Quem nunca ouviu por aí que gato preto dá azar? Essa superstição é tão forte e antiga que muita gente acredita até hoje que só de passar perto do bichano sofrerá com falta de sorte. Os reflexos dessa crença são vistos no recente levantamento realizado pela Petlove, empresa voltada a produtos para animais domésticos, no qual foi demonstrado que os gatinhos são deixados de lado na hora das adoções.

Proprietária de uma Organização de Não-Governamental (ONG) de proteção aos animais, a vereadora Luciúla do Recanto (PSD) relembra que a trajetória negativa associada ao gato preto iniciou-se na Era Medieval. “A cor preta estava ligada às trevas e o gato preto estava relacionado à imagem do demônio. Costumava-se falar que os gatos pretos tinham alma ruim, que dentro deles habitava um espírito ruim e uma bruxa. Por isso, foram caçados e queimados juntos com as mulheres acusadas de bruxaria”, explicou ao Jornal Opção.

A representante da entidade ainda complementa que um fato medieval tem seus reflexos passados séculos. “Atualmente, em datas como sexta-feira 13 e Halloween (Dia das Bruxas) os gatos pretos correm muito perigo, pois além de serem vítimas de preconceitos, são alvos de superstições e rituais macabros que culminam em sua morte e/ou muito sofrimento. Este é um paradigma irracional que precisa urgentemente ser repensado. Gatos são criaturas amorosas e companheiras que só sabem fazer amor, independentemente da cor de seus pelos”.

A ONG não abre para adoções em sextas-feiras 13, nem na semana seguinte à data, em Halloween ou feriados religiosos. “A melhor forma de evitar problemas é não doar gatos pretos nas semanas onde há sextas-feiras 13 ou antes do dia 31 de outubro, conhecido como o Dia das Bruxas ou Halloween”.

É crime “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, com detenção de três meses a um ano como pena, além de multa. É o que diz a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/98). Ela alerta que em caso de violência, o agressor deve ser denunciado. “Não basta denunciar, precisa flagrar os maus tratos. Em seguida, denunciar para a Delegacia de Meio Ambiente (Dema).