Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Vacinação provoca onda de alívio nas internações em Goiás

Pandemia não chegou ao fim, mas cenário é mais otimista e reforça que a vacina é a porta de saída para crise

A redução das internações hospitalares provocadas pela Covid-19 é uma realidade em Goiás e na maioria dos estados brasileiros. Olhamos para os números relacionados à propagação da doença e começamos a ver aquilo que desejamos há mais de um ano e meio: o fim da pandemia. Já conseguimos vislumbrar uma luz no fim do túnel, que significa o controle do coronavírus. Chega de falar em picos da doença. É hora de acertarmos a mão no avanço da vacinação e registrar a primeira onda de alívio no registro de casos e internações.

Nos últimos oito meses  enfrentamos  problemas na campanha de vacinação, discordância sobre que doses comprar, como distribuir e quem priorizar, enquanto milhares de vidas seguiam se perdendo para o avanço da Covid. A imunização no nosso país provocou sim uma descrença. Muitos nem sequer acreditavam que a chave que abre a porta de saída da crise é a dose da vacina.  Mas está aí, comprovado por números e vidas, que a queda nos indicadores de gravidade observadas nas últimas semanas soam animadoras graças à vacinação. 

De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgados na última semana, mais de 90% dos estados e 85% das capitais brasileiras estão fora da zona de alerta (abaixo de 60%) nas taxas de ocupação de leitos de UTI COVID-19 para adultos no SUS. O indicador reflete, por mais uma semana consecutiva, a tendência geral de redução da incidência de casos graves, internações e mortalidade pela doença no Brasil, vista como efeito especialmente da vacinação.

Com quase 4,5 milhões de doses aplicadas em goianos, já é possível sentir os efeitos desse avanço positivo. Em Goiás foi registrado, na última semana, uma taxa de ocupação de 51% para leitos de UTI Covid-19. Um grande alívio quando comparado com o os meses de março e abril, quando a curva de contaminação ascendente fez com que os leitos chegassem a ocupação de 99%. Uma situação crítica. 

A redução simultânea e proporcional desses indicadores demonstra que a campanha de vacinação está atingindo o objetivo de proteger a população do impacto da doença. Os especialistas reforçam a necessidade de interrupção de cadeias de transmissão por meio do avanço das campanhas de imunização. Esse objetivo, porém, só será alcançado com a ampliação da cobertura vacinal até novos grupos, incluindo adolescentes entre 12 e 17 anos, e da dose de reforço para idosos, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos.

Outro indício dessa onda de alívio é o Mapa de Classificação de Risco da Secretaria Estadual de Saúde. Pela primeira vez em quase sete meses, nenhuma regional de saúde está em situação de calamidade. Das 18 regionais, 16 estão em alerta, o cenário mais brando da epidemia.

Os registros de mortes por covid-19 realizados pelas secretarias estaduais da Saúde e compilados pelo consórcio de veículos da imprensa também ajudam a compor o arrefecimento: já são ao menos 13 dias de queda na média móvel de novas mortes.

Até o momento, o Brasil vacinou cerca de 45% da população adulta com uma dose e 16% com as duas doses necessárias para garantir a eficácia, segundo relatório da Fiocruz. A ciência estima que é necessário que ao menos 70% da população esteja com o esquema vacinal completo para conferir uma imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho.

O avanço da vacinação renova a esperança em todos. Isso é fato quando se fala em saúde. Mas não podemos esquecer que ainda esperamos por melhoras  na economia e na qualidade de vida dos brasileiros. Nas últimas semanas, acompanhamos notícias que demonstram que o desemprego e, principalmente, a fome estão cada vez mais presentes nas casas das famílias brasileiras. A esperança obviamente deve se sobressair em relação ao medo do futuro. Por outro lado, é inegável o efeito positivo de saber que há menos pessoas sucumbindo a Covid-19. Assim, as pessoas até já começaram a respirar aliviadas – mas ainda com máscaras.

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