João Paulo Lopes Tito*

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Quando eu vi que estava em pré-venda um novo disco de David Bowie, “Blackstar”, fiquei empolgadíssimo! Até porque o anterior, “The Next Day”, de 2013, foi considerado por muitos como o disco do ano (e foi mesmo). Então, “Blackstar” era mais uma prova de seu renascimento depois de anos longe da mídia, dos palcos e dos estúdios.

E me bateu certa decepção quando vi que o álbum só tinha sete músicas. Poxa, mas só isso, Bowie? Pelo mesmo valor das 14 de 2013? Mercenário. Só vou pagar porque é você.
Comprei, ouvi. Sinistro. Denso. Saxofones soando como violinos. Gaitas como corvos. Triste, agonizante. Misterioso. O que não é nenhuma surpresa em se tratando de David Bowie.
E depois vi o clipe de “Lazarus”. O cara que morre e é ressuscitado por Jesus quatro dias depois. E dois dias depois do lançamento (e de seu aniversário de 69 anos), Bowie se vai. Em silêncio, discreto como sempre, elegante, imprevisível.

Aquelas sete músicas, de início poucas, caras, tomaram um valor totalmente diferente. O disco mudou completamente de significado – aliás, muito provavelmente o seu significado verdadeiro. Um último sinal de vida, um abraço aos fãs, o último resquício de luz no olho do buraco negro. Que bom poder ter mais sete músicas inéditas para curtir e, diante da partida dele, decifrar. Sua última mensagem. “Major Bowie to ground control”. O Starman, agora, Blackstar. De qualquer forma, Estrela. Genial até na morte.

*João Paulo Lopes Tito é assessor jurídico no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).

 

“Substituir a vegetação de Cerrado por lavouras exige cota de responsabilidade”

Pedro Freitas

Em relação à entrevista intitulada “O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água” (Jornal Opção 2048), tenho a dizer que considero o professor Altair Sales Barbosa, sem dúvida, um dos maiores estudiosos do assunto. Sua opinião, como sempre, é muito pertinente para o momento que vivemos. O Cerrado é o berço de águas do Brasil e sua ocupação, sem critérios, implica, sim, em alterações no regime hídrico que prejudicam o fornecimento de água potável nas cidades, a disponibilidade de água para a produção de alimentos, com ou sem irrigação, as atividades agroindustriais e, no final, a qualidade de vida de humanos, animais e de toda a flora.

Substituir a vegetação natural de cerrado por lavouras e pastagens exige uma cota de responsabilidade de quem autoriza, o governo, e de quem executa, os empresários rurais. Existem tecnologias que proporcionam manter a capacidade de captação de água e recarga de aquíferos próximas à da vegetação nativa.

O uso dessas tecnologias não faz parte de políticas públicas ou de recomendações agronômicas quando se trata da produção de alimentos, fibras e matérias-primas. O exemplo mais marcante é o entendimento dos princípios básicos do sistema plantio direto, os quais, uma vez respeitados, aumentam a infiltração de água no solo e a promovem a recarga plena de aquíferos.