O Banco de Brasília (BRB) realizou a compra de R$ 30,4 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, segundo documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). E mesmo após detectar indícios de fraude nas operações, a instituição manteve as aquisições e ampliou sua exposição aos ativos de baixa qualidade. As informações são do Metrópoles.

As planilhas revelam que, além das compras diretas, o BRB recebeu outros R$ 10,8 bilhões em ativos por meio de “substituições”. Nesse mecanismo, carteiras consideradas podres eram devolvidas ao Master e trocadas por novos créditos, em especial da linha Credcesta, voltada a beneficiários do INSS.

Apesar de o Banco Central (BC) ter rejeitado, em setembro de 2025, a tentativa de aquisição do próprio Master pelo BRB, as transações continuaram até pouco antes da liquidação da instituição de Daniel Vorcaro.

Em março de 2025, o BRB identificou irregularidades em parte das carteiras adquiridas. Ainda assim, entre março e outubro daquele ano, o banco ampliou os negócios e comprou mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master. Um mês após a negativa do Banco Central, em outubro, o BRB ainda repassou R$ 1,9 bilhão ao Master.

As operações envolveram diferentes modalidades de crédito:

  • Varejo: 120 aquisições, principalmente consignados da Credcesta, além de PIX Crédito, parcelamento de faturas e empréstimos rotativos.
  • Atacado: Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), títulos de dívidas de empresas e até de uma pessoa física, Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.
  • Títulos e fundos: 44 aquisições de CDI, CRI e fundos diversos, somando R$ 8,1 bilhões. Metade desse valor correspondeu a substituições de carteiras problemáticas.

Em fevereiro de 2026, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que buscava compradores para todo o pacote adquirido do Master. O conjunto de ativos, que custou R$ 30,4 bilhões ao banco, foi avaliado em apenas R$ 21,9 bilhões, revelando uma perda potencial bilionária.

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