Cezar Santos
Cezar Santos

Lúcia Vânia abre o leque

Senadora ex-tucana garante o PSB para disputar reeleição ou mesmo o governo em 2018

Senadora Lúcia Vânia, ao se filiar ao PSB: “Estou em busca de novo caminho”

Senadora Lúcia Vânia, ao se filiar ao PSB: “Estou em busca de novo caminho”

A verdade tem de ser dita: Lúcia Vânia saiu do PSDB porque não tinha garantia de espaço na chapa majoritária em 2018 — no seu caso, para disputar a reeleição ao Senado. Explica-se. Neste momento, o cenário é que as duas vagas para concorrer ao Senado têm donos: ma, do governador Marconi Perillo — que também pode disputar cargo nacional —, e a outra para o senador Wilder Moraes, do DEM, que ao que consta está desembarcando no PP com este acordo firmado.

Então, se este cenário persistir, na base aliada Lúcia Vânia teria de se contentar em disputar cadeira, que ganharia com um pé nas costas, na Câmara dos Deputados.
A própria senadora não se sente muito à vontade para expressar isso. Há poucos dias, em entrevista ao Jornal Opção publicada no domingo passado, o colunista fez a seguinte pergunta à senadora:

“Ninguém fica 30 anos no Congresso se não tiver uma larga experiência. É preciso ter uma visão muito à frente. Sua saída do PSDB não se deu por uma possível antecipação por parte da sra. de que não teria espaço na sigla para disputar a reeleição em 2018?”

Na resposta longa de Lúcia, visivelmente ela mostrou desconforto, como se considerasse despropósito o simples fato de a questão ser levantaa. “Existem duas visões sobre os políticos: a de vocês e a dos próprios políticos, que fazem política por vocação, por achar que esse é o caminho para fazer algo de útil para a sociedade. Embora as pessoas não acreditem muito nisso, essas pessoas existem e eu sou uma delas. Eu não precisava estar na vida pública; poderia ter escolhido outra coisa para fazer profissionalmente…”

Outro trecho da resposta: “…Acompanho cada passo que o Estado dá. Não tenho outra atividade na minha vida. Passo 24 horas no Congresso Nacional e fiz disso uma opção de vida. Por que eu olharia 2018, se no passado eu não tive garantia da minha vaga? Em nenhum momento eu tive. Quando fui ao Senado pela primeira vez, disputei com Henrique Meirelles. Essa vaga não me foi dada, apesar de eu estar disparadamente na frente nas pesquisas. Isso porque eu dou assistência (enfática). Você pode andar no Estado inteiro e, se não encontrar um trabalho meu, eu deixo de ser senadora. Faço um trabalho sério e faço por inteira dedicação.

“Se eu não for buscar, esse espaço não virá. Infelizmente, a política não é movida a mérito, mas principalmente a dinheiro. E eu nunca fiz campanha com dinheiro. Sempre fiz campanha com recursos escassos em relação aos outros. Então, não é por esse lado que as pessoas devem me julgar. Não é pelo espaço garantido, mas pela vontade de ter um espaço que possa me dar força para avançar naquilo que acredito para o Estado e que tenho condições de ajudar a desenvolver.”

Note-se que Lúcia tocou na questão financeira, o que ela enfrentou ao “peitar” Henrique Meirelles na eleição de 2010. A alusão é válida também para Wilder Moraes e seu poderio financeiro, que evidentemente será jogado na campanha à reeleição do ainda democrata e futuro pepista em 2018.

Lúcia mostra que encara com muito incômodo o risco que corria de não ter espaço para disputar a reeleição se continuasse na base aliada formal de Marconi Perillo. Mais ainda, considera que isso seria uma injustiça com ela, por tudo o que fez pelo Estado e pelo PSDB.
Ao sair do PSDB e entrar no PSB, um partido pequeno mas com grande potencial de crescimento, Lúcia resolveu a questão. Na verdade, a filiação da senadora ao PSB, na quarta-feira, 26, sacramentou um processo de ameaças de saída do ninho tucano que já vinha de anos. Volta e meia a senadora verbalizava a possibilidade. Houve momentos em que essa ruptura se anunciou ressentida. Mas a turma do deixa disso entrou em campo e as coisas se ajeitaram.

Ao se desfiliar do PSDB ela ficou alguns dias sem partido, justamente o tempo de acertar algumas arestas, acomodar alguns interesses e delimitar de forma clara o espaço que ocuparia na nova sigla. Isso se deu em tratativas diretas não só com Vanderlan Cardoso, o presidente do partido em Goiás, mas também e principalmente com o comando nacional dos socialistas.
Muita gente pensou que a saída do PSDB se daria um pouco traumática, que ela iria para a oposição ao governo Marconi Perillo. O que foi reforçado quando Lúcia acompanhou o prefeito petista Paulo Garcia em uma visita a obras, há poucos dias. Qual o quê!

A filiação de Lúcia Vânia ao PSB foi prestigiada por ninguém menos que o próprio governador tucano. No ato, que encheu o auditório da Câmara Municipal de Goiânia, estavam figuras de proa do partido, como o presidente nacional, Carlos Siqueira, e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e muita, muita gente da base aliada marconista.

Marconi lamentou a saída da senadora do PSDB, mas fez questão de afirmar que, mesmo em diferentes partidos, não estarão separados. O governador lembrou da trajetória ao lado de Lúcia Vânia.

A senadora agradeceu ao governador, dizendo que não está abandonando o PSDB. “Não estou deixando nossa história. Estou em busca de um novo guia para chegar a um novo caminho para o Estado de Goiás.”

Sobre a aventada hipótese de cair nos braços da oposição, Lúcia ressaltou que nunca fez discriminação a nenhum partido. Afirmou que a visita com o prefeito Paulo Garcia às obras da Praça Cívica e do Macambira-Anicuns se deu para mostrar apoio parlamentar. Nada de aliança com PT e PMDB, mesmo porque está muito cedo para tratar de alianças.

De acordo com a senadora, a filiação ao PSB irá reformar o partido, e fazer com que cresça. Vanderlan Cardoso exultou com a nova companheira, que vai auxiliar no crescimento da legenda. “E reforça a minha candidatura para 2016, com certeza”, disse.

Sim, Lúcia reforça Vanderlan. Mas, mais que isso, garante a ela a chapa para disputar a reeleição ao Senado em 2018, o que não estava garantido no PSDB. E mais, se Vanderlan for eleito prefeito de Goiânia, e fizer uma boa gestão nos dois primeiros anos, o leque de possibilidade para Lúcia se abre, e ela se torna automaticamente uma potencial candidata ao governo do Estado. Isso poderia se dar pela base aliada marconista. Ou, como parece ser vocação do PSB, trilhando uma terceira via.

 

Sigmund Freud explica Mauro Rubem?

Ex-deputado Mauro Rubem: retratação e indenização

Ex-deputado Mauro Rubem: retratação e indenização

A nota que segue foi publicada há poucos dias no Opção Online (Edição 2092):

Acusação falsa

Justiça condena Mauro Rubem a se retratar e pagar indenização. Fez acusação infundada a Marconi Perillo

O ex-deputado do PT terá de repassar 10 mil reais em medicamentos para o Hospital do Câncer

O ex-deputado estadual Mauro Rubem [foto acima], do PT, fez acusações graves ao governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e foi condenado pela Justiça a se retratar e a pagar 10 mil reais a título de indenização. O dinheiro será revertido em medicamentos para o Hospital do Câncer. O petista terá de divulgar a retratação no Twitter. Se não o fizer e se não repassar os recursos para o Hospital do Câncer, terá de pagar multa diária de 100 mil reais.

Na retratação, Mauro Rubem admite que não agiu com responsabilidade: “Reconheço que o governador Marconi nunca participou de qualquer formação de quadrilha ou de qualquer crime por mim indicado erroneamente na mencionada postagem”.

A sentença foi assinada pelo juiz Ricardo Teixeira Lemos.

Já essas pílulas (notas curtas) foram publicadas há mais de dois anos, na coluna Bastidores, edição impressa 1.966 (de 10 de março a 16 de março de 2013):
– Uma pessoa que acompanhou a última sessão da CPI na Assembleia ficou impressionada como o petista Mauro Rubem, que fica transtornado ao mencionar o nome do governador Marconi Perillo. Transparece na face do deputado algo muito além de diferença político-partidária. Alguém pode dizer que é ódio ou rancor.

– Mauro Rubem fica quase apoplético ao mencionar o governador. Pelo que consta, Mauro é cristão. Portanto, não deve ser ódio o que ele guarda no coração em relação ao tucano.
– Mas é melhor prevenir que remediar. Talvez seja recomendável que o petista tome um ansiolítico antes de falar o nome Marconi Perillo.

Alguém pode dizer que beira o patológico o que o sindicalista do PT sente em relação ao governador tucano. Dizem que uma linha tênue separa o ódio do amor. Será que Sigmund Freud, o criador da psicanálise, explica?

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