Cezar Santos
Cezar Santos

PSDB contra PMDB: é esse o quadro

Haverá bons candidatos de outros partidos, claro, mas a configuração política vai apontando para uma polarização entre as duas maiores siglas na disputa pela Prefeitura de Goiânia

Em seu escritório político, Iris Rezende sobe em mesa para ser aclamado por correligionários de Aparecida de Goiânia

Em seu escritório político, Iris Rezende sobe em mesa para ser aclamado por correligionários de Aparecida de Goiânia

A disputa no maior colégio eleitoral goiano promete emoções. Está se desenhando um cenário de polarização entre o candidato do PSDB e o do PMDB, repetindo o que vem ocorrendo nas disputas pelo governo estadual. Não é difícil entender a razão.

O PSDB é o principal partido da base aliada governista, tem o maior cabo eleitoral do Estado, o governador Marconi Perillo, e conta com nomes com potencial inquestionável – os deputados federais Giuseppe Vecci e Delegado Waldir Soares e o vereador e presidente da Câmara Municipal, Anselmo Pereira; está marcada para o dia 21 de fevereiro as prévias para definir quem será o candidato.

Já o PMDB é um partido forte desde sempre e que conta com nada menos que o preferido nas pesquisas atuais, o ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende. Iris tem o recall de ter sido prefeito em 2004, reeleito em 2008 – só para refrescar a memória, ele foi prefeito de Goiânia também na década de 1960. Um político de realizações, não resta dúvida, e com um eleitorado cativo.

Portanto, é natural que esses dois partidos comecem a atrair as atenções, com uma tendência de repetir no quadro municipal o que se viu no estadual, ou seja, a polarização. Lembremos: tanto em 2010 quanto em 2014, Marconi Perillo e o pemedebista Iris Rezende foram ao segundo turno na eleição ao governo, com vitória bisada do tucano.

É certo que PSDB e PMDB estarão no segundo turno, apenas pelo fato de serem eles os dois maiores partidos? Há algum decreto divino sobre isso? Um candidato “azarão” de outra sigla não pode desbancar essa primazia? Não, não é certo. Não há decreto divino. E há sim outros nomes no jogo que podem desequilibrar esse cenário.

Há nomes nos outros partidos que têm tudo para cair na graça do eleitor, mesmo porque são bons de debate, têm boa presença e conhecem a cidade e suas carências. Têm esse perfil o ex-deputado Luiz Bittencourt (PTB), o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PSD) e o ex-prefeito Vanderlan Cardoso (PSB), este último dá mostras de que pode sair do jogo. Além de mais dois ou três nanicos que entram apenas para negociar cargos no segundo turno, e talvez um ou outro radical de PSTU, PCdoB ou coisa assim, que passam em brancas nuvens e quase só servem para abaixar o nível da campanha.

Se PSD com Virmondes, PTB com Bittencourt e PSB com Vanderlan têm nomes bons, pesa contra eles o fato de serem da base que tem o PSDB como sigla maior e com um detalhe que pode ser fundamental: os tucanos abriram mão de candidatura própria para os aliados nas últimas eleições em Goiânia. Por isso mesmo, tucanos de alto costado dizem que agora é a vez deles.

No PMDB, a aliança com o PT entrou em rota de naufrágio. Mas os peemedebistas têm densidade para bancarem candidatura solo, ou com um ou dois aliados apenas. Desde que o próprio PMDB se organize. Parece que o partido ingressou em um baixo astral terrível e até tiro em reunião de diretório tem sido disparado. Espera-se que o partido se pacifique depois do tiroteio.

Fato é que o quadro sucessório em Goiânia está, digamos, 90% definido no rumo da polarização entre PSDB e PMDB, repetindo o quadro estadual nas últimas eleições. Em se confirmando, podemos fazer algumas considerações.

Iris pode não ser candidato
Por incrível que pareça, Iris Rezende pode não ser o candidato do PMDB. Sim, há dúvida sobre isso, como sempre o decano deixa uma brecha no sentido de não disputar. Em algum momento ele pode cumprir a “ameaça”, quem sabe será em 2016? Mas se for Iris, ocorrerá um fenômeno curioso: a aglutinação de todos contra um.

Começa pelo fato de que é ele, Iris, o líder nas pesquisas. Só por isso, o pemedebista se torna alvo de todos. E no caso de passar para o segundo turno o candidato do PSDB contra Iris Rezende, a tendência é de que todos se aliem ao tucano. Inclusive o PT, que mesmo por baixo, tem uma representatividade na capital. Isso merece uma explicação à parte. Vamos a ela.
O rompimento dos petistas com o PMDB em Goiânia está sendo traumático. E Iris Rezende tem deixado claro que na campanha vai se distanciar da gestão de Paulo Garcia, que tem reprovação dos goianienses. Iris vai tentar fazer com que o eleitorado se esqueça que foi ele, Iris, que avalizou e foi à TV pedir votos para o petista.

O pemedebista fará isso tentando jogar o prefeito “no colo” de Marconi Perillo, já que nos últimos meses o prefeito e o governador fizeram algumas parcerias e tiveram uma aproximação administrativa produtiva para Goiânia. O fato de Paulo Garcia ter dado o nome da mãe do governador — Maria Pires Perillo — a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) deixou Iris Rezende possesso. Foi a gota d’água para o peemedebista romper com seu ex-vice.
Depois disso, o ex-prefeito não fez questão de esconder o afastamento com o petista. Chegou a dizer textualmente: “Ele (Paulo) está lá e eu estou aqui. Ele tomou o rumo dele. Se uniu ao governo de Goiás. Não me deu explicação. Eu também não pedi. Ele é o prefeito. E eu enfiei a viola no saco, porque eu já fui prefeito e não sou mais”.

Na campanha, Iris tentará incutir no eleitorado a mensagem de que a aproximação entre Paulo e Marconi o redime de ter bancado o petista na prefeitura. O peemedebista quer a máxima distância de Paulo Garcia. Iris sabe que ter seu nome ligado à gestão de Paulo lhe tira votos, é contraproducente eleitoralmente, tanto pela gestão do petista em Goiânia quanto pela imagem ruim que o PT angariou nos últimos meses, graças à incompetência da presidente Dilma na condução da economia e ao envolvimento direto do partido em sucessivos episódios de corrupção.

Portanto, como dito, as feridas entre PT e PMDB vão se aprofundar. A tendência é que a situação fique muito tensa e Paulo Garcia pode até abrir “segredos” guardados sobre a real situação financeira da prefeitura, que ele herdou de Iris. Já há algum tempo muitos petistas dizem que a má gestão de Paulo Garcia se deve justamente a esse descalabro financeiro herdado, além do fato de o prefeito ter sido obrigado a abrigar, em postos chaves da administração, peemedebistas que não tinham condições éticas e administrativas para ocuparem os cargos.

Por tudo isso, a campanha será um ajuste de contas particular entre PT e PMDB, o que jogará os petistas contra Iris no segundo turno. Numa pouco provável aliança explícita com os tucanos, mas talvez num apoio branco, com a direção partidária “liberando” a militância para votar “contra” Iris. Isso já aconteceu em outras eleições.

Deixe um comentário