Talmon Pinheiro Lima

A coluna “Bastidores” (Jor­nal Opção 2066), ao se referir à crise institucional e financeira na OAB goiana, trouxe a seguinte nota: “A oposição ao presidente Enil Filho não está preocupada com dívidas coisa alguma. Está muito mais interessada é na disputa pela sucessão, no fim deste ano. Daí a articulação de cartas e artigos em jornais, com inocentes úteis sendo manipulados por ‘atletas do oportunismo’.”

Pode deduzir-se que o autor dessa nota deva ser alguém querendo agradar à atual gestão ou que não possui a dimensão da grave crise que afeta a nossa OAB. Somente esses fatores podem respaldar o teor dessa nota, visto que quem a elaborou, desacreditou os advogados no geral, independente de serem situação ou oposição, visto que estamos todos indignados e perplexos com o rombo na Seccional, algo inédito e que era desconhecido pela maioria esmagadora da classe.

A nota em si, de conteúdo tendencioso e pueril, imprópria para esse conceituado jornal, tentou fazer ilações disparatadas de que um setor da classe — a dita oposição — estaria manipulando inocentes úteis após “plantar” notinhas e artigos na mídia e faturar em cima do acontecido, e que se comportaria como “atletas do oportunismo”, conceito este absolutamente incompreensível, porque não se tem a menor ideia do significado dessa expressão. Certa­mente, compõe o vocabulário indecifrável de quem a cunhou.

A classe toda, sim, está indignada com o rombo e a falta de transparência da atual diretoria. Essa crise dominou o noticiário da mídia goiana e foi provocada justamente pelos atuais dirigentes, que tentam e não conseguem explicar os motivos de se contraírem empréstimos vultosos, alguns sem conhecimento e autorização do conselho, e até de membros da diretoria, conforme reconheceu o então vice-presidente dr. Sebastião Macalé, que, ocupando a presidência interina, declarou que desconhecia alguns dos débitos e que foi o primeiro a denunciar a gravidade da situação. Essa talvez tenha sido a razão do preterimento do nome dele — que seria o natural — na eleição do novo presidente — e certamente a causa de sua renúncia ocorrida durante a semana.

Ao contrário do que alude a nota, ninguém está se regozijando da crise. Estamos sim, preocupados. Membros do atual conselho e que pertencem ao grupo de situação, vieram a público cobrar satisfações da diretoria, exigindo que o novo presidente faça a prestação integral de contas da instituição a todos os advogados, notadamente aquelas relativas a esses empréstimos nebulosos, enquanto outros conselheiros afirmaram em sessão plenária, que aquele colegiado não teria autorizado alguns desses empréstimos. Ainda, o novo presidente concedeu entrevista e admitiu que somente o empréstimo bancário em 2012 fora aprovado, e que os outros dois em­prés­timos, em 2013 e 2014, fo­ram aprovados via proposta orçamentária, à revelia do conselho, numa manobra tida por ele próprio (presidente) como discutível.

A gênese de toda essa crise é suficientemente conhecida. O ex-presidente, dr. Henrique Tibúrcio, no intuito de atender seus projetos político-partidários, utilizou a OAB como trampolim, endividando-a; agora, com seu objetivo alcançado, renunciou e deixou a entidade ao deus-dará; enquanto isso, nós, advogados, que pagamos a anuidade mais cara do Brasil, estamos temerosos de que essas contas acabem sobrando para todos.

Talmon Pinheiro Lima é advogado.

 

“Pessoas como Altair Sales deveriam ser valorizadas por sua sabedoria”

Marcelo Tadashi Okamura

Parabéns, professor Altair Sales Barbosa, acredito que todos deveriam ler esta matéria (“O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água”, Jornal Op­ção 2048). Sou de Mato Grosso e aqui o agronegócio manda na política. Eu me sinto um boi na fila do matadouro, mas, até chegar no fim da linha, vou fazendo barulho ao menos para despertar alguma atenção. Pessoas como o sr. deveriam ser valorizadas pela sabedoria e entendimento da ciência. O capital não deveria vê-lo como ameaça aos seus lucros, mas como um auxiliar na perpetuação da riqueza que a natureza nos proporciona. Não é preciso ser cientista para ver que algo está errado, mas suas explicações são bastante claras e convincentes para não deixar dúvidas a qualquer argumento financiado pelos interesses das empresas.

Marcelo Tadashi Okamura é artista.
E-mail: [email protected]

 

“É possível recuperar o Cerrado”

Lorene Figueiredo

Eu sei que o professor tem razão. Mas toda vez que essa dor imensa e o medo aterrorizante da impotência me assola (como ao ler esta matéria-entrevista), me lembro da Floresta da Tijuca. A maior floresta urbana do mundo é artificial. Foi toda plantada por um tenente e seu escravo, após o esgotamento do solo da então fazenda de café. A vontade (sem conhecimento científico) de dois homens e aquela floresta venceram a monocultura. É possível recuperar o Cerrado. É possível recuperar o mundo. Vamos em frente, pois não temos nada a perder, não mais.

E-mail: [email protected]