Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

MDB quer evitar divisão e ter projeto único em 2022

Ao antecipar as eleições internas, os emedebistas demonstram interesse em acelerar definições para o próximo ano

A decisão do MDB goiano em antecipar a eleição para presidência da sigla é um ato de cautela. O partido fará no dia 18 de junho a escolha de quem será o líder regional — a eleição estava prevista anteriormente para o ano que vem. Daniel Vilela, que é o presidente, deverá encabeçar a única chapa na disputa. Uma medida acertada, pois deixar pra fazer essa escolha em ano de eleição poderia promover um racha tão grave que resultaria na eliminação das chances do MDB em ter sucesso nas eleições de 2022 — seja com candidato próprio ou compondo alguma aliança.

Graças a antecipação da eleição para a presidência do partido, este poderá ser um processo tranquilo e sem sequelas. Daniel Vilela tem o respeito da maior parte do partido e traz consigo o legado de seu pai, Maguito Vilela. O mesmo poderia não ocorrer se a escolha do comando do partido no Estado ficasse para o ano que vem. O fato é que pouco a pouco vai se acelerando os passos para a corrida eleitoral de 2022. Qualquer analista político que debata os possíveis cenários para as eleições sempre terá o MDB como forte fator, que tem grande peso nas articulações e definições de alianças. Dentro da sigla há quem defenda que se tenha candidato próprio. Há também os que defendem e trabalham para que o partido esteja na chapa que deve buscar a reeleição de Ronaldo Caiado (DEM). Ao se afunilar esse processo, os emedebistas precisam evitar qualquer motivação para ampliar a divisão — como o caso da eleição interna.

Daniel Vilela tem adotado um estilo mais cauteloso. Percebe-se em seus pronunciamentos e até em seu silêncio. O presidente do MDB ainda sofre com a perda trágica do pai — que também era sua inspiração e âncora política. Esse é um fator que trará reflexos para suas decisões. O líder emedebista tem demonstrado abertura para o diálogo e transparece que busca uma avaliação mais profunda dos cenários possíveis para 2022 e além. Em razão disso, Daniel Vilela tem sido cobrado de forma ferrenha por um posicionamento — os que cobram em geral querem que já se coloque como candidato ao governo do Estado.

Entre aqueles que defendem que o MDB tenha candidato próprio, está o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB). Desde que se findou as eleições municipais, ele passou a defender que o partido deveria encabeçar uma chapa em 2022. Seu argumento é de que Daniel Vilela precisa ser o candidato. Mas seus movimentos políticos demonstram um protagonismo no discurso pela candidatura própria. 

Gustavo Mendanha se distanciou politicamente do governador Ronaldo Caiado, o que lhe garante espaço para assumir uma posição de oposição com mais tranquilidade. O prefeito de Aparecida de Goiânia também iniciou uma agenda política fora da cidade que administra. Fez visitas ao governador de Brasília e se reuniu com prefeitos de outras regiões, como Entorno de Brasília, Sudoeste e Anápolis — áreas de maior eleitorado do Estado. Há quem confirme que as conversas têm o intuito de angariar apoio para uma eventual disputa em 2022.

A “aposentadoria” (as aspas, leitor, são necessárias) de Iris Rezende — que tem reafirmado não ser mais candidato a nada —, assim como a perda da Prefeitura de Goiânia, após a morte de Maguito Vilela, abriram espaços no MDB. Isso e o fato de que Aparecida de Goiânia se tornou o reduto dos emedebistas — principalmente da ala dos Vilela — são fatores que encorajam Gustavo Mendanha. Observe-se que, se ele assumir a função de trabalhar pela candidatura própria do MDB, o resultado a curto prazo será de conquistar apoios e força interna no partido. Por outro lado, se houver alguma pressão pela candidatura ao governo e mesmo assim Daniel Vilela não entrar na disputa, o prefeito de Aparecida de Goiânia será considerado o candidato natural.

Gustavo Mendanha já sente os reflexos deste seu posicionamento mais aguerrido em relação a lançar um candidato adversário a Ronaldo Caiado. Ele passou a ser sondado por outros partidos, que têm como projeto um candidato a governador em 2022. Até agora, do que se sabe, é que o prefeito deu resposta negativa a todas as investidas de outras siglas. Decisão que parece acertada, levando em conta sua história política construída ao lado de Maguito e Daniel Vilela. Ele também possui uma grande vitrine. Gestor de uma cidade como Aparecida de Goiânia, que tem avançado muito e se tornou modelo para muitos outros municípios.

Gustavo Mendanha sempre demonstrou fidelidade a Maguito Vilela — seu padrinho político — e a Daniel Vilela, a quem chama de “irmão”. Não há motivos para duvidar de sua posição e acreditar em algum tipo de “traição”. Mas os caminhos que o MDB pode tomar de agora até as eleições podem distanciar os dois emedebistas, causando uma divisão no partido — que já está fragilizado pela perda de duas lideranças que eram pilares da sigla.

A força do diálogo e a trajetória que Daniel Vilela e Gustavo Mendanha possuem em conjunto permitem acreditar que o caminho que o MDB escolher para seguir nas eleições de 2022 contará com a adesão dos dois. Mas, para não dar margem para nenhuma divisão em ano eleitoral e evitar fadiga por discordâncias internas, acertou o partido em antecipar as eleições internas — uma sinalização do interesse de convergência das forças para o projeto eleitoral do ano que vem.

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