(Bloomberg) – A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, é atingida por altos volumes de saques à medida que traders buscam assumir a custódia de seus tokens, em meio a revelações de que a rival FTX pode ter usado indevidamente fundos de clientes antes de quebrar em novembro.

As saídas líquidas de tokens digitais da Binance totalizaram cerca de US$ 3,7 bilhões nos últimos sete dias, sendo quase US$ 2 bilhões nas últimas 24 horas, de acordo com dados da empresa de pesquisa Nansen até as 9h20 de Londres (6h20 de Brasília). O total de saques em um dia foi quase 18 vezes maior que o da Bitfinex, exchange cripto com o segundo maior volume em retiradas.

O fundador da Binance, Changpeng “CZ” Zhao, foi ao Twitter nos últimos dias para demonstrar confiança nas perspectivas para a empresa. Um porta-voz da Binance não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre os saques.

As retiradas em exchanges de ativos digitais são examinadas em meio à preocupação de que mais dominós possam cair na indústria cripto após a recuperação judicial da FTX e a prisão na segunda-feira de seu fundador, Sam Bankman-Fried. O império do ex-magnata implodiu com alegações de que recursos de clientes foram utilizados irregularmente, deixando em seu rastro mais de um milhão de credores e a confiança abalada no setor.

“Os fluxos ainda são relativamente baixos considerando as reservas da Binance”, disse Alex Svanevik, diretor-presidente da Nansen, em referência aos recentes saques na corretora. “Mas, considerando tudo o que aconteceu, não é de surpreender que muitos estejam escolhendo uma abordagem cautelosa.”

A SEC informou nesta terça-feira que Bankman-Fried é acusado de “orquestrar um esquema para fraudar investidores de capital na FTX”.

Embora uma formadora de mercado como a Jump rotineiramente movimente grandes somas para dentro e para fora das exchanges, “é atípico ver saídas tão constantes sem nenhuma entrada”, disse Svanevik.

Uma parte disso é a tentativa de tranquilizar investidores sobre suas reservas. Em novembro, a Binance compartilhou em um blog detalhes de endereços de carteiras de ativos digitais no valor de cerca de US$ 69 bilhões.

Na semana passada, a corretora cripto divulgou um relatório de comprovação de reservas. O documento, baseado em uma análise instantânea realizada pela firma de contabilidade Mazars, mostrou que a Binance possui criptoativos suficientes para equilibrar o total de passivos da plataforma.

Mas o relatório também reconhece suas limitações, já que não representa uma verdadeira auditoria de demonstrações financeiras que daria uma imagem mais clara da saúde geral da Binance.

Rombo de US$ 2 trilhões
A indústria cripto permanece atolada em uma profunda crise após a onda vendedora que eliminou US$ 2 trilhões em ativos digitais nos últimos 12 meses. A queda foi marcada por uma série de colapsos de empresas, sendo que o da FTX, que já foi avaliada em US$ 32 bilhões, talvez tenha sido o mais prejudicial.

A quebra da FTX pode ter sido acelerada pelo próprio CEO da Binance com um tuíte em 6 de novembro, no qual anunciou a intenção de vender sua posição de US$ 530 milhões em tokens nativos da rival.

A Binance consolidou seu status de maior exchange cripto na esteira dos destroços deixados pelo pedido de recuperação judicial da FTX em 11 de novembro. Seu volume médio diário de negociações na primeira semana de dezembro foi mais de oito vezes maior que o da vice-líder Coinbase Global. O número comparável na última semana de outubro foi cerca de sete vezes maior, segundo cálculos do provedor de informações de ativos digitais Kaiko.

No entanto, a Coinbase, que tem capital aberto, foi menos impactada por saques de criptomoedas de clientes, com saída líquida de US$ 546 milhões na última semana e um pequeno volume de depósitos nas últimas 24 horas, mostram os dados de Nansen.