Cezar Santos
Cezar Santos

Que Temer seja tão bom quanto Dilma disse que ele é

Presidente interino terá a difícil tarefa de reconstruir a economia que a petista arruinou em cinco anos

Michel Temer, que teve qualidades atestadas por Dilma: “É preciso recuperar a confiança no país” | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Michel Temer, que teve qualidades atestadas por Dilma: “É preciso recuperar a confiança no país” | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os brasileiros esperam que Dilma Rousseff esteja certa e que Michel Temer tenha mesmo as qualidades que ela viu nele e das quais deu testemunho na campanha presidencial. O que Dilma falou (para quem quiser conferir, está no Youtube) foi: “Eu tenho um vice que é uma pessoa experiente, séria, que tem uma tradição política, que eu tenho certeza que saberá honrar e me substituir à altura. O meu vice não caiu do céu. O meu vice não é um vice improvisado. É uma pessoa competente, um homem capaz!”

Que seja mesmo, Dilma, que seja.

Pelo começo, pelas articulações que Temer vinha fazendo nas últimas semanas para montar sua equipe, pôde-se perceber que o balcão de negociação continuava tal e qual como sempre foi na República, a reboque do peso dos partidos. O que frustrou quem acompanhava o cenário. Imaginava-se, mesmo porque foi falado nisso, que o quase presidente montaria uma equipe de notáveis.

Mesmo antes do impeachment, percebeu-se que dificilmente sairia uma equipe de notáveis de uma coalizão em que se tem de acomodar todos os partidos, que nem sempre têm bons nomes para indicar. Sacramentado o impeachment, surgiram nomes estranhos confirmados para pastas que cuidam de temas sobre os quais eles nada sabem.

Além de nomes que faziam parte do pífio ministério dilmista — como Gilberto Kassab (PSD) e os peemedebistas Eliseu Padilha e Henrique Eduardo Alves –, Temer escalou gente que não dá nenhum motivo para esperar o melhor. É o caso, por exemplo (mas não só estes), dos peemedebistas Helder Barbalho (PA), na Integração Nacional, e Leonardo Picciani (RJ), no Esporte. Também foi frustrante a nomeação de gente que está sendo investigada na Lava Jato.

Em compensação, a nova equipe tem craques como Henrique Meirelles e José Serra. E ao apontar esses dois como craques, não se está aqui declinando uma preferência partidária ou algo assim, mas baseando no que eles já fizeram. Meirelles foi o homem que conduziu a política econômica dos dois mandatos de Lula e não deixou os petistas aloprados ditarem os equívocos que mais tarde eles aprontariam no governo Dilma, arruinando a economia; Serra, na equipe de Fernando Henrique Cardoso, foi considerado o melhor ministro da Saúde do mundo.

Temer montou uma equipe profundamente “congressual”, ou seja, formada com líderes partidários, o que mostra a valorização que ele dá aos que detêm mandato. Sem o Parlamento, sabe, não conseguirá governar — nada menos que dez deputados federais e três senadores deixaram suas vagas no Congresso Nacional para assumir cargos no governo.
Então, o time está em campo. E o desempenho de um time depende muito mais do comandante do que das peças isoladas. Nesse sentido, deve-se dar a Temer o benefício do tempo. Com sua inequívoca experiência, talvez saiba tirar o melhor de cada um de seus auxiliares, equilibrando interesses e jogos partidários em favor de seu mandato de transição, ou seja, em favor dos brasileiros.

Em seu primeiro discurso, Michel Temer afirmou que é preciso pacificar e reunificar o País, defendeu programas sociais (os petistas diziam que ele iria acabar com esses programas), e pediu o apoio do Congresso para aprovar reformas.

No dia seguinte, alvissareiro foi o anúncio do novo titular do Planejamento, Romero Jucá, de que o governo pretende cortar 4 mil cargos de confiança e funções gratificadas até o dia 31 de dezembro deste ano. “Em 31 de dezembro teremos diminuído 4 mil postos desse tipo de contratação (comissionados, funções gratificadas, entre outros). Isso representa o dobro do que o governo anterior havia anunciado e não foi cumprido.”

Em sua manchete de sexta-feira, 13, o “Correio Braziliense” destacou “10 promessas de Temer para você guardar e cobrar”. Vamos a elas:

1 – Manutenção e melhoria das ações sociais
Programas como Bolsa Família, Pronatec, Fies e Minha Casa Minha Vida, principais vitrines do PT nos últimos anos, estão assegurados e serão aperfeiçoados.

2 – Reformas, sim, mas com direitos assegurados
Serão enviadas ao Congresso propostas de reformas na previdência, na área trabalhista e no pacto federativo, com garantia de manter direitos conquistados.

3 – Prioridades para áreas de segurança, educação e saúde
Sem dinheiro para investir, o Estado deve se concentrar nas políticas dessas áreas. Em outras, haverá incentivos do governo para parcerias público-privadas.

4 – Menos cargos comissionados e ministérios
A máquina administrativa ficará mais enxuta. Já houve corte de ministérios nesta primeira fase e centenas de cargos de confiança e assessorias serão extintos.

5 – Autonomia total para atividades e decisões do BC
O Banco Central perdeu o status de ministério, mas manterá o foro privilegiado e a garantia de liberdade para exercer seu papel na política econômica do país.

6 – Apoio ao juiz Sérgio Moro e à Lava Jato
O trabalho realizado ela força-tarefa de Curitiba, que inclui a Polícia federal, o Ministério Público e a Justiça, será blindado de ações que tentem enfraquecê-lo.

7 – Ambiente de confiança para setor produtivo
Novo governo quer estancar o processo de queda livra na atividade econômica para incentivar empresários a voltarem a investir, produzir e criar empregos.

8 – Alíquota do ICMS deve ser unificada
Há comedimento quanto à mudança o sistema tributário. Hoje, de concreto, o que se pretende fazer, disse um ministro, é a unificação da alíquota do ICMS.

9 – Liberdade para usar receitas engessadas
Temer buscará a aprovação da desvinculação de receitas da União (DRU). Atualmente, apenas 10% dos recursos podem ser direcionados peara qualquer rubrica.

10 – Uma aposta no diálogo para superar a crise
O presidente em exercício quer um “governo de salvação nacional”. “Ninguém, individualmente, tem as melhores receitas para as reformas que precisamos realizar”.

Marconi acredita que agora a Celg será privatizada

Marconi Perillo: “Privatização da Celg será finalmente concluída” | Foto: Marco Monteiro

Marconi Perillo: “Privatização da Celg será finalmente concluída” | Foto: Marco Monteiro

O governador Marconi Perillo espera que a privatização da Celg finalmente tenha desfecho favorável com Michel Temer na Presidência do país. Em entrevista no Programa Sala de Visitas, da Rádio AGM, na quinta-feira, 12, Marconi fez duras críticas aos opositores da privatização da Celg. O processo está paralisado por determinação da presidente afastada, Dilma Rousseff.
Embora não tenha conversado sobre o assunto com Michel Temer, o governador acredita que a privatização será finalmente concluída. “Seria absolutamente insensato se houvesse qualquer interrupção nesse curso.”

Ele lamentou que Dilma tenha tomado a decisão de frear o processo da Celg, que estava próximo de ser concluído, por pressão de alguns movimentos sociais. E aproveitou para criticar aqueles que tentam tirar proveito político da privatização. “Quem é contra a privatização tem dois objetivos: primeiro é o de fazer demagogia, tentando tapear os funcionários para ganhar o voto deles. Segundo, é o desconhecimento de causa ou interesse em mamar nas tetas das empresas estatais”.

Sobre a equipe econômica de Michel Temer, Marconi aplaudiu a escolha de Henrique Meirelles, dizendo que não teria melhor nome no momento. Lembrou que o goiano assumiu o governo Lula num momento em que ele estava substituindo Fernando Henrique, que tinha deixado todos os pressupostos econômicos em andamento, havia criado o Plano Real e implementado várias mudanças estruturantes.

“A situação agora é diferente. A crise é muito forte. Tivemos um PIB negativo de 3,8% no ano passado. Caminhamos para ter um PIB negativo superior a 4% – e agora vai depender muito das ações de Henrique Meirelles para tentar reverter esse quadro. Nós não tínhamos os problemas que temos hoje na Petrobrás, que está quebrada. Temos hoje situações temerárias na Eletrobrás, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal. A situação, como se vê, é muito mais difícil”, afirmou Marconi.

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