3 políticos que, embora pretendam disputar o governo em 2022, fazem oposição responsável

Alexandre Baldy, ex-ministro, Daniel Vilela, ex-deputado federal, e Vanderlan Cardoso, senador, querem suceder Ronaldo Caiado, mas sem prejudicar o desenvolvimento de Goiás

Jair Messias Bolsonaro, presidente do Brasil | Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

A crítica é crucial para descobrir e alargar caminhos. Por isso, quando se diz que a oposição também governa, trata-se de um fato. Uma oposição crítica mas propositiva contribui para melhorar o governo e a vida dos habitantes do país.

Mas a oposição que está tão-somente pensando na próxima eleição, por isso trabalha para desidratar o governante, contribui mais para conturbar e nada para ampliar a governabilidade e o crescimento e o desenvolvimento. O presidente Jair Bolsonaro enfrenta dois tipos de oposição. O primeiro é aquele que planeja debilitar sua imagem, cristalizando-a como não-gestor — o que o deixaria enfraquecido para a reeleição, em 2022. O segundo é aquele que pensa que, acima das questiúnculas político-eleitorais, há os brasileiros. Portanto, se Bolsonaro for muito mal, o máximo que vai acontecer a ele é não ser reeleito na próxima disputa, mas o país sairá em frangalhos. Os governos do PT foram decisivos para a crise gigante que está instalada e trava o crescimento do país. Se acertar a mão, dando ouvido ao equilibrado ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro pode até não arrancar o Brasil da crise, de matiz já estrutural, mas tende a contribuir para uma estabilidade que possibilitará um crescimento econômico em níveis razoáveis — isto a partir de 2020.

Cabe, pois, às oposições terem em vista o país, e não meramente Bolsonaro, que é menor do que a nação, porque provisório. Ter responsabilidade com os brasileiros não significa obviamente abandonar a crítica. Na verdade, não se trata disso. O que se sugere é que a crítica seja mantida, mas de maneira responsável, propositiva.

Ronaldo Caiado: o governador enfrenta, até agora, uma oposição responsável | Foto: Assessoria do Governo de Goiás

Governador Ronaldo Caiado

O que se disse de Bolsonaro vale para o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do DEM.

Até o momento, as oposições têm sido responsáveis — com exageros aqui e ali, quase todos em decorrência dos conflitos políticos entre os gestores anteriores, Marconi Perillo e José Eliton, e o gestor atual, Ronaldo Caiado. Mas, na média, há escassos excessos.

Na Assembleia Legislativa, há, desta feita, uma oposição mais aguerrida — o que contribui para fortalecer o Legislativo, que, nos últimos anos, comportou-se, apesar dos fugazes momentos de independência, como se fosse uma secretaria do governo do Estado. No momento, o Legislativo está mais altivo e examinando os projetos do governo de Ronaldo Caiado com atenção e liberdade. Na discussão do Orçamento Impositivo, procede que alguns deputados se comportaram como “auxiliares” do governador, mas a maioria se destacou pela independência. Na questão do passe livre estudantil, mais uma vez os parlamentares se comportaram como aliados da sociedade. Nas CPIs, que são necessárias — desde que não sejam puramente vendettas —, porque dinheiro público pode ter sido desperdiçado, há também responsabilidade. Ressalve-se, porém, que, apesar do sucesso midiático, a função do Legislativo vai muito além de CPIs.

Há políticos fazendo oposição séria a Ronaldo Caiado, mas não necessariamente a Goiás. Três deles: Alexandre Baldy (PP), secretário de Transporte do governo de João Doria, Vanderlan Cardoso (PP), senador, e Daniel Vilela, presidente do MDB em Goiás.

O trio, que tem pretensões políticas para 2022 — gostaria de governar Goiás (Vanderlan Cardoso já tentou duas vezes) —, poderia passar o tempo inteiro criticando o governo de Goiás e lançando “cascas de banana” para Ronaldo Caiado escorregar e fazer uma administração ruim. Mas estão, pode-se dizer, noutra vibe.

Vanderlan Cardoso: senador faz oposição respeitosa | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Senador Vanderlan Cardoso

Vanderlan Cardoso sabe, como empresário — é mais fácil ir à Lua do que empreender no Brasil —, que, para melhorar Goiás, é preciso melhorar o Brasil. Por isso, no Senado, tem atuado, no campo econômico-orçamentário, com o objetivo de reduzir a burocracia e contribuir para a retomada do crescimento da economia. Ele não aparece muito, porque atua nos bastidores, mas discute, com raro conhecimento, a Reforma da Previdência — por saber o quão é necessária para a expansão do país e, sobretudo, para o equilíbrio das contas dos governos federal e estaduais. No debate da Reforma Tributária, que ainda não começou, deverá ser uma figura central. Quanto ao governo de Ronaldo Caiado, alinhou-se com os empresários na defesa dos incentivos fiscais, mas postou-se contrário, no que mostra alto espírito público, a determinados benefícios — que são privilégios inequívocos.

Dados seus objetivos políticos, porque pretende governar Goiás, Vanderlan Cardoso poderia iniciar uma campanha virulenta contra o governo de Ronaldo Caiado. No entanto, permanece sério e consciencioso. Numa palavra, responsável. O senador sabe que o governador está ajustando a máquina, aparando as arestas de determinados gastos — que, embora pareçam pequenos, no conjunto representam um sobrepeso gigante —, com o objetivo de recuperar a capacidade de investimento do Estado. Não é fácil. Não será fácil. Mas Ronaldo Caiado está se comportando de maneira responsável e correta. Talvez se equivoque ao adotar o discurso do “caos”, deixando de ventilar esperança. Mas “vender” esperanças falsas — uma ação típica dos políticos populistas, o que o gestor estadual não é — também não é positivo. De qualquer modo, é preciso mesclar os discursos realistas e o de expectativa em dias melhores. Ninguém vive só de realismo. Se vivesse, não existiria, obviamente, a publicidade — que, ao fundir realidade e imaginação, torna o mundo menos sombrio e mais doce.

Alexandre Baldy, secretário do governo de João Doria, em São Paulo| Foto: Cedida ao Jornal Opção

Secretário Alexandre Baldy

Alexandre Baldy, ex-ministro do governo de Michel Temer — do qual saiu incólume —, é uma das estrelas do governo de João Doria, em São Paulo. Poderia ter ficado em Goiás, com o objetivo de constituir uma oposição destrutiva para enfraquecer e deixar Ronaldo Caiado “sangrando” politicamente até 2022. Daqui a três anos e alguns meses, o jovem Baldy, de 38 anos, poderá disputar o governo do Estado ou mandato de senador.

No entanto, no lugar de concentrar fogo político e dispersar energia, Baldy mudou-se para São Paulo, com o objetivo de contribuir, com sua experiência de empresário, político e ex-ministro, com o Estado mais rico do país. São Paulo é, como disse o brasilianista Joseph Love, a locomotiva do país — um verdadeiro país dentro do Brasil e mais rico que a maioria dos países latino-americanos. De lá, indicando que não abandonou Goiás, faz a defesa dos empresários que, a duras penas, obtiveram incentivos fiscais e instalaram suas fábricas em Goiás. A tese do ex-ministro é que não se muda as regras do jogo no meio do jogo e que segurança jurídica é seminal inclusive para atrair novos empreendedores. Mais: empresas que receberam incentivos fiscais foram e são decisivas para consolidar o desenvolvimento do Estado, colaborando, até, para a atração de novas empresas. A Mitsubishi, a CAOA-Hyundai e a Perdigão estão em Goiás, incentivadas pelo poder público, e isto é um cartão postal empresarial — de alta qualidade — que contribui para atrair mais investimentos. São símbolos-cases de sucesso.

Ainda jovem, Baldy é um político moderado e sensato. Ele não faz críticas destemperadas nem àqueles que atuam, no anonimato ou às claras, contra ele. Seu espírito democrático e diplomático não lhe permite excessos verbais e ataques solertes nem mesmo nos bastidores. Seu jogo é limpo e aberto. O que puder fazer por Goiás, fará, como tem feito. Mas prejudicar o Estado, com o objetivo de destruir o político “x” ou o político “y”, não faz parte do escopo de seu ideário político e pessoal mesmo. Como ministro das Cidades — cargo para o qual é cotado mais uma vez —, contribuiu com todo o país, sem deixar de beneficiar as cidades goianas. Por isso, no interior, passou a ser chamado de um dos mais municipalistas políticos brasileiros. Estando presente na política nacional, tanto como político — é cotado para presidir o PP em termos de país, porque simboliza a renovação — como quanto gestor, Baldy está sempre de olho na possibilidade de contribuir para beneficiar Goiás. Por isso, não faz oposição raivosa a Ronaldo Caiado — embora seja alvo, às vezes, de oposição raivosa — e procura contribuir, com o que está ao seu alcance, sempre dando referências positivas do Estado, para favorecer seus conterrâneos.

Baldy pode ser candidato a governador de Goiás em 2022? Pode, mas não planeja isto a qualquer custo, pois sabe que tudo na vida, inclusive na política, tem limite. Democrático e aberto ao diálogo, vai conversar com seus aliados, como Vanderlan Cardoso, Daniel Vilela, Maguito Vilela, entre outros que estão chegando, e assim definirá seu projeto político. Se não concorrer ao governo, poderá disputar uma vaga no Senado. Em 2018, contribuiu para eleger um senador, Vanderlan Cardoso, e um deputado federal, Adriano do Baldy. Não é pouca coisa; em Brasília, ter um deputado e um senador vale ouro, no bom sentido, é claro.

Digamos que Baldy se torne ministro das Cidades — vale frisar que ele não trabalha para ser ministro, pois está muito bem no governo de João Doria —, neste ou no próximo ano. Como ministro, jamais fará oposição ao governador Ronaldo Caiado. Pelo contrário, será peça-chave para ajudá-lo a fazer um governo eficiente e realizador. Porque, até por seu espírito empresarial e sua ideia de que agregar valor é fundamental, Baldy sabe que governo não faz oposição a governo. Trabalhar juntos, tendo em vista o Estado e os goianos, é o fundamental.

Daniel Vilela é cotado para assumir a presidência nacional do MDB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-deputado Daniel Vilela

Daniel Vilela, até porque perdeu para Ronaldo Caiado, faz uma crítica mais contundente e frontal ao governador. Mas não se trata de uma crítica irresponsável, e nem o ex-deputado federal planeja prejudicar o governo, Goiás e os goianos. Suas críticas são mais no sentido de que o governador precisa se concentrar mais no presente — os interesses imediatos dos goianos — e não deve refugiar-se no passado, concentrando ataques aos gestores anteriores. O emedebista parte do princípio de que governos investem a fundo perdido e, independentemente de corrupção — que às vezes há —, deixam dívidas. Tais dívidas devem ser pagas ou renegociadas, mas Estados, se querem investir — e não têm capacidade de investimentos em larga medida dada a folha gigantesca do funcionalismo público (em Goiás absorve 76% de toda a arrecadação) —, precisam obter novos financiamentos. Porque as demandas públicas, num país (e Estados) ainda por construir, são frequentes.

Se é mais corrosivo, ainda assim, Daniel Vilela não faz uma crítica destemperada. Pelo contrário, é responsável. Em termos estritamente políticos, trata-se de um jovem agregador. Perdeu a eleição, ficando em segundo lugar, na frente do ex-governador José Eliton — que chefiava uma máquina poderosa —, mas continua firme e talvez deva ser considerado, ao lado de Baldy e Vanderlan Cardoso, como a voz mais credenciada das oposições. Em 2022, deve disputar o governo ou mandato de senador. Desde já, trabalha para formatar uma frente política, mas não torce pelo fracasso do governo de Ronaldo Caiado. Porque sabe que o fracasso do governador equivale à ruína de Goiás. Quem receber um Estado destroçado em 2022 terá dificuldade de governar. Entretanto, pelos corajosos ajustes que está fazendo, enfrentando inclusive a ira dos setores corporativos — que certamente aumentará com a aprovação da reforma administrativa, que vai acabar com alguns privilégios —, Ronaldo Caiado certamente entregará (se não for reeleito) uma máquina pública em melhores condições.

Há até a possibilidade de Daniel Vilela se tornar presidente nacional do MDB. Sinal de que grandeza política não tem a ver apenas com vitórias eleitorais.

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