Cooperar significa atuar juntamente com outros para um mesmo fim, contribuir com trabalho, esforços, auxílio. Colaborar. Tradicionalmente, a pesquisa em teoria dos jogos – o estudo da tomada de decisão estratégica – foca se um jogador racional deveria cooperar em uma interação pontual ou em procurar as “soluções vencedoras” individualmente.

Em uma conversa sobre isso – cooperação ou não cooperação – surgiu uma dúvida: porque alguns incentivos com boas intenções podem inadvertidamente levar a um comportamento menos cooperativo do que a um mais cooperativo? Qual é o momento exato que aquela boa intenção pode simplesmente degringolar?

O problema é que existe um número quase infinito de estratégias potenciais e os retornos do jogo estão mudando constantemente. Desta forma, podemos sempre aprender melhor como incentivar as pessoas a cooperar, seja definindo a mesada que damos às crianças para fazer tarefas, recompensando o trabalho em equipe na escola, no trabalho ou até mesmo como tributamos para pagar benefícios públicos, como saúde e educação.

É preciso voltar e estudar como funciona a cooperação. A teoria dos jogos, desenvolvida pela primeira vez na década de 1930, é uma ferramenta para isso. De certa forma, suas origens remontam a Platão. Imagine a situação mais simples possível: jogadores tem uma escolha: cooperar ou não. Dependendo de sua própria escolha e da escolha de seu oponente, cada um recebe uma “recompensa” ou a quantidade de benefício que obtém da interação.

O exemplo mais famoso desse jogo é o dilema do prisioneiro. Resumidamente, dois bandidos são trancados em confinamento solitário e cada um recebe uma oferta: trair o outro e sair em liberdade, enquanto o parceiro pega três anos de prisão ou ficar calado e os dois cumprem apenas um ano. Agora, se ambos delatarem cada um pega dois anos. O que você faria?

Uma pessoa puramente racional – novamente jogando o jogo apenas uma vez – deve escolher trair o outro na esperança de ficar livre. Mas, o resultado final se ambos se comportarem assim é que os dois acabam pegando dois anos na cadeia. Então, seria melhor que eles cooperassem e, neste caso, ficassem em silêncio (dando a cada um deles uma sentença de um ano). Só que as relações sociais não são tão simples – importante aqui sempre lembrar que todas as relações são relações políticas. Existe sempre um fluxo de experiências anteriores que fatalmente acabam influenciando as ações individuais.

O ponto positivo disso tudo é que na verdade, em longo prazo, nenhum comportamento (cooperar ou trair) domina para sempre. Para exemplificar isso, a frase que adotei e uso sempre é: raivas não duram para sempre.

A cooperação parece ser a regra da sobrevivência em sociedade, ainda que a rotatividade entre cooperadores e desertores possa ser inevitável. No entanto, isso depende de manter fixos os custos e benefícios da cooperação. E, em geral, eles não são.

Normalmente, custos, benefícios e recompensas variam juntos. E, quanto mais as pessoas se esforçam para cooperar, maiores são as recompensas que obtêm da interação, certo? Isso pode parecer uma coisa boa – membros de uma equipe não apenas cooperando, mas indo além para obter os melhores resultados possíveis. Infelizmente, uma vez que estratégias, os custos e benefícios começam a evoluir juntos, algo contraintuitivo começa a acontecer: a cooperação começa a entrar em colapso. Isso porque na complexidade das interações humanas alguém sempre acaba sentindo que os custos podem ficar altos demais.