Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Prefeitos terão papel decisivo nas eleições para governador 2022

Capilaridade e aprovação de gestores municipais serão colocados a prova na campanha eleitoral do próximo ano

Em geral, a influência dos prefeitos e atuação de cabos eleitorais têm maior impacto nas eleições ao Legislativo. Deputados sempre estão em busca de parceria com gestores municipais. Em seus discursos sempre tem a repetição da palavra “municipalista”. Mas há razões para crer que os prefeitos terão forte prestígio na campanha para governador, em 2022. 

Nas eleições municipais se manteve as relações já costumeiras entre deputados e candidatos a prefeito. À medida em que os parlamentares apoiam os seus candidatos para os municípios, posteriormente, os prefeitos endossam os seus deputados. Mas em 2022 houve uma forte conexão entre os que postulavam cargos nos executivos municipais e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil). A ligação entre governador e candidatos estava na construção de alianças e na definição dos melhores nomes naquele momento para estar nas urnas. Passo fundamental para arregimentar apoio que lhe será retribuído em 2022. 

Há poucos dias o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos) declarou que se as eleições fossem agora, Caiado é o nome que merece ganhar as eleições. Uma afirmação que pode até ter passado batida por muitos, mas que tem seu peso. O partido do prefeito da capital ainda não se definiu publicamente com quem vai estar em 2022 –  embora o deputado estadual Jeferson Rodrigues seja da base governista, e o deputado federal João Campos seja visto com frequência junto ao governador. 

Havia uma desconfiança de que o Republicanos pudesse caminhar em um projeto de oposição. Ventilava-se que as conversas com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido) caminhavam para uma aliança. Entretanto, as declarações de Rogério Cruz evidenciam que Caiado e Republicanos têm mais do que uma parceria administrativa na capital. Há uma aproximação política. O que além de fortalecer o projeto de reeleição do governador, ainda mina os projetos de seu possível adversário. 

Tomo o caso do prefeito de Goiânia como exemplo da força que os prefeitos possuem e que serão usadas nas eleições de 2022. E os chefes de executivos municipais tem sido procurado com frequência, até para mostrar poderio de quem quer ou ocupar um espaço na chapa majoritária. Em recente evento, em que o governador Ronaldo Caiado deu posse a Joel Sant’Anna como secretário da Indústria e Comércio (SIC), o Progressista, que tem como pré-candidato ao Senado, Alexandre Baldy, lotou o  auditório Mauro Borges com prefeitos. E chamou a atenção. “Trouxe um número cada vez maior de prefeitos e vereadores. São as pessoas que realmente levam os nossos nomes e fazem com que possam acreditar em nós, pelo aval que eles nos dão e a credibilidade que eles têm nos municípios”, disse o governador em seu discurso. 

Os prefeitos já têm a sua importância nas campanhas, pois estão fortemente ligados a  formação de palanques de apoio. Em uma campanha para o governo do Estado, ter prefeitos e vereadores ao lado é a garantia de que os eleitores daquela cidade estarão mais dispostos e receptivos em relação às propostas do candidato — é sinônimo de palanque amplo. Outro ponto importante é que, ao consolidar a base de apoio em uma determinada região, o reflexo instantâneo é minar as forças do candidato concorrente entre aquele eleitorado, ou seja, reduzir o palanque do oponente.

Em 2022 a relação dos prefeitos com os governadores será mais próxima (em todo país, e não só em Goiás). Os municípios foram amparados por investimentos ligados ao combate à pandemia e, em sua maioria, com programas de transferência de renda, atendimento à saúde e outros recursos que turbinaram a relação administrativa Estado/município. Não se pode negar que esse é um fator que pesa para apoio de prefeitos ao governador que buscará reeleição. 

Outro fator preponderante é que os líderes locais ainda possuem peso nas eleições, sobretudo os que possuem grande aprovação do eleitorado local. A eleição de 2018 contou a forte influência das redes sociais e do contato direto entre os candidatos e os eleitores. No ano passado, a pandemia fez das eleições  algo bem atípico – sem muita força nas redes sociais, e com pouco contato próximo. A capilaridade dos prefeitos no interior goiano é uma característica que todo e qualquer candidato ao governo quer ter a seu favor.

Ronaldo Caiado também atua em proximidade com os prefeitos por saber que após quatro anos de gestão é normal que haja desgaste e, portanto, ter uma base ampla e consistente pode ser decisivo para o projeto de continuidade. Assim, foi notada a habilidade do democrata quando, ao final da contagem de votos das eleições municipais do ano passado, seu partido foi o que mais elegeu prefeitos no Estado. Ao todo foram 62 prefeitos eleitos — em 2016 tinham sido 10.

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