O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou hoje, 8, dois novos diretores para o Banco Central (BC). Para a Diretoria de Política Monetária, foi indicado Gabriel Galípolo, que é atualmente secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Para a Diretoria de Fiscalização, o nome anunciado foi o de Ailton de Aquino Santos, servidor de carreira do banco.​

Os nomes devem passar por aprovação no Senado Federal. O BC tem, no total, oito diretores, além do presidente. O ministro enfatizou a expectativa de que a indicação favoreça uma convergência entre a política monetária do Banco Central e a política fiscal do governo federal. O presidente Lula e o próprio Haddad têm criticado a manutenção da taxa básica de juros no patamar atual (13,75%) e cobrado uma redução do percentual.

Ao que tudo indica, a postura heterodoxa em relação à economia e passagem pelo mercado financeiro são vistas como um importante fator de ponderação na interlocução do atual governo com o empresariado. Galíopo defende conceitos econômicos desenvolvimentistas, como o apoio do Estado na industrialização e a crítica ao teto de gastos. Apesar de não ser filiado ao PT, tem relações com o partido há mais de dez anos, quando ajudou, em 2010, na construção do plano de governo de Aloizio Mercadante, atual presidente do BNDES.

Perfil

Galípolo é economista, foi CEO do Banco Fator de 2017 a 2021 e hoje é conselheiro da Fiesp, professor da UFRJ e pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Na política, ele trabalhou na Secretaria Estadual de Economia e Planejamento de São Paulo, durante o governo de José Serra, e ajudou a construir o plano de governo de Aloizio Mercadante. O economista é um crítico ferrenho das políticas de austeridade, que tanto têm sido cobradas pelo mercado. Para ele, o arrocho nas contas públicas, em vez de atrair dinheiro, acaba por apenas diminuir o emprego e a demanda.

Diferença entre ortodoxos e heterodoxos

Os economistas ortodoxos são aqueles que seguem a teoria neoclássica da economia. Esta abordagem se concentra na ideia de que as decisões econômicas são tomadas com base na maximização da utilidade e que os mercados são eficientes na alocação de recursos. Acreditam que o comportamento humano é racional e que as leis da oferta e da demanda regem o funcionamento da economia. Enfatizam a importância da estabilidade macroeconômica, incluindo a manutenção de baixa inflação e equilíbrio fiscal.

Os economistas heterodoxos propõem teorias alternativas, que muitas vezes questionam as premissas da economia neoclássica. Entre as teorias heterodoxas mais conhecidas estão a teoria marxista, a teoria keynesiana e a teoria da economia institucional. Esses economistas tendem a ser mais críticos em relação ao papel dos mercados na alocação de recursos, argumentando que muitos mercados não são eficientes e que a desigualdade econômica pode ser um problema significativo. Eles também tendem a enfatizar a importância de políticas governamentais e de regulação para garantir a estabilidade macroeconômica e a justiça social.

*com informações da Agência Brasil