Desde que invasores atacaram sedes dos três poderes em Brasília, no início de janeiro, diferentes veículos de mídia trataram os envolvidos por diversas formas. De manifestantes democráticos – por parte de quem se identifica (ao menos em parte) com o movimento – a terroristas – para os menos tolerantes, chegamos agora na fase de usar “bolsonaristas radicais” para distinguir o grupo. A escolha é absurda.

A essa altura do campeonato, considerar que ainda há bolsonaristas não radicais é total delírio. É claro que há eleitores de Jair Bolsonaro que não compactuam com terrorismo, depredação ou ataques antidemocráticos. Muitos deles se associaram à campanha do ex-presidente especialmente por oposição a Lula e podem continuar na mesma linha.

Também é claro que há uma série de motivos para se opor ao alinhamento político e às alternativas propostas pelo novo presidente ao país. O antipetismo ou antilulismo pode viver numa série de correntes políticas. A escolha de fazer oposição é justa e, inclusive, necessária para uma boa construção de democracia; mas a escolha de se associar a um movimento que deixou a barbárie escancarada, é o total oposto disso.

Se o bolsonarismo foi exposto como um movimento golpista e covarde – que tipo de liderança política abandona seu movimento em fuga para outro país? – não há como se falar em golpistas menos radicais. Não existe o caminho do golpe moderado; ou é golpe ou não é. Não há invasão do Supremo Tribunal Federal, Planalto ou Congresso Nacional que possa ser menos radical ou moderado.

Falar em bolsonarismo radical é considerar a existência de um bolsonarismo moderado, ou seja, um delírio. Evidentemente, nem todo bolsonarista é terrorista, mas todos são radicais.

Desde que se apresentou como opção no cenário político nacional, Bolsonaro se guiou por discursos radicais. Sua plataforma foi de propostas radicais, ataques radicais e escolhas de palavras radicais. Ora, não foi isso que o destacou e colocou como opção de tantos brasileiros? Não foi seu posicionamento radical que levou a uma idolatria quase cultista? (E olha que estou sendo sendo gentil na escolha desse ‘quase’…)

Não sei há quem interessa minimizar a violência de um movimento extremista que utilizou do nome do ex-presidente do Brasil – com ou sem sua anuência, deixo a interpretação para o leitor. Cabe aos eleitores que se associaram à campanha bolsonarista, a busca por um novo movimento político.

Existe sim oposição moderada. Existe direita moderada, liberalismo moderado, conservadorismo moderado. Há uma série de correntes moderadas que se opõem às principais diretrizes do governo Lula, sem guias pautadas em destruição, eliminação de oposição e ataques violentos.