Derrota de Iris Rezende deve encerrar o ciclo da virulência e da vingança na política de Goiás

Possível vitória do tucano-chefe Marconi Perillo tende a inaugurar ações menos contenciosas nas próximas campanhas e pode contribuir para libertar o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, da “possessão” irista. A política tende a ser mais construtiva e pacífica daqui para frente

Marconi Perillo e Iris Rezende: o governador, ao derrotar o ex-prefeito, está contribuindo, de maneira decisiva, para eliminar, possivelmente de vez, o estilo bangue-bangue de fazer política no Estado de Goiás | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Marconi Perillo e Iris Rezende: o governador, ao derrotar o ex-prefeito, está contribuindo, de maneira decisiva, para eliminar, possivelmente de vez, o estilo bangue-bangue de fazer política no Estado de Goiás | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Atores dizem que, quando trabalham em filmes, telenovelas e peças de teatro, ficam com a sensação de que são duas pessoas num só corpo. Os melhores atores de fato “incorporam” as personagens, “perdendo” parte de sua identidade e “ganhando” parte de outra identidade — tornando-se, assim, praticamente outra pessoa. Às vezes, quando concluem seus papéis, ficam com o eu cindido, quem sabe por ter incorporado traços das personagens. Alguns interpretações são tão bem feitas que o espectadores e telespectadores chegam a confundir, numa identificação profunda e não raro perigosa, artistas e personagens. Na política, sobretudo nas campanhas eleitorais, quando a emoção se torna instrumento da razão para ser usada como arma letal de destruição de adversários, não é muito diferente. As campanhas são as novelas da política.

Tanto que, terminadas as eleições, depois de denúncias duras, verdadeiras ou não, poucos políticos recorrem à Justiça para resolver as querelas. Parecem aceitar que as campanhas envolvem teatro e, quiçá, delírio.

Na campanha eleitoral deste ano, três candidatos ao governo de Goiás — o governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB) e o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT) — apresentaram propostas consequentes e que não oneram ainda mais o caixa do Estado. Eles propuseram melhorar a qualidade de vida dos goianos, mas sem excessos, e nenhum adotou a política do ódio, da vingança. Curiosa ou sintomaticamente, o postulante que expôs as propostas mais mirabolantes — como dobrar o efetivo policial (se efetivado, quebraria o Estado. Não custa lembrar que, candidato a prefeito de Goiânia, disse que resolveria o problema do transporte coletivo em seis meses, a contar da posse, e os problemas, na sua gestão e na do prefeito Paulo Garcia, se agravaram) — foi o peemedebista-chefe Iris Rezende.

Durante toda a campanha, embora com um marketing processado por pessoas relativamente jovens, Iris Rezende passou a imagem de estar em profunda desconexão com a realidade. Enquanto Marconi Perillo, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide indicavam que viviam no século 21, em 2014, sendo contemporâneos dos atuais goianos, Iris Rezende parecia ter o eu dividido — uma “parte”, o corpo, em 2014, no século 21, e outra “parte”, digamos o espírito (não no sentido religioso), na década de 1960, no século 20. Em alguns momentos, possivelmente atropelando o pessoal do marketing — como Dimas Thomas (defenestrado por discordar dos equívocos do peemedebista), Paulo Faria e Pedro Novaes —, o peemedebista-chefe parecia delirar. Ele certamente pensava que, com seu estilo agressivo, com o corpo falando pelo espírito, estava se comunicando com eficiência com os indivíduos-cidadãos de Goiás. Não estava, mas não percebeu isto e continuou, durante a campanha, promovendo ataques virulentos, nada sustentados pela realidade, e por certo incomodando os eleitores. Sai do pleito com a imagem do vovô “bravo”, “violento” e “superado”. Os goianos o devolveram aos livros de história, aqueles em que já estão Leopoldo Bulhões, Antônio Ramos Caiado, Pedro Ludovico, Domingos Vel­lasco, Coimbra Bueno, Mauro Borges, Otávio Lage, Henrique Santillo e mesmo os vivos Leonino Caiado e Irapuan Costa Junior (os dois, por sinal, governadores competentes, modernizadores).

Adeus à política do bangue-bangue

Iris Rezende deve ser derrotado duplamente na eleição deste ano. Primeiro, por sugerir desconexão com o mundo e as pessoas reais. Segundo, nas urnas. Mas não é apenas o peemedebista que sai perdedor. Um estilo de política pode estar sendo enterrado com a decadência do peemedebista. Ressalvando, como assinala o filósofo britânico John Gray, que o mundo melhora-piora-melhora-piora. Há quase sempre retornos sombrios na história da humanidade, como o stalinismo, o nazismo e o maoísmo. As “trevas” nunca são inteiramente banidas de uma sociedade. A história se repete como tragédia e farsa, às vezes com as duas misturadas.

Mas talvez seja possível sugerir que a praticamente certa derrota de Iris Rezende, por ser instrutiva, vai acabar com o estilo da política do bangue-bangue, do ataque gratuito, da vingança pessoal mascarada na política de Goiás. Espera-se que, nas próximas campanhas, o exemplo negativo de Iris Rezende leve os candidatos a observarem

Ronaldo Caiado: o deputado federal precisa entender que foi eleito para contribuir  para o desenvolvimento do Estado de  Goiás, não para tentar paralisar o governo

Ronaldo Caiado: o deputado federal precisa entender que foi eleito para contribuir
para o desenvolvimento do Estado de
Goiás, não para tentar paralisar o governo

que os eleitores têm mais interesse em examinar e, daí, apoiar aqueles políticos que são construtivos. Na campanha, nos programas de televisão e nos debates, Iris Rezende raramente discutia o Estado, insinuando apenas que era preciso retirar o tucano Marconi Perillo do poder. É sua obsessão, mas não é a dos eleitores goianos. Problemas pessoais — como vingança — raramente são de interesse público.

Há pouco tempo, peemedebistas e petistas adotaram, com a Operação Monte Carlo, uma política estratégica com o objetivo não de apurar irregularidades, e sim com o objetivo de paralisar o Estado e, assim, levar o governador Marconi Perillo a fracassar.

Fora dos jornais, nas rodas formadas nos bastidores, políticos diziam: “Nós queremos Marconi Perillo ‘sangrando’ até outubro de 2014”. No lugar de apresentar um projeto alternativo de governo e poder, oposicionistas contentaram-se em esperar que o chamado Caso Carlos Cachoeira — muitos até esqueceram que o ex-governador Maguito Vilela, do PMDB, transformou o empresário em homem de Estado, como gestor da Gerplan, e que políticos do PT mantiveram contatos de primeiro grau com o bode expiatório de certo momento da história do País — “destruísse” o tucano-chefe.

A forma adequada de retirar um político do poder é por intermédio de eleições limpas. Os adversários de Marconi Perillo usaram táticas antidemocráticas, com o uso de instrumentos públicos, com o objetivo de levá-lo enfraquecido para a disputa deste ano. As táticas revelaram-se, ao final, suicidas. No lugar de se “melhorar”, as oposições tentaram “piorar” o tucano-chefe. Como acreditaram que o líder do PSDB estaria fraco, não trabalharam, de maneira adequada, para se fortalecerem. Marconi Perillo não apenas não “sangrou” como, de algum modo, “tomou” sangue das oposições, vitaminando-se com suas críticas. Sem a “invenção” do Caso Cachoeira, o jovem tucano, embora não seja o seu feitio, poderia ter se acomodado. Os ataques brutais o fortaleceram. O que torna o homem mais forte é a vitalidade da crítica. “O que não me mata me fortalece” — escreveu o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por assim dizer, Marconi Perillo deve sua revitalização, ao menos em parte, à estultice política e filosófica das oposições.

A sociedade goiana, cada vez mais escolarizada e autônoma — a maioria das pessoas não depende do governo —, observava que, enquanto a oposição atacava, sem apresentar um projeto de desenvolvimento de fato alternativo, Marconi Perillo trabalhava, organizando a gestão pública (o ex-governador Alcides Rodrigues, ao contrário do que reza a lenda espalhada por seus aliados, sobretudo por um marqueteiro, deixou o Estado quase liquidado) e construindo obras de interesse público. Em certo momento, as oposições, lideradas, quem diria!, pela deputada federal Iris Araújo, uma especialista em culinária, estiveram em Brasília e disseram para auxiliares da presidente Dilma Rousseff que o governo federal deveria “boicotar” Marconi Perillo e, portanto, Goiás. Felizmente, por ser republicana e entender que a economia é sincronizada — prejudicar um Estado é o mesmo que sacrificar o País, que precisa, desesperadamente, crescer —, Dilma Rousseff não atendeu aos rogos do atraso, da maldade gratuita, da falta de estadismo de alguns políticos do PMDB, do PT e do PTN.

Durante certo tempo, mal Marconi Perillo assumiu o governo, no início de 2011, e Iris Araújo — espantosamente chefiando os deputados Luis Cesar Bueno (PT) e Francisco Gedda (PTN), políticos inteligentes mas momentaneamente obnubilados pela sanha persecutória da deputada do PMDB — não saía dos jornais, quase sempre pouco reflexivos (e apostando no quanto pior, melhor), apresentando fotografias de buracos nas rodovias de Goiás. Iris Araújo e Luis Cesar Bueno esboçavam sorrisos matreiros ao exibir a suposta desgraça do Estado, deixando, é claro, de informar que o caos das estradas era decorrente de Alcides Rodrigues, que havia terceirizado o governo para o marqueteiro Jorcelino Braga, ter optado por não recuperá-las. Talvez por pensar que, como Marconi Perillo seria eleito, era “crucial” inviabilizar o Estado.

Tempos depois, com as estradas recuperadas pelo governo de Marconi Perillo, a pauta dos buracos saiu dos jornais — a restauração e ampliação das rodovias não ganharam destaque — e, consequentemente, Iris Araújo e Luis Cesar Bueno desapareceram de suas páginas. Mas os eleitores não se esqueceram da dupla.

Candidata a deputada federal, Iris Araújo sugeria que seria a mais votada. Ele esperava obter entre 180 mil e 200 mil votos. Obteve meros 66.234 e foi derrotada. Um ex-deputado federal do PMDB acha que foi “muito” — dado o desgaste da parlamentar, que passou quatro anos trabalhando para impedir o crescimento e o desenvolvimento de Goiás. Até seus aliados não aprovaram a conduta discriminatória e predatória.

Luis Cesar Bueno, um político experiente e competente, com a imagem cristalizada de especialista em destruir, não em construir, quase foi derrotado. Dos candidatos eleitos do PT, foi o menos votado. Obteve 20.290 votos. A petista Adriana Accorsi conquistou mais do que o dobro — 43.424 votos. O deputado estadual Humberto Aidar (PT) foi reeleito com 28.375 votos. Renato Rocha (PT), político de Goianésia e desconhecido no Estado, foi eleito com 23.900 votos. Para se perceber como a votação de Luis Cesar Bueno foi pífia basta notar que candidatos de outros partidos perderam, porém com uma votação muito maior.

O pastor Jeferson Rodrigues, do PRB, recebeu 36.369 votos e Júlio da Retífica, do PSDB, obteve 27.664. Mas, devido ao quociente eleitoral, não foram eleitos. Ao se tornar irisaraujista, deixando circunstancialmente de ser petista, Luis Cesar Bueno perdeu o rumo e os eleitores decidiram “puni-lo”. Como é um político de qualidade, se recuperar seu próprio eixo, deixando de ser irisaraujista, certamente voltará a obter um sucesso eleitoral mais amplo.

Uma palavra sobre o senador eleito Ronaldo Caiado, um político decente. O líder do partido Democratas pretende ser candidato a governador de Goiás, em 2018.

Se repetir a campanha de Iris Rezende, adotando a política do ódio como regra, será mais um a perder a eleição. Se quiser mesmo ser bem-visto pelos goianos, eleitores ou não, Caiado terá de trabalhar, nos próximos quatro ou oito anos, pelo desenvolvimento de Goiás. Não foi eleito para paralisar o governo. Na campanha deste ano, assistiu-se a um fenômeno estranho. Caiado nunca foi maguitista, demostenista e marconista. Agora, talvez por piedade, parece ter se tornado irista, repetindo mantras vetustos do peemedebista-chefe. Porém, e não é mera impressão, o democrata está ouvindo mais seus auxiliares e aliados. Está menos contencioso.

Paulo Garcia: o prefeito de Goiânia, com a derrota de Iris Rezende, pode finalmente matar simbolicamente seu pai político e concentrar-se em aumentar a eficiência da gestão pública | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Paulo Garcia: o prefeito de Goiânia, com a derrota de Iris Rezende, pode finalmente matar simbolicamente seu pai político e concentrar-se em aumentar a eficiência da gestão pública | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O paulo-garcismo irista

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, é um político, acredita-se até agora, bem intencionado e, por isso, deve trabalhar para melhorar a qualidade de vida dos goianienses. No momento, está mal avaliado, por ser considerado inoperante. O petista cercou-se de auxiliares amadores, que fracassariam se administrassem uma barraquinha da Feira da Lua ou da Feira do Sol. Alguns, como um marqueteiro e um jornalista, sugerem que ele está “bem” e que tudo não passa de “intriga dos oposicionistas”. Ao apresentarem uma imagem Shangri-La da imagem do prefeito, decerto estão pesquisando, única e exclusivamente, os auxiliares e familiares do petista-chefe.

Se não acredita nas pesquisas, que exibem um desgaste colossal de sua gestão, ou não-gestão, Paulo Garcia poderia colocar uma peruca e uma barba postiça — alguns imperadores romanos faziam isto — e sair às ruas, pegar táxis e andar de ônibus. Comprovaria o óbvio: os goianienses dizem, em todos os lugares, das casas mais simples às casas dos condomínios de luxo, que se trata do pior prefeito da história de Goiânia. É uma crítica muito dura, pois a comparação não é feita com rigor e o prefeito ainda tem mais dois anos e dois meses de mandato.

Ainda tem chance de se recuperar. Mas, se continuar paralisado, e sua paralisia gera mais paralisia, vai mesmo ficar na história como o pior prefeito da história da cidade e, com isso, vai prejudicar, cada vez mais, seu próprio partido, o PT, e seus aliados políticos. Ao final do mandato, descobrirá que a maioria dos aliados, inclusive aqueles que juram lealdade eterna — juraram também ao ex-prefeito Pedro Wilson (um homem de bem e do bem, mas com a imagem de gestor absolutamente corroída) e a outros —, o abandonará. O petista ficará sozinho, apenas com seus parentes mais próximos. Desgaste “contamina” e, por isso, os políticos vão correr dele. Na campanha deste ano, Iris Rezende fez o impossível para não aparecer junto com Paulo Garcia em fotos e imagens. No seu programa eleitoral, no segundo turno, vetou pessoalmente a presença do petista. O ex-prefeito gosta dele, mas não é nenhum néscio.

O petista está fracassando como gestor e, também, político. O PT elegeu quatro vereadores em Goiânia. Por imperícia de Paulo Garcia, perdeu Djalma Araújo, um petista difícil mas histórico, firme e experimentado. Agora, perdeu o apoio dos vereadores Tayrone di Martino e Felisberto Tavares. Com uma conversa de articulador, entendendo que a barriga não dói só uma vez, Paulo Garcia poderia ter mantido os jovens políticos em sua base. Porém, provando que não sabe agregar e que não entende que a política (como a vida) também é um exercício de paciência, brigou com os dois e, para piorar, quer expulsá-los do PT. Agindo assim, o prefeito não precisa de adversários e inimigos. Aliás, embora não seja paranoico, tem visto “inimigos” em todos os lugares. Aqueles que, racionais, apresentam argumentos para melhorar sua gestão, ou não-gestão, logo é rotulado de “marconista”. Com sua feição irônica, parecendo que está sempre debochado do interlocutor e desprezando seus argumentos, talvez esteja se comportando como o “burro inteligente”. O burro inteligente é aquele que, mesmo sendo inteligente, até muito inteligente, avalia que todos os outros indivíduos são burros. Paradoxalmente, Paulo Garcia é um homem bom, mas um homem bom que não sai do lugar, que se recusa a administrar, torna-se ruim para a cidade e para seus cidadãos.

O que está por trás do Paulo Garcia “contencioso” e que briga com todo mundo e enxerga conspiração até no bater das asas de um mosquito da dengue?
Nós, do Jornal Opção, não nos autorizamos — isto não faz parte da política editorial definida, ao longo de quase 39 anos, pelo publisher Herbert de Moraes Ribeiro — a fazer laudos psiquiátricos e psicanalíticos de políticos e de quem quer que seja. O jornal tem cautela e bom senso quando examina os políticos do ponto de vista individual. Entretanto, no caso de Paulo Garcia, um político bem intencionado — repita-se —, talvez seja preciso examiná-lo para além do mero jornalismo.

Paulo Garcia desenvolveu uma paixão política por Iris Rezende que o deixa cego. Tudo que não é bom para o peemedebista-chefe é ruim para Paulo Garcia. Deveria ser assim: o que é bom para Goiânia é bom para Paulo Garcia. O ex-prefeito de Goiânia tornou-se uma espécie de pai político do petista. Ao “possuir” a alma de Paulo Garcia, ao forçá-lo a agir como uma marionete, Iris Rezende paralisou o prefeito, o gestor.

No lugar de administrar Goiânia, Paulo Garcia se tornou uma espécie de sargento do exército do general Iris Rezende em ação contra o exército do general Marconi Perillo. Assim como Iris Rezende, Paulo Garcia se tornou bélico. Tanto que sua linguagem incorporou palavras como “guerra” — “vivemos uma guerra” — e “batalha”. Daí que, no lugar de postar-se a serviço de Goiânia, Paulo Garcia está a serviço de Iris Rezende na guerrilha contra o tucano-chefe.

A Prefeitura de Goiânia tem uma dívida de 400 milhões de reais, consequência de um déficit mensal de 30 milhões de reais. Há quem diga que Iris Rezende é responsável pelo menos pela metade dessa dívida. Ouvido por repórteres, o peemedebista reagiu atirando — e exatamente em Paulo Garcia, ainda que de maneira oblíqua — e garantiu que, ao sair da prefeitura, deixou 200 milhões em caixa. Imediatamente, o petista deveria ter se apresentado para esclarecer a história. Moitou. Não disse uma palavra. Segurou a bomba sozinho. Fica, pois, com a imagem de incompetente, de não pagar serviços e fornecedores.

O que fazer? Apesar dos percalços, a sociedade é civilizada e, felizmente, não se mata o pai verdadeiramente. Mata-se o pai simbolicamente, para fixar a própria personalidade e garantir a continuidade da espécie, da vida. Assim, Paulo Garcia precisa, com certa urgência — só tem dois anos pela frente —, matar Iris Rezende simbolicamente. Para se tornar, em definitivo, Paulo Garcia. Porque, no momento, é um político amputado — ora Paulo Garcia, ora Iris Rezende, uma espécie de “Pauloiris”. Há, aí, um eu cindido — como os de alguns atores, com duas personalidades. “Extrair” Iris das entranhas de Paulo Garcia será positivo tanto para Goiânia quanto para o prefeito. A derrota de Iris Rezende, praticamente certa, pode libertá-lo de um jugo que se aproxima da escravidão. Em certo sentido, Marconi Perillo pode ser o agente direto da libertação de Paulo Garcia, ao “matar” simbolicamente, por meio das urnas, o pai político e titereiro do prefeito.

Maguito Vilela e Antônio Gomide, o prefeito de Aparecida de Goiânia e o ex-prefeito de Anápolis, entenderam, com rara felicidade, que gestor não briga com gestor e que o interesse de uma cidade está acima de questiúnculas político-ideológicas. Por isso são bons gestores | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Maguito Vilela e Antônio Gomide, o prefeito de Aparecida de Goiânia e o ex-prefeito de Anápolis, entenderam, com rara felicidade, que gestor não briga com gestor e que o interesse de uma cidade está acima de questiúnculas político-ideológicas. Por isso são bons gestores | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Maguito Vilela e Antônio Gomide

Maguito Vilela governa Aparecida de Goiânia em parceria com os governos da presidente Dilma Rousseff e do governador Marconi Perillo. O peemedebista não é dado a firulas intelectuais, mas diz, com todas as letras, que gestor não faz oposição a gestor. O fundamental, tem afirmado, é melhorar a cidade para a qual foi eleito prefeito. Por isso não perde tempo brigando e comprando brigas, como as de Iris Rezende, que em nada contribuem para o desenvolvimento de Aparecida de Goiânia.

Quando prefeito de Anápolis, o petista Antônio Gomide governou em parceria com o governador Marconi Perillo. Sem nenhum atrito. Fez uma gestão que, de tão extraordinária e bem avaliada, o cacifou para a disputa do governo do Estado de Goiás e para outros voos no futuro próximo. A turma de Iris Rezende tentou indispô-lo com o tucano-chefe. Antônio Gomide não aceitou. Sugeriu que, na campanha eleitoral, aí faria as críticas que avaliasse como justas. Pois, na campanha, apresentou-as e, na maioria das vezes, sem excesso.

Como a eleição acaba neste domingo, 26, é hora de entender que, como no cinema, nas telenovelas e no teatro, é preciso juntar os possíveis cacos e definir a personalidade que, unitária, é mais benéfica para a sociedade. A personalidade de quem constrói, avaliando que a destruição só trava o desenvolvimento da sociedade e, assim, do homem, é útil para todos — políticos ou não. No futuro, dado o que se disse acima, terão maiores chances eleitorais aqueles políticos que entenderem que é preciso ser construtivo e mais pacífico. No filme da vida ficam cristalizados como bem-sucedidos aqueles políticos que superam divergências pessoais — que não querem usar o poder para vendettas pessoais — e constroem uma personalidade que aposta no sucesso coletivo da sociedade e na paz entre os homens. Quem “suja” muito as mãos, com discursos e práticas violentos, corre o risco de não limpá-las jamais.

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