Aos 78 anos, Terezinha Valim de Souza conquistou o diploma do 5⁰ ano do Ensino Fundamental. Acometida com Alzheimer há seis anos, ela recebeu aulas em casa através do polo da Escola Municipal Mather Isabel da Rede Municipal de Ensino de Caldas Novas.

Luciana Valim, filha da Dona Terezinha, afirma que o sentimento hoje é de gratidão. “Não é fácil, tem dias que ela está bem, lúcida, têm dias que não, mas é muito gratificante ver a evolução dela. Acredito que se ela não estivesse estudando, estava acamada”, falou emocionada. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 55 milhões de pessoas vivam com algum tipo de demência, sendo a mais comum a doença de Alzheimer, que atinge sete entre dez indivíduos em todo o mundo.  Apenas no Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que em torno de 1,2 milhão de pessoas têm a doença e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano.

Educação pode auxiliar no combate ao Alzheimer

Estudos mostram, com base nas análises da neurologista Elisa Resende e de seu time de pesquisadores, que a educação tende a ser uma das protagonistas no combate a essa doença. Todas as evidências coletadas nas análises apontam-na como uma ferramenta eficiente. A educação parece expandir os horizontes quando se fala de demência e Alzheimer. Com ela, boa parte da qualidade de vida do paciente pode ser prolongada, e o impacto sobre seus familiares e outras pessoas próximas tende a ser menor.

A coordenadora do projeto da Rede Municipal de Ensino de Caldas Novas, Nely Gonçalves, explica que com o passar do tempo, ela não conseguia mais estar em sala de aula com os demais alunos. “Como sabemos que a educação é uma grande aliada no combate e tratamento dessa doença, decidimos que Dona Terezinha teria aulas em casa, com atividade lúdicas, trabalho com jornais e demais projetos que ajudam a retardar os sintomas do Alzheimer”, explicou ela.