Cezar Santos
Cezar Santos

Prisão de Vaccarezza não deixa esquecer: é o PT o arquiteto da corrupção sistêmica

Com a carga da PGR e da imprensa sobre Michel Temer, estava parecendo que os petistas nunca tiveram nada com a escalada de roubo ao erário nos últimos 13 anos

Foto: Laycer Tomaz/ Câmara dos Deputados

Na sexta-feira, 18, o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza foi preso temporariamente por agentes da Polícia Federal (PF), sob a acusação de ter recebido US$ 438 mil (R$ 1,4 milhão) de propina por contratos firmados entre uma empresa norte-americana e a Petrobrás até 2011. Vaccarezza foi líder do PT na Câmara dos Deputados entre janeiro de 2010 e março de 2012, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Esteve envolvido até o pescoço no gigantesco esquema de corrupção montado pelo petismo nos últimos anos.

A prisão de Vaccarezza em São Paulo, por determinação do juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná, se deu na operação batizada de Abate, 44ª fase da Operação Lava Jato. A Abate foi realizada ao mesmo tempo em que a Operação Sem Fronteiras, a 43ª fase.

O encarceramento do ex-deputado, de certa forma, coloca a atenção e a memória dos brasileiros no lugar. Depois da condenação de Lula, nas últimas semanas, com a carga do procurador-geral Rodrigo Janot em cima do presidente Michel Temer, as falcatruas petistas praticamente sumiram dos noticiários. Ficou parecendo que apenas o governo atual, notadamente o PMDB, está envolvido em irregularidades.

Certamente esse “esquecimento” tem animado Lula a posar de vestal nos últimos dias, anunciando caravanas pelo Nordeste, e se permitindo pregar honestidade à claque petista que é arregimentada para esses comícios.

Não se pode deixar de lembrar, sempre, que foi o PT o grande responsável pelo descalabro ético e moral em que está mergulhada a política brasileira. Não se está dizendo que antes do PT a política brasileira fosse limpa. Não se trata disso. Mas com a PT a sujeira e a indecência no trato com a coisa pública subiram às raias do inimaginável. Os bilhões roubados em esquemas na Petrobrás, nos fundos de pensões, nos financiamentos propinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não deixa dúvida sobre.

Figura chave
Cândido Vaccarezza foi uma figura chave nos esquemas petistas. Segundo a Lava Jato, entre 2010 e 2013, foram firmados 12 contratos no valor de aproximadamente US$ 180 milhões (R$ 570 milhões) entre a Petrobrás e a empresa americana para a contratação do fornecimento de asfalto pela empresa estrangeira à estatal petrolífera.

Na entrevista coletiva após a prisão de Vaccarezza, o delegado da PF, Filipe Hille Pace, afirmou que conseguiram achar pagamentos de propina provenientes de ao menos 5 dos 12 contratos. “Nos registros que a gente tem são de pagamentos até meados de 2011, mas as provas indicaram que pela troca de gerentes, pela manutenção do grupo, e pela existência de contratos de fornecimento que foram celebrados até final de 2014, não descartamos a possibilidade de que ele tenha recebido não apenas US$ 438 mil.”

Pace contou ainda que durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão foram encontrados R$ 122 mil em espécie na casa de Vaccarezza. O ex-deputado não soube explicar a origem desse dinheiro.

Para se chegar a Vaccarezza, as investigações partiram da colaboração premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. “O esquema de propina e corrupção na Petrobras era partidário, parte do dinheiro ia para partidos políticos como PT, PMDB e PP”, disse o procurador da República Paulo Roberto Galvão, integrante da força-tarefa.

Verdade que o ex-deputado se desligou do PT em 2016. Normalmente o partido não tem preocupação em continuar dando guarida a criminosos – vide Delúbio Soares —, mas certamente Vaccarezza deve ter sido “aconselhado” a sair, pelo tanto de evidências criminosas que ele tem e que implicam a sigla. A PF havia aberto um inquérito contra Vaccarezza em 2015 após investigações feita no âmbito da Operação Lava Jato apontarem o envolvimento dele em um suposto esquema de corrupção e propinas na Petrobrás entre 2003 e 2014. l

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