Nas redes sociais, em especial na plataforma X (antigo Twitter), tem ocorrido um aumento na visibilidade de pessoas autodenominadas “nullos”. Esses indivíduos buscam passar por uma modificação corporal extrema que envolve a remoção dos genitais com os quais nasceram, sem a substituição por outros órgãos, como é comum em pessoas transgênero.

O objetivo desse procedimento é atingir uma aparência “lisa” ou “smooth,” como eles descrevem em inglês, com apenas pequenas aberturas para a uretra e sem órgãos sexuais externos visíveis, buscando uma representação de gênero neutro. Essa cirurgia é controversa e pouco difundida, o que resulta em poucos médicos especializados que a realizam e a divulgam publicamente.

Esse fenômeno está ganhando atenção nas redes sociais, onde as pessoas compartilham suas experiências e buscam apoio dentro da comunidade “nullo.” A falta de conhecimento público sobre essa prática e a natureza única da cirurgia geram discussões e debates em torno de questões de identidade de gênero e liberdade de escolha.

No continente americano, só um médico realiza o procedimento abertamente, o urologista mexicano Iván Aguilar. A cirurgia funciona de duas formas diferentes, a depender do gênero que será anulado. O procedimento dura no máximo duas horas, mas em mulheres pode ser mais rápido, concluído em 1h30.

Em homens, é feito um corte no períneo que permite retirar todo o cordão espermático e os testículos. O saco escrotal é removido e se separa a uretra do pênis. O corpo cavernoso do pênis é ressecado e retirado, mantendo-se apenas uma abertura pequena para a uretra. A depender da preferência do paciente, pode-se manter a glande do pênis.

Nas mulheres, a maioria das pacientes já retirou previamente o útero e os ovários. O médico localiza o clítoris e o disseca até a sua base; os lábios da vagina são retirados e se costura a antiga abertura, mantendo apenas a saída da uretra.