Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

União de governos pela vacina é demonstração de empatia pela vida

O mérito da iniciativa está em somar esforços junto ao SUS para acelerar o processo de vacinação no País

Empatia. Essa deveria ser a palavra-chave para toda e qualquer ação que se coloque necessária para o enfrentamento a Covid-19. Afinal, estamos todos na mesma pandemia, não caberia nenhum ato de individualismo ou de favorecimento a uma parcela da população em detrimento de outra. Assim, me parece acertada a decisão de estados e municípios entrarem no circuito disputadíssimo para aquisição de vacinas contra a doença. A medida é ainda mais plausível quando há o interesse em  fortalecer o Plano Nacional de Imunização.

Na última quinta-feira, 25, o Brasil registrou 1.582 novas mortes por Covid-19 – o maior número de óbitos desde o começo da pandemia. Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não referiu-se a situação alarmante –  demonstração de falta de empatia. Ao invés disso, optou por questionar o uso de máscaras e o isolamento social.

Enquanto o presidente focava no negacionismo clássico de sua parte, estados e municípios buscavam formas de comprar vacinas e salvar mais vidas. A Assembleia Legislativa de Goiás concedeu a autorização definitiva ao governo estadual para abertura de crédito extraordinário de R$ 60 milhões. O montante será destinado para aquisição de pelo menos um milhão de vacinas contra a Covid-19.

Não podemos nos iludir que o Estado terá condições de comprar vacinas para todos os goianos. A aquisição também não será de forma imediata e totalitária – provavelmente virá em lotes separados. Ainda assim é assertiva a atitude do governador Ronaldo Caiado (DEM) em não ficar de braços cruzados, e pensar em alternativas para ampliar a imunização. Trabalhar pela compra de vacinas, que serão redistribuídas de forma igualitária entre estados é demonstração empatia, a mesma que Goiás provou ao abrir as portas e receber os brasileiros repatriados de Wuhan e ao ceder UTIs para amazonenses que sofriam com colapso em seus hospitais. 

“O que o STF diz: o Estado pode comprar. Quer dizer que o estado rico poderia comprar mais? Aí o Estado mais pobre vai ficar vendo o mais rico ser vacinado? Não. Eu jamais quebrarei o Plano Nacional de Imunização. Se Goiás comprar um milhão de doses, nós goianos teremos o direito de 3,33% destes um milhão de doses, porque nós temos 7,2 milhões de habitantes. O resto vai ser distribuído igualitariamente entre os estados”, disse o governo ao explicar como deverá ser o caminho seguido por Goiás.  

A medida, claro, se faz necessária. Afinal o governo federal, que comanda o reconhecido Programa Nacional de Imunizações, não tem demonstrado firmeza no comando frente à vacinação. Se o Ministério da Saúde fizesse a obrigação de comprar as doses de vacinas para imunizar o País, os governadores e prefeitos poderiam estar focados em outros pontos do enfrentamento a Covid –  o lado social, por exemplo. Como o Planalto não consegue coordenar de forma eficiente a vacinação, os municípios e estados lançam mão dos meios que possuem para negociar a compra das vacinas –  levando em conta a eficiência comprovada e não a marca impressa na bula ou de qual país ela é importada.

Chamar a responsabilidade para si, faz com que os governadores e prefeitos contribuam para que o País tenha mais doses disponíveis. O resultado disso, é logicamente a imunização mais rápida. E o quando antes isso acontecer, haverá condições de canalizar todo o empenho para retomada econômica e social no Brasil. É o que todo brasileiro espera.

Ao adquirir as vacinas, governadores e prefeitos sabem que não devem quebrar o Plano Nacional de Imunização. O mérito da iniciativa está em somar esforços junto ao SUS para acelerar o processo de vacinação no país. Essa é a demonstração de empatia. Estados com dificuldades financeiras e estados com dinheiro em caixa têm direito ao seu percentual de doses de acordo com o número de sua população, sem que os governantes olhem apenas para o favorecimento próprio. Do contrário, o vírus não deixará de circular. Haverá buracos de vacinação em alguns estados, o que contraria todos princípios da imunização. Além de estimular o chamado turismo de vacina – pessoas indo para outros estados em busca de doses, provocando caos no sistema.

É consenso que apenas uma massiva e rápida campanha de vacinação – como só o SUS tem experiência em fazer – pode frear a circulação do vírus e impedir o crescimento desenfreado das internações e mortes por covid-19. Usar a força de estados e prefeituras para compra das vacinas, e também pressionar o governo federal, para, quem sabe, até o fim do ano tenhamos 60% da população imunizada, eliminando riscos de colapsos na saúde.

A pandemia expôs o que de melhor possui a humanidade. Entre os goianos há muitas histórias de altruísmo, que devemos enaltecer. Precisamos seguir neste rumo. Mais doses de empatia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.