton Paulo – Além das pautas ideológicas, quais devem ser as bandeiras do senhor na Câmara, caso seja eleito?

Tem algumas coisas que machucam muito quem vive em Goiânia, por exemplo, o trânsito, a mobilidade urbana. Os semáforos sem qualquer tipo de coordenação, cruzamento que tem ruas completamente vazias, uma rua completamente vazia, outra lotada, e o semáforo onde está lotado abre dois segundos e a outra, onde não tem ninguém, fica 50 segundos. A questão da mobilidade urbana é uma questão seríssima aqui em Goiânia.

A questão da saúde também, até porque Goiânia é uma referência para as outras cidades. Muitas pessoas vêm do interior para cá para serem atendidas, e nós que vivemos aqui sofremos com a saúde. Também a integração da segurança pública. Nós temos uma guarda municipal que pode ser muito mais bem aproveitada, estudada, integrada com as ações da Polícia Militar.

A própria educação, Goiás já é um destaque nos colégios militares. Tem algumas cidades goianas que têm colégios militares municipais. Então, Goiás podia estudar uma pauta como essa também, para que a gente avançasse, já que é um ensino que tem dado certo no país.

Ton Paulo – Uma escola cívico-militar gerida pelo município?

Pelo município, é. Por que não?

Ton Paulo – Qual é o setor, a área mais urgente de se resolver hoje em Goiânia?

Acho que tem muitos. A limpeza urbana também, a questão da Comurg, que precisa ser abordada.

Ton Paulo – O senhor acha que a entrada da empresa Limpa Gyn resolveu?

Pra nós que estamos na rua e vivendo no dia a dia, não parece que deu solução ainda. Agora, também a gente sabe que é preciso dar um tempo para que as coisas aconteçam. E acho também que retomar a credibilidade da Câmara dos Vereadores. Hoje, todo mundo que eu converso tem uma crítica muito, muito severa à Câmara, à Prefeitura também, mas à Câmara em particular.

E acho que a eleição até é bom que seja periódica e tudo mais, sempre de quatro em quatro anos para que esse espírito seja renovado.

Cilas Gontijo – O senhor já foi deputado federal e agora é pré-candidato a vereador. O que o senhor está achando dessa pré-candidatura?

Olha só, a vereança é a base da nossa democracia. O vereador é o parlamentar que está na base, no contato do dia a dia com os problemas mais paroquiais, mais próximos das pessoas. O Plano Diretor, a saúde, educação local, a mobilidade, engarrafamento, é o hospital que não funciona, é a limpeza urbana que não está dando conta. Então, eu acho que vai ser um aprendizado muito grande pra mim.

Quando eu fiz a faculdade de Direito, fiz quatro anos na Federal de Goiás, e aí o Exército me transferiu para o Rio de Janeiro, e eu terminei na Federal do Rio. É natural que tenha tido uma dificuldade no aproveitamento de matérias. Mas eu briguei lá e consegui aproveitar 99% das matérias. Por incrível que pareça, eu não consegui aproveitar Introdução ao Ensino do Direito, que é a primeira matéria que você faz, porque eu tinha feito essa disciplina na Academia Militar das Agulhas Negras, 15 anos antes.

Eu estava no quinto ano de Direito, participando da aula do primeiro semestre, de Introdução ao Ensino do Direito, e foi a melhor experiência que eu tive. Por quê? Porque eu já tinha visão do todo, já tinha passado por quase todo curso de Direito e voltei a estudar o básico.

Acho que, fazendo um paralelo, por eu ter vivido algo num nível muito mais amplo, muito maior que foi o Congresso, vai ser importante também para a minha carreira política voltar aqui para a base e entender os problemas que atingem as pessoas num nível mais visceral, do dia a dia, de entender essa política aqui.

O próprio Bolsonaro foi vereador e falou para mim que se ele não tivesse sido inelegível, concorreria agora a vereador do Rio.

Ton Paulo – Gustavo Gayer é conhecido por uma postura contundente, muitas vezes radical. O senhor acha que se ele for eleito prefeito, vai conseguir manter um diálogo com a Câmara Municipal?

A experiência dele de parlamentar agora também certamente o está moldando. E ele está vendo a perspectiva do lado de cá, claro, mas também na oposição. Mas ele é inteligente, está vendo também como que o Executivo se relaciona, como que o Executivo depende do Legislativo, e a hora que ele chegar ao Executivo, vai saber dialogar a ponto de ter um relacionamento legítimo, correto, republicano, mas voltado para o bem da cidade.

Porque ele viu que esse tipo de relacionamento que o Bolsonaro tentou ter, não deu certo. Quando o Legislativo não conversa bem com o Executivo, trava. Mas o próprio Bolsonaro, ao longo do tempo, e eu vi isso, foi sintonizando melhor, foi adaptando melhor a relação com o Parlamento.

Com certeza o Gayer vai ser assim. A intenção certamente vai ser a de colocar pessoas técnicas, principalmente nos cargos, nas secretarias que são técnicas. Mas o próprio Bolsonaro já falou que ele colocaria político nas secretarias políticas. Na secretaria de governo, um político sério, correto, honesto, que vai ter que lidar com o Parlamento local, vai ter que lidar com as outras instituições, com os outros poderes. Mas vai fazer tudo, lógico, dentro da legalidade.

Agora, conseguir votos no parlamento é uma ciência. E ele [Gayer] está aprendendo isso também, com o mandato dele, como eu aprendi, como outras pessoas viveram essa experiência.

Só para completar, tinha uma coisa que o meu pai falava para mim. Meu pai era oficial da Marinha. E ele falava que quem dignifica o cargo é o homem. Não é o cargo que dignifica o homem. Então, não importa qual cargo você está exercendo, se você está exercendo bem e está fazendo seu papel na esfera, no nível que você está.

Eu vou estar bem, vou estar feliz comigo mesmo. Não importa se eu sou vereador, senador, deputado. O que importa é, enquanto eu for vereador, eu vou querer fazer o melhor que eu posso. Para o nível que eu puder. O nível que está aberto para mim agora não é a vereança. Eu vou partir com o máximo de esforço, com a minha bagagem, com a experiência profissional anterior, com o fato de eu ser advogado, de eu ser consultor legislativo da Câmara, de eu ter sido deputado federal, para contribuir no nível que eu estou agora.