Crise bilionária do Banco do Edir Macedo expõe riscos ao sistema financeiro, aponta revista
26 março 2026 às 15h47

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O Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, enfrenta uma das maiores crises recentes do setor bancário brasileiro. Segundo informações da revista Piauí, a instituição acumula um patrimônio líquido negativo de 8,5 bilhões de reais, situação que coloca em alerta investidores e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Apesar do rombo, o banco continua operando e captando recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), oferecidos a uma taxa de 125% do CDI. Esses títulos são distribuídos para pessoas físicas em plataformas como BTG Pactual e XP Investimentos, estratégia semelhante à adotada pelo Banco Master antes de sua própria crise.
As semelhanças não param por aí. O Digimais é acusado pelo fundo EXP1 de vender carteiras de crédito consignado com contratos sem lastro. O fundo afirma ter adquirido 55 mil contratos por 650 milhões de reais, mas descobriu que 22 mil deles eram falsos. Após a denúncia, o banco reconheceu a fraude e tentou oferecer novas carteiras, proposta rejeitada pelo fundo, que exigiu a devolução do valor investido.
Nos bastidores, circula a informação de que o BTG Pactual estaria em negociação avançada para adquirir o Digimais. O interesse do banco de investimentos remete ao caso do Master, quando buscava absorver apenas as carteiras saudáveis da instituição em crise. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o negócio.
O balanço do terceiro trimestre de 2025 reforça o cenário preocupante, o prejuízo líquido de 252,6 milhões de reais. Caso o Digimais não consiga se recuperar e venha a quebrar, o impacto para o FGC pode chegar a 8 bilhões de reais, cobrindo depósitos à vista e aplicações em CDBs de clientes.
A crise do Digimais expõe novamente a fragilidade de parte do sistema bancário brasileiro e levanta questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização e a segurança dos investidores diante de práticas fraudulentas.
O desfecho das negociações e a resposta das autoridades reguladoras serão determinantes para o futuro da instituição e para a confiança no mercado financeiro.
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