O preço do litro da gasolina comercializado em Goiás, com média de R$ 5,43, é R$ 0,07 mais caro do que a média nacional (R$ 5,36). O valor é um reflexo do preço do produto que chega aos dutos do Terminal de Senador Canedo. É o segundo maior valor entre os locais para onde o combustível é enviado no país através da Petrobras. 

A tabela dos preços praticados pela Petrobras, divulgados no site da estatal, mostra que o litro da gasolina enviado para o município goiano custa R$ 2,04, valor abaixo apenas do comercializado por Mato Grosso (R$ 2,14). O Estado de Minas Gerais (R$ 2,01) fecha o top três dos estados com o maior valor pago pela gasolina.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado (Sindiposto-GO), Márcio Andrade, não há explicações por parte da Petrobras em relação ao valor do produto, visto que há outros estados mais longínquos que compram o combustível por um valor menor, como São Paulo (R$ 1,94).

“Buscamos essa explicação, mas não sabemos. São só respostas genéricas. Isso faz com que Goiás perca competitividade, a gente acaba perdendo clientes que vão para outros estados”, afirmou.

Consumidor sofre 

O alto valor do combustível tem pesado no bolso do consumidor, principalmente dos que dependem de veículos para trabalhar. O empresário Eli José, de 61 anos, por exemplo, conta que gasta mais de R$ 100 de gasolina por dia. 

Passando o dia todo em frente ao volante para buscar serviços à empresa de pneus, Eli vê grande parte do lucro ficar nos postos de combustível na hora de abastecer. Ele conta que gastava, em média, R$ 250 por semana. Porém, hoje, o valor dobrou. 

“O meu trabalho é dirigir, tenho que ir para a rua buscar trabalho para manter a empresa, mas com o preço que a gasolina está não rende nada. O problema é que o lucro está ficando quase todo no combustível. Está muito caro, não dá pra andar à toa não. É do trabalho pra casa e da casa para o trabalho”, disse.

Distância e dólar 

O economista Luiz Carlos Ongaratto explica que a Petrobras possui quatro variáveis que atingem diretamente o preço final dos produtos, como o preço do dólar, do bário de petróleo no mercado internacional, a logística de trazer o petróleo para o Brasil e o seguro pago pela estatal para transportar o produto. 

Em relação ao preço nas bombas, o valor é aumentado devido ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) agregado ao produto, além dos impostos do governo federal e as despesas do posto, assim como o lucro do estabelecimento.

“A margem de lucro das revendedoras e a frota [de veículos] também podem contribuir. O mercado está disposto a ter uma margem maior, a pagar mais do que outros mercados mesmo que estejam muito próximos. Ou seja, tem todo esse componente mercadológico de oferta e demanda”, concluiu.