O pastor que atacou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, instalada na entrada de Bastos, no interior de São Paulo, se desculpou com a comunidade católica em uma carta pública. Sérgio Fernandes havia dito que a a imagem era um “satanás fantasiado de azul” durante um culto no último domingo, 1. Após a repercurssão negativa da fala, ele se pronunciou nesta quarta-feira, 4, por meio de uma carta (confira ao final).

Líder na igreja Vida Nova, o pastor se disse “indignado com usarem dinheiro público” na escultura. No vídeo, Sérgio Fernandes diz que não irá aceitar a permanência da imagem de Nossa Senhora no local. “[Ela] só traz maldição para a nossa cidade. Aquilo lá é ponto de contato com o inferno(…) Todo espírito de idolatria não vai ficar aqui, eu não aceito”, disse.

O pastor afirmou que até entenderia uma homenagem à comunidade japonesa, vasta no município. Mas não o ícone católico. “Colocaram uma imagem de escultura na entrada da nossa cidade que não nos representa. Não tem nada a ver com a gente”, disse em sua pregação.

O prefeito de Bastos, Manoel Rosa (MDB), reagiu à fala do líder religioso. “Não precisava polêmica nenhuma diante de uma situação pra nós tão normal”, afirma, apontando que a maioria dos municípios brasileiros “têm homenagens aos santos, a Jesus Cristo, ao Espírito Santo”.

Estátua de Nossa Senhora Aparecida na entrada de Bastos (SP). | Foto: Divulgação

A estátua que incomodou Fernandes foi colocada num gramado bastense na semana passada. Rosa diz que alguns evangélicos, reclamando que até há uma praça da Bíblia na cidade, porém pequena demais, propuseram um tributo ao livro sagrado do cristianismo.

E de fato o pedido foi atendido: além de Aparecida, há na chegada a Bastos a escultura de uma Bíblia e de uma pomba branca, representação do Espírito Santo. “Tentamos fazer o melhor possível num espaço ecumênico por entendermos que as religiões podem e devem conviver pacificamente”, afirma o prefeito. Ele ressalta ter sofrido ameaças judiciais em razão da imagem católica.

A Diocese de Marília, que é responsável pelas paróquias de Bastos, também se manifestou após a repercussão do caso nas redes sociais e se disse consternada com os ataques, mas reiterou o respeito a todas as manifestações de fé e religiosas.

Carta de retratação