Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Prisão de Queiroz em Atibaia contém altas doses de ironia

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro pode ser para o presidente o que um dia foram um Fiat Elba para Collor e um tríplex para Lula

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz | Foto: Reprodução

A polícia respondeu na manhã desta quinta-feira, 18, uma das perguntas mais repetidas no Brasil há quase dois anos: Fabrício Queiroz estava em Atibaia, em um sítio pertencente ao advogado Fred Wassef. A prisão traz uma série de complicações para a família Bolsonaro. O advogado atua na defesa do 01, Flávio, e presta serviços ao presidente, Jair. Um dia antes da ação policial em sua propriedade, participou da solenidade de posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Além da proximidade pessoal com a família presidencial, o fato de Wassef abrigar Queiroz compromete a veracidade de falas de Bolsonaro e Flávio. Ambos declararam reiteradamente que não sabiam do paradeiro do ex-assessor do senador. Ou estavam muito mal informados, ou mentiram.

Fabrício Queiroz é peça-chave na investigação que apura um suposto esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Há suspeitas de que Flávio, então deputado estadual, era um dos que retinham parte dos salários de assessores – Queiroz seria o arrecadador.

A investigação pode culminar na prova de inocência de Flávio Bolsonaro. Ou Queiroz pode ser o que, um dia, um Fiat Elba fora para Fernando Collor de Mello ou o que um tríplex no Guarujá fora para Luiz Inácio Lula da Silva.

Ironia suprema: Queiroz foi preso em um sítio de Atibaia, onde fica o sítio que seria de Lula. Pelo jeito, o município paulista, de clima aprazível devido à altitude e localização agradável, não é território seguro para presidentes brasileiros.

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