Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Queda no número de assassinatos: copo meio cheio ou meio vazio

Dados de várias fontes mostram queda na quantidade de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, mas ainda há uma carnificina no País

Fotomontagem: Pixabay / Gratispng

O governo federal, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás e o Portal G1, por meio do Monitor da Violência, têm divulgado periodicamente indicadores que mostram que o número de homicídios e mortes violentas tem caído constantemente no Brasil e no Estado. Há pelo menos três anos o recuo tem sido constante e, aparentemente, consistente. É o dado para se comemorar: somente esse ano, conforme a SSPGO, a queda até setembro era de 21%; conforme o G1, em todo o Brasil o recuo é de 22% nos crimes de homicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio.

Os números mostram o tamanho do desafio que o País tem diante de si. Mesmo com a redução, 27,5 mil pessoas foram assassinadas no Brasil, segundo o Monitor da Violência. Em Goiás, 1.246 pessoas foram vítimas de homicídio, de acordo com os dados oficiais da SSP. Nenhum dos dois computa as mortes decorrentes de intervenção policial (tema polêmico).

Caso os indicadores sigam estáveis, até o final do ano serão 41,2 mil mortes por homicídio, latrocínio ou lesão corporal seguida de morte no Brasil e 1.661 assassinatos em Goiás. Como, portanto, comemorar esses resultados? Ao contrário, é mais útil avaliar o que está sendo feito para alcançar esse recuo, aperfeiçoar e ampliar as ações dos órgãos de Segurança Pública.

Alguns Estados têm obtido resultados positivos há mais tempo, como Paraíba, Espírito Santo, Piauí e o Distrito Federal. São Paulo tem diminuído os índices há quase duas décadas. Essas unidades devem servir de benchmark para as demais – que também podem compartilhar suas estratégias. Algumas iniciativas de integração pontuais já são realizadas nesse sentido.

Há que se estudar, ainda, o impacto das ações das facções criminosas. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a hegemonia de uma facção em determinada unidade da federação pode ter influência na redução dos homicídios, na medida em que, quando um grupo domina uma região, não há guerra pelo território.

O Acre, onde o Comando Vermelho domina, e São Paulo, cuja presença do PCC ocorre há décadas, podem se encaixar nessa hipótese. Tal observação não significa desmerecer o trabalho dos setores de segurança – ainda que lhes seja incômoda –, mas amplia o escopo do debate.

No caso da violência no Brasil, estamos diante do velho dilema do copo meio cheio ou meio vazio.

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