Cezar Santos
Cezar Santos

No País da corrupção, bonecos de Moro e do “Japa” da PF serão sucesso no carnaval

A festa dos foliões de Recife e Olinda neste ano terá dois hits: os bonecões do juiz que condena corruptos e do agente federal que os escolta na prisão

Bonecos representando o juiz Sérgio Moro e o agente Newton Ishii: pesadelo dos corruptos flagrados na Lava Jato, eles vão fazer sucesso no carnaval

Bonecos representando o juiz Sérgio Moro e o agente Newton Ishii: pesadelo dos corruptos flagrados na Lava Jato, eles vão fazer sucesso no carnaval

Cézar Santos

Brasileiro é um gozador. Ainda bem que a verve brincalhona ajuda a amenizar as agruras de uma realidade nem sempre fácil. Ainda mais no que diz respeito à política. O Brasil é, hoje, talvez o país-símbolo da corrupção; para onde o exterior olha e cita como exemplo de lugar onde há a mais corrupta e impune elite política.

Na base da brincadeira, os foliões brasileiros escolhem figuras que por alguma razão se destacaram no ano anterior. E quem se destacou mais que o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, e o agente da Polícia Federal Newton Ishii, o chamado Japonês da Federal?

Pois os bonecos gigantes de Moro e de Ishii já estão prontos para o carnaval. As réplicas estão disponíveis para visita na Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda (PE). O jornal “Correio Braziliense” entrevistou o bonequeiro Leandro Castro, de Recife, que informou já ter finalizado a parte de pintura, faltando retoques no figurino. “Tem sido um grande sucesso entre os turistas. Todos os procuram para tirar fotos.”

O agente Ishii ganhou destaque no noticiário nacional por recepcionar os presos da Operação Lava Jato. A imagem do descendente de japoneses viralizou na internet e o transformou em meme (repetição constante nas redes sociais).

A propósito, várias piadinhas com o “Japa” da Federal rolam nas redes sociais. Numa delas, na casa do ex-presidente Lula, alguém bate à porta. Marisa Letícia atende. Lula pergunta quem é. Ela responde: é um japonês, para depois dizer: É brincadeira, Lula. O ex-presidente fica de olhar estarrecido.

O artista plástico Leandro Castro pediu e obteve licença da PF para confeccionar a réplica do policial. O gigante japonês veste a farda e o colete característicos da instituição.
“Nosso trabalho está voltado para materializar pessoas icônicas país, sintonizado com o sentimento popular. Nossa homenagem é para a instituição da Política Federal. Acreditamos que o agende Ishii seria a figura mais popular para representá-los”, explica o criador. As réplicas chegam a pesar entre 18 e 20kg e medir 2,20 metros.

São 40 novos bonecos que Leandro Castro produz todos os anos. Ele tem um acervo com mais de 300 réplicas. Apenas 63 delas ficam em exposição no local em sistema de rodízio. Quem tenha interesse em ter um boneco gigante terá que desembolsar cerca de R$ 4 mil.

Se os bonecões se restringem ao carnaval de Recife e Olinda, como se vê na televisão, o leitor pode apostar que máscaras com a cara de Sérgio Moro e do “Japa” da Federal vão “bombar” por todo o Brasil. No País que parece chafurdar na corrupção, nada mais natural que duas pessoas que trabalham diuturnamente para prender corruptos sejam sucesso no carnaval.

Nunca antes como agora
Se corrupção sempre houve, aqui e em todos os lugares, nos últimos 12 anos, no Brasil, ela chegou a um estágio como nunca visto antes. O partido que está no poder e seus aliados tentaram armar um esquema criminoso de poder baseado na corrupção. Esse é o nosso diferencial.

Mas há investigações foram e estão sendo feitas. Antes, no processo do mensalão — esquema de compra de parlamentares montado pelo PT para votar favoravelmente matérias de interesse do governo Lula, no primeiro mandato do petista —, foram condenados políticos e empresários. Agora, o mesmo acontece, na chamada Operação Lava Jato, que investiga o esquema criminoso que o PT, PMDB e PP armaram para assaltar a Petrobrás.

Levantamento feito pelo jornal “O Globo”, publicado na última semana de 2015, mostra que a Lava Jato se consolidou como a principal ação de combate à corrupção na História do Brasil. Em um ano e nove meses, as investigações levaram à condenação de 61 réus. Fazem parte dessa lista os donos das maiores empreiteiras do país, ex-dirigentes da estatal, empresários, doleiros, políticos e até seus familiares.

Até aquele momento, o Ministério Público Federal (MPF) tinha apresentado ao juiz Sérgio Moro 35 denúncias contra 173 pessoas. Somadas, as penas aplicadas chegam a 679 anos, 5 meses e 15 dias nas 15 sentenças já proferidas por Moro. O juiz também absolveu 17 pessoas.
O MPF fez um balanço, na última coletiva de 2015 (14 de dezembro), da atuação da força-tarefa da Lava-Jato. Desde o início das investigações, foram instaurados 941 procedimentos de investigação, sendo que 266 ainda permanecem em sigilo máximo.

As ações levaram à decretação de 116 mandados de prisão, sendo 61 preventivas e 55 temporárias. Além de 88 mandados de condução coercitiva, onde a pessoa é obrigada a ir prestar depoimento na Polícia Federal.

Nada menos que 360 mandados de busca e apreensões foram realizados pelos agentes, que levaram ao bloqueio de R$ 2,4 bilhões. Foram feitos 35 acordos de delação premiada e quatro acordos de leniência.

Até o momento, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque é quem recebeu a pena mais dura: 20 anos e 8 meses de prisão. Em seguida, o ex-deputado Pedro Corrêa (ex-PP-PE), que também foi condenado no mensalão, foi condenado a 20 anos, 7 meses e 10 dias por corrupção e lavagem de dinheiro.

E o primeiro delator da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, recebeu o maior número de condenações: sete. Se ele fosse cumprir sua pena integralmente, passaria quase cem anos na prisão. Graças ao acordo de delação, no total, Youssef ficará apenas três anos preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba e depois cumprirá dois anos de regime domiciliar.

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