Cartas do parlamentar do PSD, como se fossem de Pedro Ludovico, foram enviadas aos eleitores sugerindo que votassem nele

O falecido ex-deputado federal por Goiás, o baiano Anísio Rocha, conquistou muitos votos com alguma malandragem.

Uma delas era a seguinte: ele combinava remunerar o cabo eleitoral por determinado valor. Pagava com dinheiro vivo, mas as cédulas cortadas ao meio. Depois da eleição, se a votação correspondesse ao combinado, entregava o restante.

Mas a maior malandragem de Anísio Rocha foi, na eleição de 1958. Mauro Borges, filho do maior chefe político goiano, Pedro Ludovico, era candidato a deputado federal. Anísio escolheu os nomes de alguns chefes políticos que obedeciam a Pedro, no interior, enviando a eles telegramas, dizendo que poderiam votar em Anísio, pois Mauro já tinha votos mais do que suficientes. Os telegramas eram assinados “por” Pedro Ludovico. O então governador José Ludovico de Almeida — Juca Ludovico — não aprovou a conduta do correligionário.

Anísio Rocha, muito bem votado, foi eleito. Mais tarde, mesmo filiado ao MDB, apoiou o general Costa e Silva para presidente.

O político morreu, em 2014, aos 90 anos de idade, no Rio de Janeiro. Entretanto, já não tinha mais militância política.