Clássicos da literatura para crianças devem ganhar novas versões com cortes de termos considerados ofensivos. O selo infantil Puffin, da editora Penguin, vai editar as icônicas obras do britânico Roald Dahl, como “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Matilda”. A informação é do jornal The Telegraph. No Brasil, em 2020, a bisneta de Monteiro Lobato defendeu apagar o racismo de sua obra.

À época, Cléo Lobato lançou releitura do clássico do Sítio do Pica Pau Amarelo. “A Menina do Narizinho Arrebitado” trata com mais delicadeza a forma como a personagem Tia Nastácia fora retratada na obra, excluindo falas racistas.

De forma similar, esses clássicos internacionais vão substituir termos e diálogos que tratam temas como peso, saúde mental, violência de gênero e raça. Na obra “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, por exemplo, a frase “enormemente gordo” será trocada apenas para “enorme”. O mesmo vai ocorrer com “O fantástico sr. Raposo”.

Na primeira adaptação da obra com Willy Wonka, de 1971, os Oompa Loompas vão passar de “homens pequenos” para “pessoas pequenas”. No segundo filme, de 2005, “Bunce, o pequeno anão barrigudo” vai se tornar apenas Bunce.

A palavra “gordo” foi sistematicamente eliminada das edições de 2001 para 2022 de “O crocodilo enorme”, “James e o pêssego gigante”, “Os pestes” e “As bruxas”. Em “Matilda”, a descrição de Miss Trunchbull deixará de ser “fêmea mais formidável do mundo” e vai se tornar “mulher mais formidável”.

As mudanças são realizadas em parceria da Puffin com um porta-voz da Roald Dahl Story Company. Segundo ele, a ideia é garantir que histórias e personagens do escritor “continuem sendo apreciados por todas as crianças”.

“Ao publicar novas tiragens de livros escritos anos atrás, não é incomum revisar o idioma usado junto com a atualização de outros detalhes, incluindo a capa do livro e o layout da página. Nosso princípio orientador tem sido manter as histórias, os personagens e a irreverência e o espírito aguçado do texto original. Quaisquer alterações feitas foram pequenas e cuidadosamente consideradas”, argumenta.

Discussão

O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak criticou a alteração. E alguns estudiosos afirmam que uma solução melhor que a simples retirada de termos seja o entendimento de que houve uma evolução e aceitar as contradições de cada período histórico.

Monteiro Lobato, por exemplo, já muito atacado no passado sob pretexto de veicular ideias evolucionistas e socialistas, e mais recentemente tem sido acusado de racismo e banido de salas de aulas.