Cezar Santos
Cezar Santos

Joesley quer aplausos, mas merece mesmo é o opróbio dos brasileiros

Empresário Joesley Batista: criminoso confesso está livre para usufruir a boa vida conquistada com dinheiro público

Reportagem de Thaís Oya­ma, da “Veja” (de quinta-feira, 31 de agosto), conta que o empresário Joesley Batista ainda não tem coragem de sair de casa. Isso, passados quatro meses depois de ter acusado 1.829 candidatos eleitos (incluindo um presidente e uma ex-presidente da República) de receber propina de sua empresa, a JBS.

Joesley disse que não está pronto para fazer o “teste da rua” e acha que, hoje, sua imagem é a de alguém que cometeu uma série de crimes e não foi punido. O empresário disse esperar que suas informações ajudem a desmontar novos esquemas de corrupção. “Na hora em que os nossos anexos começarem a revelar outras organizações criminosas, aí talvez a sociedade vá olhar e dizer: ‘Pô, o Joesley teve a imunidade, mas olha como ele ajudou a desbaratar a corrupção’.”

Na entrevista, em pingue-pongue, o goiano relata como se deu conta de que levava uma vida de crimes e diz que desconfia que o governo de Michel Temer operava para impedir sua delação.
Volto a uma colocação do criminoso confesso Joesley Batista, de que sua imagem é a de alguém que cometeu uma série de crimes e não foi punido. Ele diz isso como se achasse injusta a avaliação. Mas está redondamente enganado.

Joesley é sim um criminoso que, até o momento, cometeu o crime perfeito. O acordo de delação que ele fez com o procurador-geral Rodrigo Janot é fora da compreensão de quem é honesto. Roubou, corrompeu e está livre para gozar a boa vida comprada com dinheiro público.

Sem contar o fato de que até agora ele vem delatando apenas Michel Temer, portanto, livrando Lula da Silva e Dilma Rousseff, os dois que lhe entregaram bilhões de dólares do povo brasileiro a juros de pai para filho. O empresário se comporta como se fosse um justiceiro que mereça aplausos do povo.

Não, senhor Joesley, o senhor não merece aplauso. Merece, sim, o opróbio, o desprezo de quem foi ludibriado por você e sua corja de políticos corruptos.

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