A profissão de Serviço Social tem mais de 80 anos no Brasil. É uma categoria formada por mais de 200 mil assistentes sociais (7 mil em Goiás), 90% mulheres trabalhadoras

Laurita Bomdespacho

Especial para o Jornal Opção

A profissão de Serviço Social tem mais de 80 anos no Brasil. É uma categoria formada por mais de 200 mil assistentes sociais (7 mil em Goiás), 90% mulheres trabalhadoras em sua diversidade e singularidade. Somos negras, indígenas, brancas, quilombolas, periféricas, com deficiências, lésbicas, bissexuais, cis e trans, das cidades e do campo.  Somos profissionais comprometidas/os com as agendas de política social que afetam diretamente toda a classe trabalhadora, no processo organizativo e reflexivo, problematizando as questões que afetam os acessos aos direitos sociais.

Essa singularidade, em sua diversidade e complexidade, é expressada na frase “Trabalhadoras do Brasil: somos e lutamos com elas”, tema deste ano do conjunto que reúne nosso conselho federal (CFESS) e os conselhos regionais (CRESS) do país, nas celebrações do 15 de maio, Dia da/o Assistente Social. Por sermos e lutarmos juntas, em nosso trabalho realizamos a mediação e o atendimento numa perspectiva da emancipação humana. Contribuimos para evidenciar as necessidades, anseios e potencialidades da população, reafirmando a defesa da sua participação direta nas decisões políticas que repercutem nos rumos e no cotidiano de suas vidas. Na vida das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, buscando a superação das desigualdades.

Tanto os espaços profissionais, quanto os socio-ocupacionais tradicionais, como saúde, assistência social e previdência, sofreram reveses, especialmente a partir dos governos Temer e Bolsonaro. Isso ampliou as demandas, a abrangência do seu público, as modalidades de intervenção e o conteúdo/racionalização do trabalho profissional da/o assistente social. Na pandemia estivemos na linha de frente atendendo usuários do Sistime Único de Assistência Social (SUAS) dos mais diversos espaços para que as pessoas tivessem as informações devidas sobre o acesso aos seus direitos constitucionais.

Um princípio nos move como profissionais: a defesa intransigente dos direitos. Nesse sentido, produzimos conhecimentos adensados em diversas áreas, nos mobilizamos e lutamos por várias causas, entre elas pela implementação da Lei nº 13.935/2019, nos articulando com entidades e instituições como o Conselho Federal de Serviço Social, o Conselho Federal de Psicologia, legislativos e executivos municipais, estaduais e até o federal, pela garantia da presença de profissionais da Psicologia e do Serviço Social nas escolas; pelo atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade social, nos hospitais, nas defensorias públicas, nas universidades, nos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS, em Centros Especializados de Assistência Social – CREAS, entre outros espaços sócio-ocupacionais.

Neste Maio da/o Assistente Social reafirmamos nosso compromisso e protagonismo na busca pela construção de uma unidade por justiça social, no enfrentamento de toda forma de opressão, discriminação, contra o desemprego e a violência, especialmente neste momento de profunda regressão dos direitos sociais, políticos e civis. E convidamos cada profissional e acadêmico de Serviço Social a participar do Maio da/o Assistente Social realizado pelo CRESS Goiás em parceria com o CFESS, UFG, PUC Goiás, FacUnicamps, NUCRESS, com apoio da ABEPSS e ENESSO.

O Estado Democrático de Direito está sob ameaça de retrocessos golpistas, de caráter ultraliberal, ultraconservador e moralista. Na atual conjuntura, de ameaça às liberdades democráticas e de ataques aos direitos trabalhistas e sociais, é preciso destacar a contribuição da categoria de assistentes sociais, não só no atendimento às demandas imediatas da população usuária, mas também no diálogo e no trabalho de base com cidadãs e cidadãos que no dia-a-dia, de sol-a-sol, construímos a nossa nação brasileira.

Nossa luta é anticapitalista, antirracista, pelo fortalecimento da democracia e por justiça para todase todos, especialmente os excluídos da cidadania.

Laurita Bomdespacho é assistente social da UFCAT, Conselheira Fiscal do Conselho Regional de Serviço Social 19ª Região – Goiás e doutoranda em Serviço Social pela UNESP.