Cezar Santos
Cezar Santos

PT transformou a JBS na maior central de corrupção do mundo

Joesley Batista escancara o que já se sabia: fazer a empresa “campeão”, com dinheiro público, era para financiar a turma de Lula e aliados; irmãos Batista já ganharam R$ 45 milhões com a delação

Irmãos Wesley e Joesley Batista colocaram suas empresas a serviço do monumental esquema de corrupção montado por Lula da Silva | Fotos: Reprodução

As revelações do empresário Joesley Batista caíram como uma bomba. O Bra­sil (e o mundo, por que não?) ficou estarrecido com o tamanho da dinheirama derramada em propinas para campanhas eleitorais, tanto oficialmente quanto no chamado caixa 2. Nas palavras do próprio delator, a JBS financiou quase 2 mil pessoas nos últimos anos.

O empresário disse à Procura­doria-Geral da República (PGR) que seu grupo empresarial pagou “nos últimos anos” R$ 400 milhões em propina a políticos e servidores públicos. A lista, segundo ele, inclui senadores, deputados e presidentes da República.

Outra revelação estarrecedora: Joesley descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas.

Os áudios e vídeos mostram entrega de dinheiro em malas, negociações, etc. Este artigo não vai tratar das consequências políticas advindas das delações, que ainda estão decorrendo. O presidente Michel Temer pode cair, seja por renúncia, seja por impeachment.
Se as condições políticas para a permanência de Temer ficaram muito complicadas, as revelações entregam também Lula e Dilma e seu entorno, que montaram esse esquema monumental de corrupção.

As revelações de Joesley e Wesley escancaram o que todo mundo sabia. A transformação da JBS em “campeão” nacional se deu num projeto bem articulado, em que os governos petistas entregaram, ao grupo, bilhões de reais do BNDES a juros negativos. Lula e sua turma transformaram a JBS na maior usina de corrupção do mundo para receber em troca comissões milionárias em forma de “doações” para campanhas eleitorais e para enriquecimento pessoal de muitos deles.

Foto: Divulgação

E pensar que houve até uma CPI do BNDES na Câmara Federal, em 2015. Que, por incrível que pareça, deu em nada depois de mais de cinco meses de trabalho. O relatório final foi aprovado depois de muitas críticas da oposição, que cobrava a responsabilização de pessoas suspeitas de terem usado o banco estatal para beneficiar empresas. O relator não acatou pedidos de indiciamento, entre os quais de quem?, sim, de Lula e do então presidente do banco, Luciano Coutinho.

Mas, voltando ao presente, é de estarrecer ainda mais a notícia de que os delatores compraram dólares nas vésperas de ter a delação revelada. Ou seja, a sanha de dinheiro desses caras não tem limite. A desfaçatez desses corruptos é simplesmente inacreditável.
E o resultado é que os “açougueiros que fizeram picadinho” das leis — na irônica metáfora do jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog na sexta-feira, 19 — ficaram mais ricos!

Ou seja, ao fazer a delação premiada, e ganhar benesses incríveis como ir desfrutar a liberdade em Nova York, os caras fizeram um belo negócio financeiro propriamente dito. E como isso ocorreu?

No acordo com o Ministério Pú­blico Federal é previsto que o grupo vai pagar multa de R$ 225 mi­lhões. Pois bem, horas antes do vazamento da informação, a CVM ficou sabendo que as empresas ligadas à dupla adquiriram uma posição superior a US$ 1 bilhão no mercado local. Azevedo fez as contas.

Quando eles compraram mais de US$ 1 bilhão, a moeda estava cotada a R$ 3,134. Assim, os irmãos corruptos empenharam um montante de R$ 3,134 bilhões. Eles sabiam que, depois da delação, o dólar dispararia. “Chegou a R$ 3,40, com uma valorização de 8,48% ontem (quinta-feira, 18). Sabem o que isso significa? Que a delação rendeu a Joesley e Wesley, na base da pura especulação, a bagatela de R$ 265.763.200! Caso você decida subtrair daí os R$ 225 milhões da multa, ainda sobram, de saldo positivo, R$ 45,765 milhões.”

“Só isso? Não! Tanto quando eles sabiam que o dólar iria disparar, tinham clareza de que as ações do grupo iriam despencar. O que eles fizeram? Em abril, depois das conversações para a delação premiada, os Batistas venderam R$ 329 milhões em ações da JBS. Ontem (quinta-feira, 18), as ditas cujas sofreram um tombo de 14,84%.”

Os irmãos corruptos ficaram ainda mais ricos com a delação.

Prêmio à corrupção

O acordo fechado pelos criminosos Joesley e Wesley Batista prevê que os dois executivos não serão sequer denunciados criminalmente pelo Ministério Público Federal, segundo fontes próximas aos executivos ouvidos pelo jornal “Estado de S.Paulo”, na edição de sexta-feira, 19. Ou seja, eles não serão presos, nem precisarão usar tornozeleira eletrônica, diferentemente de executivos de outras empresas envolvidas na Lava Jato.

Além disso, ficou acertado que eles poderiam continuar no comando de suas empresas. Em contrapartida, além das gravações que Joesley fez com o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB), revelados pelo jornalista Lauro Jardim, de “O Globo”, os executivos e a empresa terão de entregar todos os negócios ilegais feitos pela companhia.

A multa acertada pelo acordo de leniência foi de R$ 250 milhões. Mas é possível que esses valores possam mudar. O jornal ouviu advogados especialistas no assunto, que disseram que foi um acordo excelente, se comparado aos fechados recentemente pela Odebrecht. Marcelo Odebrecht terá de cumprir ao todo quase dez anos de prisão, entre cadeia e prisão domiciliar. Relatam, entretanto, que ao tomar a dianteira da delação e fazer uma entrega de provas dessa magnitude, é natural que consigam imunidade.

O resumo dessa ópera é triste pa­ra o povo brasileiro. Os irmãos corruptos receberam bilhões dos governos petistas para montar uma multinacional a serviço da política explícita de Lula de apoiar esse esquema criminoso, a juros negativos, pagou quase 500 milhões em propinas para políticos, corrompeu agentes públicos, corrompeu juízes, e ainda vai sair livre, aproveitando os bilhões que o BNDES lhe doou. Foi isso que a Justiça brasileira negociou com os caras.

O que dá motivo para levantar a questão: alguém recebeu dinheiro para fazer tal acordo com os corruptores?

Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça americano também costuma dar imunidade para as empresas que se autodenunciam e entregam todas as provas. Isso deve facilitar o próprio acordo que a JBS terá de fazer com as autoridades americanas, com as quais já está negociando.
PS.: Depois de concluído esse artigo, no início da noite de sexta-feira, noticiou-se que o MPF só aceitaria fechar um acordo de leniência com o grupo J&F, dono do frigorífico JBS, se ele concordar em pagar R$ 11,1 bilhões em multa pelos esquemas de corrupção nos quais se envolveu nos últimos anos. Os pagamentos seriam parcelados em até dez anos. Em tom de ultimato, a procuradoria divulgou uma nota, dizendo que a companhia tinha até as 23h59 de sexta para se pronunciar, senão o acordo será desfeito.

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wesley cesar

Podemos considerar que a JBS já foi de mala e cuia para os EUA. Só não vê quem não quer. Veja, assim que ela resolver sua situação com o departamento de Justiça, adeus Brasil! Nos EUA a JBS tem mais de 50 empresas e seu faturamento no exterior (EUA e outros países) corresponde a mais de 80%. No Brasil o faturamento chega só a 10%. A JBS é uma das maiores indústrias de alimento do mundo e vai embora com o dinheiro do bobo brasileiro. Enquanto isso, na sala da inJustiça: Temer diz que não sai. Lula afirma que volta…… Leia mais