Cezar Santos
Cezar Santos

“Saúde no País precisa melhorar”

Eleitor goiano tem a oportunidade de mandar para a Câmara dos Deputados um dos maiores gestores do País na área de saúde, o ex-secretário Antônio Faleiros, que tem propostas concretas para o setor

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Recente pesquisa do Datafolha mostrou que 45% dos brasileiros têm a saúde como o maior problema do País — em segundo lugar ficou a violência (18%), seguida por corrupção (10%) e educação (8%). A liderança da saúde no ranking de reprovação dos brasileiros vem desde 2008, o que mostra a deterioração da gestão por parte do governo federal. Mas indica também que o Legislativo tem deixado a desejar na formulação de boas leis nessa área.

O eleitor goiano terá a oportunidade de escalar para a Câmara dos Deputados um dos maiores conhecedores de saúde pública no Brasil e que poderá se destacar com boas ideias e propostas. Médico especialista em Medicina do Trabalho, Antônio Faleiros, duas vezes secretário de Saúde de Goiás — no governo Henrique Santillo (1987-1990) e no atual governo Marconi Perillo, do qual se desincompatibilizou em janeiro —, é candidato a deputado federal pelo PSDB. Certamente, um nome que poderá fazer a diferença.

Faleiros conhece o sistema público de saúde por dentro e aponta o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) como o maior problema da área. Por isso, promete, se eleito, lutar para a aprovação do projeto de lei que destinará 10% da receita corrente bruta da União para a saúde. Atualmente, o governo federal aplica cerca de 5% da receita, enquanto Estados aplicam no mínimo 12% e municípios, 15%.
O ex-secretário é peremptório: “O SUS precisa de mais investimento. É um dos mais avançados sistemas do mundo, mas carece de aperfeiçoamentos. No Legislativo quero dar minha contribuição. O SUS precisa de melhorias urgentes na área administrativa, como a criação do cartão SUS, a discussão da municipalização plena nos pequenos municípios, e, repito, principalmente o financiamento”.

Experiência não falta a quem enfrentou e venceu grandes desafios, como no início do atual governo, quando a saúde estadual estava no caos herdado da administração de Alcides Rodrigues. Os hospitais tinham dificuldades até para comprar material de consumo. Faleiros coordenou a cessão da gestão dos hospitais estaduais para organizações sociais (OSs), fiscalizadas pelo governo. Com isso, a saúde estadual saiu da pauta (ruim) dos meios de comunicação. E hoje os hospitais públicos da rede estadual estão entre os melhores do País.

Esse trabalho tem o reconhecimento da população. Faleiros diz que aonde vai, as pessoas lembram o que ele fez nos governos Santillo e Marconi. “As pessoas falam dos duros desafios que enfrentei com coragem. Por isso, posso ter uma bela votação de reconhecimento. Nesse aspecto estou feliz com a campanha, que é leve, sem grandes recursos, sem a prática nefasta de cooptar liderança com dinheiro, o que sempre devemos condenar.”

Hospitais regionais

Antônio Faleiros lembra que praticamente toda a rede de saúde do Estado de média e alta complexidade, ou seja, de hospitais e ambulatórios mais complexos, foi criada nos governos Santillo e Marconi. Diz que os hospitais regionais foram municipalizados depois, por política equivocada, sem dar aos municípios as condições de arcar com o atendimento de pacientes de cidades vizinhas. Com isso esses hospitais foram sucateados. Faleiros lembra que o de Rio Verde foi o único que teve um upgrade, com estímulo à criação de leitos de UTI e o governo está ajudando a financiar as despesas decorrentes.

“Outras unidades, o Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), o Crer, o Hugo 2, que está sendo concluído, o Hospital de Uruaçu, os Cais e o Homocentro, construído no governo Santillo. Mais recentemente os Credeqs, o primeiro prestes a ser inaugurado (de Aparecida de Goiânia). Então, 90% do que existe é nos governos Santillo e Marconi”, lembra o ex-secretário.

Agora, diz Faleiros, o governo está fazendo algo que vai revolucionar a saúde em Goiás: os ambulatórios médicos com no mínimo 20 especialidades espalhados pelo interior de Goiás. “Mas estamos fazendo com critério. Haverá os municípios-sede dos ambulatórios, e os municípios daquela regional participarão daquele consórcio intermunicipal de saúde. Como deputado federal, quero propagar esses consórcios de saúde para todo o Brasil como solução para a falta de cofinanciamento entre os municípios.”

Com esses 18 ambulatórios em todo o Estado, afirma Antônio Faleiros, as prefeituras não precisarão mais fazer a “ambulancioterapia” para Goiânia e outras poucas cidades. “Isso será a marca registrada da nossa administração. Hoje, posso dizer que os municípios, de modo geral, nem têm interesse em criar unidades de saúde, porque isso vira um chamariz, uma vitrine, e todos os municípios em volta mandam doentes para lá. O ônus fica só para o município que sedia a unidade; com o consórcio, haverá também o bônus do financiamento. Essa é a nossa proposta, os consórcios intermunicipais de saúde.”

Os dois grandes hospitais de urgências de Goiânia foram construídos sob batuta de Antônio Faleiros. Ele lembra que o Hugo 1, há 25 anos, foi feito para atender a urgência da população goianiense na época, cerca de 600 mil habitantes, quando era secretário de Saúde no governo de Henrique Santillo. Aí ele volta à Secretaria, em 2010, no governo Marconi Perillo, e dá início ao Hugo 2, com a população de mais de 1,5 milhão de habitantes na Grande Goiânia.

Lembra que neste governo também foi os leitos no Hugo 1 passaram de 280 para 400. O terceiro andar, que em parte era usado pela ad­mi­nistração, foi transformado em enfermaria. Ou seja, fez-se mais um hospital dentro do Hugo 1. “No Hugo 2 serão mais 400 leitos. É um belo hospital, inclusive com atendimento a queimados, o que é inédito no serviço público em Goiás. Fico fe­liz em ter feito o Hugo 1, tê-lo am­pliado, e ter iniciado o Hugo 2, de cu­ja inauguração agora em setembro, in­felizmente, não poderei participar, por causa de minha candidatura, mas dei minha colaboração nessas obras importantíssimas para a população goiana.”

Antônio Faleiros diz que são nove hospitais em toda a rede Hugo em Goiás, interligados. E salienta: Goiânia, ou o Estado, não terá mais preocupação com grandes traumatizados, porque além dos dois Hugos, tem a rede Hugo interligada e os 18 ambulatórios médicos que estão sendo construídos.

Mais modernidade no 2º mandato

Antônio Faleiros diz que a liderança do governador Mar­coni Perillo nas pesquisas de intenção de voto se deve às realizações do governo e à expectativa da população em ter a continuidade dessas obras e programas sociais. Segundo ele, a grande contribuição de Marconi no segundo mandato será aprofundar a modernização do serviço prestado aos cidadãos.

Segundo o ex-secretário, essa é uma necessidade do Estado brasileiro, que precisa de um choque de gestão tecnológica, investir cada vez mais em TI [tecnologia da informação] para prestar um bom serviço à população, já que o Estado existe para isso. Ele exemplifica: o bom serviço na área de saúde em Goiás se deve ao upgrade que foi dado aos hospitais.

O tucano cita recente reportagem que mostrava um hospital no Nordeste onde nem os monitores funcionavam, o que é o retrato dos hospitais públicos brasileiros, enquanto em Goiás, os hospitais da rede pública estadual são iguais a qualquer hospital particular do Brasil.

“Isso nos enche de orgulho. Quem quiser, pode ir à UTI do HGG e verificar, os parâmetros são semelhantes aos internacionais. E todos os nossos hospitais estão com o mesmo padrão de qualidade. Isso é resultado de investimento em tecnologia, parcerias com iniciativa privada na busca de modernização. No próximo governo Marconi, vamos entrar numa era de mais modernidade ainda, é o que espero”, diz Faleiros, um expert em saúde pública que poderá fazer a diferença no Congresso Nacional.

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