José Eliton, Daniel Vilela e Baldy são os novos players da política de Goiás

Qualquer que seja o resultado das eleições deste ano, os três políticos se tornaram mais conhecidos e serão requisitados para pleitos futuros

José Eliton (PSDB), Alexandre Baldy (PP) e Daniel Vilela (MDB): os três políticos representam o novo na política de Goiás tanto agora quanto nos pleitos de 2020 e 2022

Qualquer que seja o resultado das eleições de 7 de outubro, daqui a dois meses, é possível constatar que uma nova geração de players políticos está surgindo em Goiás. Ao mesmo tempo, assiste-se à consolidação de um político goiano que se tornou autenticamente nacional. Trata-se do ex-governador Marconi Perillo, candidato a senador pelo PSDB.
Marconi Perillo foi deputado fe­de­ral, governou Goiás por quatro ve­zes e foi senador. Como governador, contribuiu para uma ampla modernização do Estado, dinamizando sua economia, colaborando para torná-la mais produtiva e moderna. A região é hoje mais cosmopolita graças, em larga medida, à ação progressista do tucano de 55 anos.

Dada sua experiência administrativa e política, o que lhe permite co­ne­xões com vários gestores e políticos, Marconi Perillo envolveu-se, de ma­neira decisiva, na política do país. Na recente articulação para atrair o Cen­trão para a campanha do candidato do PSDB a presidente da Re­pú­bli­ca, Geraldo Alckmin, o tucano goi­ano esteve no centro de todas as ações.

Como não é teleguiado, provando que é um negociador político de primeira linha, Marconi Perillo foi visto pelas figuras centrais do Centrão como uma figura confiável. Se Geraldo Alckmin for eleito presidente, depois de patinar nas primeiras pesquisas de intenção de voto, o ex-governador de Goiás será um dos responsáveis pelo seu sucesso e, por isso, se credenciará como homem chave do próximo governo.

José Eliton

O governador José Eliton, do PSDB, é candidato à reeleição. No momento, aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do candidato do DEM, senador Ronaldo Caiado.

Ao assumir o mandato, em abril deste ano, José Eliton priorizou a gestão, o que contrariou alguns de seus principais aliados, que avaliaram que, pelo contrário, deveria fazer política em tempo integral. O jovem tucano defende a tese de que o fundamental é ser responsável com as contas do Estado. O resultado é que a sociedade começa a aprovar sua gestão, exatamente porque a percebe como “responsável”. As dificuldades existem, e decorrem mais da crise nacional do que de equívocos da política estadual, mas, para usar uma expressão pouco elegante, José Eliton não deixou a peteca cair.

No governo, uma das preocupações de José Eliton é com o indivíduo, com as dores daquele que, não tendo recursos fartos, precisa de apoio do Estado para se colocar como cidadão na sociedade. Mais do que as obras em si — e que são decisivas (o programa municipalista Goiás na Frente está fortalecendo as cidades do interior) —, é a preocupação com o indivíduo que dota o governo do tucano de um humanismo raro, verdadeiro e sensato.

José Eliton tem condições de dar a volta por cima e ganhar a eleição para governador? Sim. Porque dois meses é tempo suficiente para se tornar mais conhecido, para se apresentar e, ao mesmo tempo, expor suas ideias para garantir a modernização, digamos, continuada de Goiás. Aos 46 anos, é jovem e, ganhando ou perdendo em 2018, tem uma porta aberta na política do Estado. Porque é moderno de fato, inclusive diz “não” àquilo que determinados grupos corporativos querem, mas é prejudicial à sociedade. Pode parecer contraproducente eleitoralmente, mas é a ação de um político que é moderno na prática.

Alexandre Baldy

Casado com uma mulher rica, Luana Baldy, Alexandre Baldy poderia ter se acomodado à vida de potentado. Mas, seguindo o exemplo de seu pai, Joel Santana Braga (um apóstolo do social), decidiu que seu caminho era outro. Primeiro, tornou-se empresário (e é mais fácil ir à Lua do que ser empresário no Brasil), e dos vencedores. Segundo, optou por se tornar político, acreditando que é o meio adequado para melhorar a vida da maioria das pessoas.

Tornou-se secretário da Indústria e Comércio do governo de Goiás, com atuação eficiente, e, em seguida, foi eleito deputado federal pelo PSDB. Em Brasília, no primeiro man­dato, poderia ter se tornado mais um despachante, ficando na capital de terça a quinta-feira e fazendo política na província na sexta, no sábado, no domingo e na segunda-feira. Ao con­trário, procurou conhecer, de maneira ampla, o Congresso Na­ci­o­nal e participar das articulações políticas na capital da República. Decidiu que não seria turista em Brasília.

Aos poucos, aproximando dos líderes nacionais, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), Baldy foi se integrando à, digamos, corte de Brasília. Não é fá­cil pertencer ao grupo de elite da capital. Mas, político por vocação — da­queles profissionais de que fala o sociólogo alemão Max Weber —, e avesso à manjada técnica do tapinha nas costas, conquistou seu lugar ao sol.

Antes de concluir o primeiro mandato de deputado, Baldy se tornou ministro das Cidades, uma das pastas mais importantes e cobiçadas, com o apoio de Rodrigo Maia e do presidente do PP nacional, Ciro Nogueira. Poderia, como outros ministros, acomodar-se e fazer apenas o feijão com arroz. Mas decidiu ser ministro de fato, viajando pelo país e dobrando a burocracia para o dinheiro do governo chegar às mãos dos gestores municipais e estaduais — que, sim, representam a sociedade real —, mais rapidamente. Logo, considerado uma espécie de workaholic, chamou a atenção do presidente da República. Michel Temer o avalia como um de seus ministros mais eficientes e dedicados.

Com o que aprendeu em Brasília, uma universidade de política para os bons “alunos”, Baldy passou a articular na política de Goiás com mestria. De cara, frisou que não decidiria apoio a candidato a governador antes de agosto e cumpriu milimetricamente. O PP, que dirige em Goiás, se tornou uma força política considerável, a noiva cobiçada, em larga medida devido à independência de Baldy — que não precisa de cargos e muito menos de dinheiro resultante de jogadas políticas para sobreviver. O resultado de sua autonomia é que pôde negociar com todos os partidos uma posição de destaque para o PP e para os pepistas nas articulações das alianças políticas.

Baldy fica, possivelmente, até 31 de dezembro deste ano no governo de Michel Temer. E depois? Qualquer que seja o resultado das eleições deste ano, o deputado federal licenciado deve ser considerado um vencedor e abriu espaço para projetos futuros. Em 2020, por exemplo, pode disputar a Prefeitura de Goiânia e, com o status de quem foi ministro e tem ideias modernas, tem chance de se eleger. Pode também disputar o governo de Goiás em 2022. As “portas” do porvir estão abertas para o líder do PP, de apenas 38 anos. Em Brasília, a duras penas, aprendeu que, ao contrário dos que se alimentam de brigas, gritos e não sabem falar baixo, não se arromba portas abertas. O Homem de Gelo, como é conhecido, dada sua frieza na articulação política, parece, tudo indica, que chegou para ficar e incomodar. Sobretudo, está provando que está na política para servir à sociedade, mas não para ser serviçal dos poderosos. Desagrada a alguns, mas se firmou como político. Está no jogo, independentemente da posição de outros políticos.

Daniel Vilela

Aos 34 anos, o deputado federal Daniel Vilela, pré-candidato a governador de Goiás pelo MDB, é um fenômeno político. Há pouco tempo, disseram-lhe que, na disputa pela presidência do partido no Estado, não enfrentasse o candidato do “bicho papão”, Iris Rezende. O jovem ouviu os conselhos e, tal como Juscelino Kubitschek quando se tornou prefeito nomeado de Belo Horizonte — disseram-lhe que não precisava trabalhar e que tudo se resolvia no piloto automático, mas o jovem médico trabalhou de maneira tão incansável que, logo depois, se tornou governador e presidente da República —, decidiu que era a hora de enfrentar a “fera”. Articulado, convocou os integrantes do partido e disse-lhes que, sim, enfrentaria Nailton Oliveira, às vezes chamado de Rezendinho, dado o apadrinhamento de Iris Rezende. Derrotou-o de maneira inapelável.

Em seguida, quando Daniel Vilela pôs seu bloco na rua e decidiu que seria candidato a governador, Iris Rezende (MDB) articulou a candidatura do senador Ronaldo Caiado. Aos poucos, o deputado firmou sua posição e atraiu o próprio prefeito de Goiânia para sua campanha. Em Brasília, adotou posições firmes, sem aderir ao populismo patropi, e conquistou o apoio de Michel Temer. Exibe capacidade de articulação. Qualquer que seja o resultado das eleições deste ano, com ou sem vitória, há indícios de que está nascendo um líder político consistente — até mais do que seu pai, que às vezes titubeia.

Em 2020, se perder em 2018, Daniel Vilela pode disputar a Prefeitura de Goiânia e, em 2022, mais uma vez o governo do Estado. Em 2018, por conveniência ou “medo” das pesquisas, só perde força se não disputar o governo do Estado. Disputando, mesmo se perder o pleito, sai ganhando em termos políticos mais gerais. Consolida-se como líder e como um político que não teme desafios.

Outros players

Além de José Eliton — dos políticos jovens é o mais experimentado em termos administrativos e um le­ga­lista do primeiro time —, Ale­xandre Baldy e Daniel Vilela (frise-se que Marconi Perillo ainda é jovem), há outros nomes, como o prefeitos de Anápolis, Roberto “Orion” Naves (PTB), de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), de Jataí, Vinicius Luz, e de Uruaçu, Valmir Pedro, o deputado federal Thiago Peixoto (PSD) e os deputados estaduais Jean Carlo (PSDB), Virmondes Cruvinel (PPS), Francisco Júnior (PSD), Lucas Calil (PSD), Gustavo Sebba (PSD), Henrique Arantes (PTB), Luis Cesar Bueno (PT), Adriana Accorsi (PT), o vereador Andrey Azeredo (MDB), o ex-vereador Agenor Mariano (MDB). Se eles souberem “abrir” as portas do futuro, com habilidade e sem arrogância, o futuro pode lhes “sorrir” mais cedo do que imaginam.

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Araez

Por que não colocaram Vanderlan Cardoso? Pois ele é o melhor e mais preparado para administrar Goiás!

Fabiano Oliveira

José Eliton ???????