Com 1 milhão de admissões e 980 mil desligamentos em um ano, rotatividade pressiona empresas em Goiás, avalia especialista
24 março 2026 às 16h41

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O mercado de trabalho goiano vive um momento de intensa rotatividade. Em 2025, o estado registrou a criação de 5,7 mil novos empregos com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do saldo positivo, os números revelam um cenário desafiador, mais de 1 milhão de admissões e 980 mil desligamentos em apenas 12 meses.
Em entrevista ao Jornal Opção, Gabriel Parreira, diretor de produtos e novos negócios, aponta, nesta terça-feira, 24, que a alta rotatividade preocupa o setor produtivo, que enfrenta custos adicionais com recrutamento, seleção e treinamento, além de perda de produtividade. “Ao passo que a empresa tem que contratar, treinar e esperar a pessoa performar, leva tempo. O custo é alto para perder um colaborador e implantar outro, porque há um período de adaptação de três a quatro meses, em média”, explica.

Segundo ele, a intensidade da rotatividade varia conforme o segmento. “Alguns setores sofrem mais, como o de serviços, enquanto outros conseguem manter maior estabilidade. Mas, de forma geral, a retenção está diretamente ligada ao valor agregado que a empresa oferece ao colaborador”, afirma.
Nesse contexto, os benefícios corporativos têm se consolidado como estratégia para atrair e reter talentos. “Vale-alimentação, vale-refeição e auxílio combustível são os mais valorizados. São os queridinhos dos trabalhadores, porque impactam diretamente na qualidade de vida e no poder de compra”, destaca.
O executivo observa que o perfil dos profissionais também mudou. “Hoje temos um público cada vez mais jovem, que busca flexibilidade e liberdade na utilização dos benefícios. Os cartões corporativos, por exemplo, permitem maior autonomia e se diferenciam dos benefícios tradicionais, como o vale-transporte, que é obrigatório por lei”, explica.
Além dos benefícios, práticas de gestão de pessoas complementam a estratégia de retenção. “Planos de saúde, assistência odontológica e pacotes mais estruturados aumentam o valor percebido pelo trabalhador e reduzem a rotatividade. Quanto maior e mais bem estruturado o pacote, menor a chance de desligamento”, afirma.
Parreira ressalta que pequenas e médias empresas também têm adotado essas práticas. “Não existe quantidade mínima de vidas para conceder benefícios. É uma estratégia que vem sendo utilizada por empresas de todos os portes para atrair talentos”, diz.
Para os próximos anos, a tendência é de maior flexibilização. “As empresas precisam adaptar os benefícios ao estilo de vida dos colaboradores. O que faz sentido para um trabalhador casado pode não ser relevante para um solteiro. Essa personalização será cada vez mais necessária”, avalia.
Gabriel afirma que o risco de não acompanhar essa evolução é claro, o aumento da rotatividade e a perda de competitividade da empresa. “Se a empresa não se moderniza para atrair e reter talentos, ela será preterida por outras. Isso significa dificuldade para repor vagas e perda de lucratividade, já que sem colaboradores não há como atender a demanda e gerar receita”, conclui.
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