Chapas de José Eliton e Daniel Vilela são mais encorpadas do que a de Ronaldo Caiado

A chapa do presidente do DEM é ele e Jorge Kajuru. Mas José Eliton e Daniel Vilela montaram chapas e coligações que são poderosas e podem desequilibrar o resultado do pleito

Ronaldo Caiado, José Eliton e Daniel Vilela: os candidatos a governador pelo DEM, PSDB e MDB articularam com habilidade, mas as chapas mais encorpadas são mesmo a dos dois últimos | Montagem: Jornal Opção

 Adversários de Ronaldo Caiado dizem que montou uma “chapa fraca” para governador. A constatação é verdadeira, porque, de fato, o senador Wilder Morais e Lincoln Tejota não têm nenhuma expressão política em termos regionais — o comentário, impessoal, não tem o objetivo de depreciá-los, e sim de ressaltar o que é óbvio para todos, até para eles. Em termos de popularidade, só Jorge Kajuru, postulante a uma vaga no Senado, acrescenta alguma coisa. Disseram também que a montagem rápida da chapa majoritária não permitiu a inclusão de candidatos mais “fortes”. Nada do que concluíram é impreciso ou falso, mas é possível expandir a interpretação.

Lincoln Tejota, Wilder Morais e Jorge Kajuru: dos três, o único que ajuda a encorpar a chapa de Ronaldo Caiado é o terceiro, mas, sendo um outsider, pode puxar votos mais para si do que para o aliado

A chapa majoritária de Ronaldo Caiado, a rigor, não existe — é ficção. Wilder Morais e Lincoln Tejota são figuras decorativas. Quando não se tem uma história — um currículo político a exibir (Wilder Morais era suplente do ex-senador Demóstenes Torres, portanto nunca foi eleito sequer para vereador, e Lincoln Tejota nunca passou de deputado estadual) —, é preciso pelo menos ser popular, como Jorge Kajuru. Liderando as pesquisas de intenção de voto, o candidato do DEM a governador, na verdade, precisa, dada a lei, de uma chapa majoritária. Na prática, a chapa é Ronaldo Caiado, Ronaldo Caiado, Ronaldo Caiado e Ronaldo Caiado. Sem ele, e mesmo com Jorge Kajuru, a chapa seria um edifício sem pilastras — quer dizer, nem seria um edifício, pois não ficaria em pé.

Quanto à pressa na montagem da chapa, há uma leitura diversa da tradicional, a que prevalece entre os críticos do senador. Ronaldo Caiado percebeu, a partir de certo momento, que, se não articulasse rápido, ficaria sem chapa (e com tempo de televisão mignon). Os vices de seus sonhos eram Daniel Vilela e, por instância da Igreja Assembleia de Deus, o deputado federal João Campos, do PRB. Este também era cotado para senador. Entretanto, na política, como na vida, “se não se tem tu, vai tu mesmo”. Daí a pressa de indicar Lincoln Tejota e Jorge Kajuru — este, devido sua ligação com o presidente do PRP, Jorcelino Braga, estava se aproximando, perigosamente, do deputado federal Daniel Vilela, o candidato do MDB a governador.

A principal conquista de Ronaldo Caiado não está na chapa majoritária. Trata-se da deputada federal Flávia Morais, do PDT. Porque, simplesmente, tem voto. A ressalva é que, como política, é uma espécie de outsider — joga mais para si do que para seus aliados. Portanto, dificilmente vai transferir votos para o presidente do partido Democratas. Ainda assim, tê-la retirado da base governista, tem de ser visto como um trunfo. Os votos de Flávia Morais farão falta, por exemplo, para a chapa proporcional — a dos candidatos a deputado federal — do governismo.

Se a chapa de Ronaldo Caiado não encorpou — frise-se que Jorge Kajuru, como outsider, pode atrair votos para si, mas talvez não consiga transferi-los para o candidato a governador —, as chapas do governador José Eliton, do PSDB, e de Daniel Vilela ganharam em qualidade e quantidade. Encorparam, por assim dizer.

José Eliton

Roberto Naves (Anápolis), José Antônio (Itumbiara), Hildo do Candango (Águas Lindas), Nárcia Kelly (Bela Vista de Goiás), Jânio Darrot (Trindade), Valmir Pedro (Uruaçu) e Vinicius Luz (Jataí) são prefeitos que contribuem para o fortalecimento da candidatura de José Eliton

A chapa de José Eliton conta com a doutora em Linguística Raquel Teixeira (PSDB) — notável professora da Universidade Federal de Goiás e, ex-secretária da Educação —, na vice, e com dois pesos-pesados para o Senado, o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, e a senadora Lúcia Vânia, do PSB. Não há nenhum amador na chapa. José Eliton era vice-governador, está governando e, antes, foi presidente da Celg e ocupou a Secretaria de Segurança Pública. É um especialista em Direito — tido por seus pares como excepcional, sobretudo na área de Direito Eleitoral. Sabe tudo do Estado na ponta da língua — um de seus trunfos para o debate. Como gestor, tem agradado a sociedade porque, no lugar de usar o governo para fazer política, está gerindo a máquina pública com o máximo de responsabilidade. Até adversários estão surpresos com sua ação de estadista. Sua preocupação com o indivíduo — com suas “dores” no dia a dia — difere também da visão dos políticos que, pensando tão-somente no macro, esquecem que a vida, no cotidiano, tem sua porção micro. Converter indivíduos em cidadãos não é uma tarefa apenas das leis, governos podem e devem contribuir para apressar o que se pode nominar de “transição”.

Retomando a questão da chapa, o que se deve enfatizar é que todos — José Eliton (o governo o transformou rapidamente num fato novo, a ser observado), Raquel Teixeira, Marconi Perillo e Lúcia Vânia, com o acréscimo dos suplentes, José Vitti e Vilmar Rocha — contribuem, em termos de qualidade, para fortalecê-la. A chapa é qualitativa.

Há outra questão que fortalece a candidatura de José Eliton: sua coligação. O PTB do deputado federal Jovair Arantes montou, a partir de 2016, uma estrutura ampla em todo o Estado, contando com alguns dos prefeitos mais expressivos de Goiás. O empresário Roberto Naves, prefeito de Anápolis, é uma força jovem e aos poucos está implementando uma gestão moderna e mais aceita (está reorganizando e modernizando a prefeitura — o que, num primeiro momento, não é um aspecto bem percebido, mas os resultados começam a aparecer). Ele irá contribuir para fortalecer a campanha de José Eliton no município que tem o terceiro maior eleitorado de Goiás, mas, em termos de prestígio político, rivaliza com Goiânia e fica acima de Aparecida de Goiânia. José Antônio, prefeito de Itumbiara, é outro jovem que começa a deslanchar, consolidando-se como substituto do líder José Gomes da Rocha, assassinado em 2016. Hildo do Candango gere uma das maiores cidades do Entorno de Brasília — Águas Lindas — e é um líder forte na região. Nárcia Kelly, prefeita de Bela Vista de Goiás, é uma gestora criativa que, em 2016, derrotou as forças tradicionais do município. Os quatro prefeitos mostram que o PTB se renovou em Goiás e encorpou-se.

O PSDB, o partido de Marconi Perillo e José Eliton, representa uma força considerável, com vários prefeitos — como os jovens e notáveis Vinicius Luz, de Jataí, e Valmir Pedro, de Uruaçu, e o veterano e competente Jânio Darrot, de Trindade. O partido é, sim, uma máquina eleitoral. O fato de ser governador também impulsiona o candidato tucano. E há, claro, uma máquina de fazer política que atende pelo nome de Marconi Perillo — que, sozinho, é um cabo eleitoral, um capitão eleitoral e um general eleitoral.

O PSD, ainda que viva um momento de DRs intermináveis, conta com nomes qualitativos — como o ex-deputado federal Vilmar Rocha, um símbolo da política decente e construtiva, o deputado federal Thiago Peixoto, um formulador de ideias e projetos de primeira linha, e o deputado estadual Francisco Júnior, revelação política de Goiânia. O partido contribui também com o tempo de televisão — um dos maiores.

Somando tudo, o que se deve dizer é que José Eliton comanda uma armada poderosa, que, quando estiver inteiramente em campo, movimentando-se de maneira mais rápida e sincronizada, tende a desequilibrar o jogo político. Em termos de estrutura e nomes, as chapas para deputado federal e deputado estadual que apoiam o candidato tucano são as mais fortes — com ramificações em todo o Estado. Durante a campanha, são os postulantes a deputado que levam, espalham e sedimentam a mensagem do candidato a governador.

Daniel Vilela

Alexandre Baldy, Heuler Cruvinel, Vanderlan Cardoso e João Campos: os quatro políticos contribuem para encorpar a chapa de Daniel Vilela

Aliados de Ronaldo Caiado, como Adib Elias e José Nelto, contribuíram para vulgarizar a lenda de que Daniel Vilela não seria candidato a governador e que, não conseguindo se consolidar, iria compor a chapa do líder do DEM. Eram favas contadas, uma questão de tempo. Mas os neocaiadistas não contaram com a obstinação do jovem político e não souberam ler sua história, que, apesar de curta, é sugestiva.

Primeiro, embora desaconselhado até pelos aliados mais fervorosos, Daniel Vilela decidiu ser presidente do MDB, enfrentando uma pedreira, Nailton Oliveira, que, de tão próximo do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, é conhecido como “Rezendinho”. Na realidade, o jovem emedebista estava enfrentando o alcaide da capital, pois Rezendinho era apenas o preposto. Mesmo assim, o deputado enfrentou a parada e, demonstrando capacidade de articulação e convencimento, foi eleito, deixando meio mundo político boquiaberto — inclusive seus aliados e os iristas. Mas não o próprio Daniel Vilela.

Segundo, em todas as entrevistas, Daniel Vilela dizia sempre a mesma coisa: “Serei candidato a governador”. Céticos, repórteres inquiriam: “E se não for candidato a governador?” O emedebista dizia: “Serei candidato; se não for, nada disputarei”. Era mais ou menos assim que redarguia. Poucos políticos são tão posicionados quanto o emedebista. Aliás, é mais decidido do que o próprio pai, o ex-governador Maguito Vilela, um diplomata com rara capacidade de articulação política, mas que, às vezes, titubeia.

Terceiro, a montagem da chapa majoritária foi um parto cesariano dos mais complicados. Comentava-se que Daniel Vilela chegaria, ao final do processo, tão desidratado que não lhe restaria — como queriam Adib Elias e José Nelto, articuladores hábeis — aceitar a vice de Ronaldo Caiado. Mas o emedebista não desistiu e continuou conversando, numa longa jornada noite adentro, com possíveis aliados. Nunca deixou de ouvir nenhum deles, mesmo aqueles que o usavam para arrancar nacos de poder noutras paragens.

Quando tudo parecia perdido, graças a articulações locais e nacionais, a chapa de Daniel Vilela encorpou com a adesão do PP do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, do deputado federal Heuler Cruvinel, que será o seu vice, e do ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso, que disputará mandato de senador. Além dos pepistas, o deputado federal João Campos, evangélico da Igreja Assembleia de Deus, decidiu apoiá-lo. Trata-se de um político respeitável, sempre bem votado.

Com a chapa fortalecida, Daniel Vilela mostra, como José Eliton, que está no jogo. Sobretudo, deixou evidente que, em política, não há favas contadas e que as eleições deste ano estão abertas, até abertíssimas. Ronaldo Caiado que coloque as barbas de molho — para evitar que a eleição de 2018 não mimetize a de 1994 e o deixe fora da partida principal, a do segundo turno. Seus números atuais são altamente positivos, mas refletem, quem sabe, o fato de ser mais conhecido e de que não há ainda debate de ideias e projetos.

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RONALDO CAVALCANTE

Essa Raquel Teixeira não tem mandato não tem voto, fraca e o voto conjugado de Ronaldo Caiado levará Wilder e Kajuru ja levou a vaga de MARCONI . CAIADO NO PRIMEIRO TURNO.

Elias Rocha

Por que nunca publicam minha opinião? Não entendo… Eu antes não me dava bem com Caiado (e era presidente do PFL em Iporá). Apoiei de corpo e alma Marconi em sua primeira eleição. Mas Marconi nada fez por nossa região nos seus 4 mandatos. Decepção. Apesar do gênio forte, sempre reconheci em Caiado 2 qualidades: coerência e honestidade pessoal. Hoje, com 72 anos, voto e apoio Caiado. Marconi…? Está no final do seu ciclo…

Paulo Meirelles

Beleza…mas é CAIADO no primeiro turno !!