Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

“Sessão de cinema” empurra o Brasil mais alguns metros em direção ao fundo do poço

Em vídeo de reunião ministerial exibido para advogados e investigadores, Jair Bolsonaro vincula a mudança na PF do Rio a interesses da família

Bolsonaro e Moro: rompimento abriu nova crise política no Brasil | Fotos: Agência Brasil

Eleito com o discurso de moralização da política, fim da mamata e do troca-troca, o presidente Jair Bolsonaro está, agora, no momento mais delicado desde que assumiu o cargo. A se confirmar os relatos de que, em uma reunião ministerial em 22 de abril, ele explicitamente vinculou a mudança no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro à segurança da própria família, o presidente terá definitivamente pisado em terreno pantanoso – que pode lhe implicar em crime de responsabilidade.

Segundo os trechos vazados por quem viu o vídeo da reunião, Bolsonaro teria dito: “Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”. Um desastre tanto na forma quanto no conteúdo. Efetivamente, tão logo o ex-ministro Sergio Moro entregou o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, a troca do diretor-geral da PF e do superintendente da corporação no Rio de Janeiro.

Ataques a Doria e ao STF

Para piorar a situação, a verborragia presidencial não se restringiu à Polícia Federal e a Sergio Moro. Bolsonaro teria chamado o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de bosta. Para completar o circo de horrores, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria afirmado que os ministros do Supremo Tribunal Federal deveriam ser presos.

Existe a expectativa de que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorize a divulgação do conteúdo do vídeo, que está no âmbito do inquérito que apura suposta interferência política na PF. Diante dos trechos vazados até o momento, o que houve nesta terça-feira, 12, pareceu uma sessão de cinema de terror com pornochanchada. Até aí, nada surpreendente, dado o estilo linguístico de parte dos presentes na reunião de 22 de abril. Mais grave é o aprofundamento da crise política, que leva o Brasil mais alguns metros rumo ao fundo do poço.

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