Cezar Santos
Cezar Santos

Se a base está dividida, o PMDB está desorientado

Depois da autoanunciada aposentadoria de Iris Rezende, peemedebistas vivem drama parecido com os adversários: falta de nome que empolgue o eleitorado da capital

Daniel Vilela, Maguito Vilela, Dona Íris e Iris Rezende durante evento que "selou" aposentadoria do decano | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

Daniel Vilela, Maguito Vilela, Dona Íris e Iris Rezende durante evento que “selou” aposentadoria do decano | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

A situação não é nada boa para a base aliada marconista no jogo sucessório em Goiânia. Dividida entre três nomes que se apresentam com pouca efetividade em termos de apelo popular, a base está caminhando em círculos na busca de viabilizar um desses nomes — Luiz Bittencourt (PTB), Giuseppe Vecci (PSDB) e Francisco Júnior (PSD) — para entrar na disputa com condições mínimas de sucesso.

Menos mal para a base governista é que o PMDB, maior partido de oposição ao marconismo, também está igual cachorro em dia de mudança: perdidinho, perdidinho. A prova da desorientação foi evidenciada na semana passada, numa reunião entre siglas da oposição em que foi aventada a possibilidade — na verdade, desejo de muita gente —de Iris Rezende recuar em sua autoanunciada aposentadoria e voltar para concorrer à Prefeitura de Goiânia neste ano.

Mesmo considerando que o “volta-volta Iris” não constou da pauta do encontro, o tema foi abordado após a reunião. E isso se deu pela constatação pura e simples de que não há nome competitivo no partido para a disputa. Com isso, muitos peemedebistas não vislumbram outra possibilidade de sucesso que não a volta do decano.

Nesse sentido, a esperança das “viúvas” de Iris é que o velho político, no dia da convenção dos partidos, seja “aclamado”, como correu outra vezes, como o candidato da aliança PMDB-DEM-PRP-SD. Com uma aclamação estrondosa e unânime, a aposta é que Iris não resistiria ao chamado, aceitando o desafio — mais um em sua longeva e vencedora carreira.

É importante registrar, porém, que depois o presidente do PMDB, deputado Daniel Vilela, expressou que considera a volta de Iris “página virada”, dizendo que quem fica promovendo isso é gente que quer desgastar o próprio partido. Daniel foi peremptório ao dizer que não vê viabilidade na proposta, sem deixar de reconhecer a liderança e a importância de Iris, mas acha que agora há um novo caminho a construir.

No encontro, após horas de discussão, PMDB, DEM, PRP e Solidariedade decidiram que não vão apoiar nenhum outro partido na capital. Apesar de ter havido movimentações em direção a Vanderlan Cardoso (PSB), ficou definido que vão lançar nome próprio. O senador Ronaldo Caiado e o vice-prefeito peemedebista Agenor Mariano foram os primeiros a se levantarem contra aliança com o empresário de Senador Canedo.

A posição é frontalmente contra à do presidente do diretório estadual do PMDB, deputado federal Daniel Vilela, que quer sim a aliança com Vanderlan. Posição corroborada pelo prefeito Maguito Vilela sob o argumento de que não há tempo hábil para construir uma candidatura.

Em outras palavras: a frente comandada pelo PMDB não tem nome viável, embora tenham sido ventilados o ex-deputado federal Armando Vergílio (SD), o deputado estadual Bruno Peixoto (PMDB) e até o também deputado estadual Major Araújo (PRP).

Bem verdade que Bruno Peixoto ficou animado em ser citado como possibilidade e até já providenciou mudanças na sua figura, como o corte do cabelo que tinha luzes, para perder a cara de “playboy” e se apresentar como o homem sério que os goianienses precisam.

Divisão
A verdade é que há uma clara divergência entre dois grupos claramente definidos no PMDB goiano em relação à disputa na capital: o do ex-prefeito Iris Rezende e o dos Vilela. E pelo que se tem visto até o momento, o partido deve chegar ao dia da convenção dividido.

Os Vilela querem a aliança com Vanderlan, até aqui o único pré-candidato com potencial para bater votos com o líder das pesquisas, Delegado Waldir Soares. Já os iristas insistem que o PMDB deve lançar nome próprio, de preferência um jovem político.

Bruno Peixoto aceita o desafio e sem a luzes no cabelo, acredita que pode ser alavancado com o apoio direto de Iris Rezende. Essa tendência por um nome mesmo sem maior competitividade, como é o caso de Bruno, tem sido a mais aceita, até o momento.

Um peemedebista foi claro em entrevista ao Jornal Opção, ao dizer que é preferível perder com qualquer peemedebista do que apoiar Vanderlan. Aliados de Iris Rezende afirmam que o empresário não passa segurança e há dúvidas sobre sua capacidade administrativa de uma cidade tão complexa como Goiânia. A desconfiança tem certa razão de ser, uma vez que a pré-campanha de Vanderlan, em alguns momentos, parece que é para a Prefeitura de Senador Canedo e não da capital.

Para esses peemedebistas, o partido corre risco se apoiar Vanderlan e este vencer a corrida sucessória e não conseguir realizar uma gestão positiva. Nesse caso, repetiria o fiasco com Paulo Garcia, cujo reeleição foi bancada pelo PMDB — com empenho pessoal de Iris Rezende, é bom lembrar —, e terminou numa administração pífia, com altos índices de rejeição.
Lembrando que há alguns dias, Vanderlan Cardoso se reuniu com líderes peemedebistas. A conversa não avançou. Em contrapartida, na semana passada o governador Marconi Perillo também teve conversa com sua base. Igualmente a conversa não progrediu. Segundo o governador, foram conversas muito boas e há um bom desprendimento por parte dos pré-candidatos. Segundo ele, todos acham que é preciso apresentar um bom projeto, uma boa alternativa para Goiânia.

Enquanto a pré-campanha das principais forças político-eleitorais patinam nas próprias contradições, o eleitorado goianiense fica sem um debate mais qualificado sobre problemas como educação, saúde, mobilidade urbana, meio ambiente, entre outros. Com isso, fica aberta a brecha para outsiders que batem em tecla única, como segurança pública, tema a rigor fora da alçada de um prefeito.

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