Cezar Santos
Cezar Santos

A luz pisca no fim do túnel

Alta no PIB, mesmo minúscula, e crescimento no consumo das famílias após 9 trimestres seguidos de queda dão alento à economia

Famílias brasileiras compram mais: indicadores econômicos são auspiciosos no segundo semestre do ano

Com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), há exato um ano, esperava-se que a volta de um mínimo de lucidez na condução da política econômica produzisse efeitos. E realmente produziu, embora em ritmo menos acelerado que muitos esperavam e os agentes do governo apregoavam que seria.

Mas é fato que a economia brasileira, jogada no buraco da recessão e do desemprego pela inépcia de Dilma e seus luas-pretas aloprados, já produz números positivos. A equipe econômica do presidente Michel Temer, comandada pelo goiano Henrique Meirelles (PSD), teve motivos para comemoração na última semana.

Na quinta-feira, 31, último dia de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego ficou em 12,8% no trimestre encerrado em julho. Foi um recuo de 0,2 ponto porcentual contra o trimestre terminado em junho. Após atingir o pico de 13,7% no trimestre terminado em março, foram quatro quedas seguidas e mais de 1,1 milhão de brasileiros saíram da fila do desemprego.

Na sexta-feira, primeiro dia de setembro, foi divulgado que a economia brasileira voltou a registrar desempenho positivo no segundo trimestre de 2017, com crescimento de 0,2% em relação aos primeiros três meses do ano. Trata-se do segundo resultado de alta consecutivo, depois de oito trimestres seguidos em queda.

Foi divulgado também que, após nove trimestres seguidos de queda, o consumo das famílias cresceu 1,4% no segundo trimestre, na comparação com primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o consumo subiu 0,7%, também após nove trimestres em baixa.

Alento

É uma alta minúscula no PIB e o crescimento do consumo das famílias também não chega a ser grande coisa. Mas os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE não deixam de ser um alento. Diante do quadro de recessão que temos, com alta taxa de desemprego, pode-se dizer que uma luz começou a piscar no fim do túnel.

Ainda mais que mais boas notícias foram divulgadas no primeiro dia do mês, desta vez pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC): o Brasil registrou superávit comercial de 5,599 bilhões de dólares em agosto, melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989.

Conforme registrou a “Folha”, o resultado foi impulsionado pelo aumento das exportações, que somaram 19,475 bilhões de dólares, alta de 14,7%, pela média diária, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já as importações somaram 13,876 bilhões de dólares no período, avanço 8% na mesma comparação.

O interessante nesse cenário é que, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, o superávit da balança comercial é de 48,109 bilhões de dólares, alta de 48,6% sobre o mesmo período do ano passado, e já supera o resultado alcançado em 2016 todo (47,7 bilhões de dólares). A expectativa do MDIC é que o Brasil registre superávit comercial de 60 bilhões de dólares em 2017.
O setor automotivo também comemora bons números. As vendas de carros registraram um crescimento consistente e, segundo analistas, agosto pode representar o início da recuperação de um mercado que vinha em queda constante desde 2013.

Foram vendidas 209.866 unidades (aumento de 17,8% sobre agosto do ano passado), o melhor desempenho mensal desde dezembro de 2015, quando foram comercializados 220.652 carros e comerciais leves e a primeira vez no período em que o setor atinge o patamar de 200 mil carros.

“Também nas vendas diárias – o melhor indicativo da dinâmica do mercado – são as melhores dos últimos 21 meses: foram 9.125 carros por dia, contra 10.030 em dezembro de 2015. O crescimento no acumulado do ano soma agora 5,8%, porcentual expressivo considerando as expectativas dos fabricantes, que falam em aumentos irrelevantes nos próximos anos, mesmo com o fim da crise econômica”, registra a “Folha”.

Todos esses indicadores — desemprego caindo, crescimento do PIB, aumento do consumo, aumento das exportações, mais carros vendidos — são claros: apesar de toda a dificuldade, os brasileiros continuam tocando a vida, produzindo, indiferentes à monumental crise moral e ética que assola a política nacional.

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