Lógica sugere que Maguito Vilela deve ser o candidato do PMDB a governador

Se Daniel Vilela for derrotado, o vilelismo tende a perder força no confronto com Iris. Com Maguito na disputa, seu filho pode tentar a reeleição

Maguito Vilela: o ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Aparecida não tem arestas graves no PMDB e, por isso, é aceito pela maioria dos peemedebistas, inclusive pelos iristas. E ele tem experiência administrativa

Costuma-se falar do futuro em política como se fosse algo que chegasse pronto e acabado. Não é assim. A rigor, o futuro não existe, ou melhor, ele é formatado no presente, aos poucos. Pode-se dizer que aquele político que espera o futuro, mas sem interferir no presente, a­caba por não ter futuro. Escrever so­bre o que pode acontecer não é o mes­mo que futurologia. Trata-se de especulação. Mas a especulação, desde que estribada em informações e argumentos, às vezes é um guia relativamente preciso para entender a realidade.

Vale a pena examinar o quadro político esboçado pelos líderes do PMDB, como o deputado federal Daniel Vilela e o ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, e pelo líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (que articula com o prefeito Iris Rezende).

Daniel Vilela

A leitura diária dos jornais sugere que o PMDB já definiu seu candidato a governador de Goiás. “Será” Daniel Vilela, presidente regional do partido. Razões: está articulando, seria o elemento da renovação da política e do PMDB e tem o apoio do pai, Maguito Vilela, e das bases no interior. Parece uma coisa muito arrumadinha, mas não se pode afiançar que o jovem deputado federal não será o candidato do partido. Porque, sim, ele quer disputar e trabalha, até com certa energia, para ser o escolhido na convenção do partido, em 2018. Mas há alguns problemas, quiçá incontornáveis.

Daniel Vilela, segundo vários peemedebistas, não agrega sua base política. Tanto que quatro prefeitos, Iris Rezende, de Goiânia, Adib Elias, de Catalão, Ernesto Roller, de Formosa, e Paulo do Vale, de Rio Verde, têm mais simpatia pela candidatura de Ronaldo Caiado. O grupo do prefeito de Goiânia avalia que, se Daniel Vilela for eleito governador, vai trabalhar, em tempo integral, para estraçalhá-lo. “Uma vitória de Danielzinho destrói, de vez, o irismo e consolida a hegemonia do vilelismo” — é a síntese do que dizem os iristas, em “off” e mesmo em “on”. Talvez por ser jovem, por não ter uma longa tradição no PMDB, o parlamentar tem sido tão contestado pelos aliados — inclusive pelos jovens, como o ex-deputado Samuel Belchior, e os de meia idade, como o deputado José Nelto, que são apontados como neocaiadistas. Samuel Belchior, irista de carteirinha — tem o hábito de falar que “é Deus no Céu e Iris na Terra” —, é o organizador da pré-campanha de Ronaldo Caiado. Aos aliados e amigos, sem qualquer receio, admite que foi colocado ao lado do senador democrata por Iris Rezende.

Daniel Vilela, deputado federal, os prefeitos Iris Rezende, Ernesto Roller, Adib Elias e Paulo do Vale e o ex-deputado Samuel Belchior: o quinteto trabalha unido contra a candidatura do primeiro a governador de Goiás

Numa conversa recente, com dois peemedebistas, Iris Rezende confidenciou que Daniel Vilela não tem respeito pelas “lideranças históricas”. O prefeito teria enviado uma série de recados para que não disputasse a presidência do PMDB, para abrir espaço para Nailton Oliveira, mas não foi ouvido. O deputado federal passou por cima de Nailton Oliveira como se fosse um trator de esteira, atropelando o pupilo de Iris Rezende sem dó nem piedade. A vitória, evidentemente, não foi sobre o ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás, e sim contra o decano peemedebista. A vitória selou a hegemonia do vilelismo no comando do PMDB, mas pôs um “drummond” no meio do caminho do jovem peemedebista — o irredutível Iris Rezende (político que, no seu tempo de hegemonia, atropelou Henrique Santillo, Nion Albernaz, Irapuan Costa Junior, Mauro Borges, Frederico Jayme, Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi).

Ao perder o comando do PMDB, que dirigia há anos, por intermédio de prepostos-agregados (como Samuel Belchior), Iris Rezende afastou-se dos Vilelas, Daniel e Maguito, e passou a vincular seu projeto político ao do senador Ronaldo Caiado. A pendenga é maior com Daniel Vilela do que com Maguito Vilela.

Maguito Vilela

Se não tem tanta resistência a Maguito Vilela, por qual motivo exatamente Iris Rezende está bancando Ronaldo Caiado para governador? Porque, se Ronaldo Caiado for eleito, terá condições de retomar o controle do PMDB e, claro, o clã Vilela ficará enfraquecido. Se for eleito, e se a reeleição for mantida, é óbvio que Ronaldo Caiado será candidato à reeleição em 2022, ou seja, o PMDB, depois de anos sendo derrotado pelo PSDB, agora perderá espaço para o DEM. Portanto, uma vitória do senador será, do ponto de vista do PMDB, uma vitória de Pirro. O partido continuará fora do poder. Iris Rezende, com o fim da carreira política se aproximando, parece que não dá muita importância à possibilidade de o PMDB ficar fora do poder. Porque, para ele, uma vitória de Daniel Vilela, sobretudo, será a vitória de um adversário, não de um aliado, como é o caso de Ronaldo Caiado. O que importa, verdadeiramente, é que uma vitória do senador do DEM “devolve” o PMDB ao irismo.
Como o futuro nem a Deus pertence, especulemos a respeito: digamos que Ronaldo Caiado (ou José Eliton, o pré-candidato do PSDB) seja eleito go­vernador, e Daniel Vilela seja derrotado. Primeiro, Iris Rezende, sendo pre­feito de Goiânia e contando com o apoio do governador, trabalhará para des­truir o legado do vilelismo no PMDB.

Segundo, se Daniel Vilela for derrotado para o governo, os Vilelas ficarão sem mandato, tanto executivo quanto legislativo. Então, finalmente, chegou o momento de discutir lógica — e a política, terreno da razão conectada à emoção, não prescinde dela. Do ponto de vista estritamente racional, Maguito Vilela deve ser o candidato do PMDB a governador, como muitos peemedebistas querem. Apontemos algumas razões.

Primeiro, por mais que haja certa resistência, Iris Rezende terá dificuldade para não apoiar Maguito Vilela. Em 1998, com a popularidade em alta, Maguito Vilela era o candidato natural à reeleição. No entanto, Iris Rezende dis­se que seria candidato a governador e, sem criar atrito, Maguito Vilela saiu do páreo (foi eleito senador) e trabalhou em sua campanha. Nas eleições de 2010 e 2014, mais uma vez, o peemedebista de Aparecida de Goiânia e Jataí contribuiu nas campanhas do líder histórico do PMDB. Portanto, se não subir no palanque de Maguito Vi­le­la, Iris Rezende estará cometendo uma “traição” política imperdoável con­tra aquele que sempre lhe estendeu a mão.

Segundo, dadas à diplomacia habitual e à malemolência costumeira — é difícil encontrar alguém que tenha “raiva” do líder político —, Maguito Vi­­lela praticamente não tem arestas no PMDB. Talvez seja o político mais benquisto do partido. Iris Rezende, Adib Elias e Ernesto Roller não terão dificuldade alguma de subir no seu palanque.

Terceiro, e mais importante: digamos que Daniel Vilela seja candidato a go­vernador e não seja eleito. Os Vilelas ficarão sem mandato e, portanto, perderão força interna, no PMDB, e externa, na política de Goiás e nacional. Por isso, alguns líderes do partido sugerem que o candidato a governador seja Maguito Vilela e que Daniel Vilela dispute a reeleição. Trata-se de lógica cartesiana.

Se Maguito for derrotado para o go­verno, ainda assim, Danel Vilela po­derá ser eleito para deputado federal e poderá disputar a Prefeitura de Goiânia em 2020. Quer dizer, os Vilelas continuarão com for­ça política, tendo um parlamentar em Brasília. Trata-se, claro, de lógica e às vezes razões emocionais a derrotam.

Portanto, uma derrota de Maguito Vilela não significa o ocaso do maguitismo. Mas uma derrota de Daniel Vilela tira o vilelismo do páreo e devolve a direção do PMDB a Iris Rezende, que estará no comando da Prefeitura de Goiânia até 2020. Consta que Maguito Vilela, mesmo sabendo que é mais popular e que está melhor posicionado nas pesquisas de intenção de voto, não quer retirar o filho do páreo. Nem cogita discutir o assunto. Mas Daniel Vilela, político inteligente e cada vez mais maduro, já pensou, racionalmente, no assunto ou vai optar por uma aventura em 2018? Seu futuro e o futuro do PMDB estão em suas mãos? Talvez, talvez, talvez.

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Zeca Rocha

A lógica e a “tradição” indicam que Maguito Vilela será o candidato a governador de Goiás pelo PMDB. É fato: desde 1990, somente Iris e Maguito candidataram-se ao governo pelo PMDB; são “caciques”, “donos” do partido – e só eles tem o privilégio do protagonismo. Também por isso o PMDB é derrotado nas eleições estaduais desde 1998, merecidamente.