Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Jair Bolsonaro começará o governo pelas pautas econômicas ou sociais?

Presidente eleito pode enfrentar mais resistência dependendo de quais serão suas primeiras ações

Se obtiver sucesso no início de seu mandato, Jair Bolsonaro pode aumentar a lua de mel com os parlamentares | Foto: Reprodução/GloboNews

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), é bem claro em relação a alguns de seus posicionamentos. Por exemplo, ele diz abertamente que é liberal na economia e conservador nos costumes. E tantos temas econômicos quanto sociais fizeram parte da vida e da campanha eleitoral do capitão reformado do Exército.

No entanto, Jair Bolsonaro começou a se apresentar como defensor do pensamento liberal mais recentemente. No passado, o presidente eleito já deu declarações contrárias a privatizações. A aproximação com o futuro (super)ministro da Economia, Paulo Guedes — o “Posto Ipiranga” —, fez com que mudasse de ideia.

Paulo Guedes é PhD em Economia pela Universidade de Chicago — considerada a meca do liberalismo — e rodeou a área econômica do futuro governo com indicações de pessoas que seguem o mesmo pensamento, como Joaquim Levy, que será presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A equipe econômica terá missões difíceis — e inevitáveis. A aprovação da reforma da Previdência — que, aliás, não foi suficientemente debatida na campanha — é uma delas. Mas ainda não está claro se Jair Bolsonaro começará o governo pelas pautas econômicas ou sociais.

Poderes imperiais

Há um consenso de que o presidente eleito costuma ter em torno de seis meses de lua de mel com o Congresso Nacional. E este período é crucial para se ter uma noção de como será o restante do governo.

Terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT) foi um dos candidatos que mais falou sobre isso durante a campanha. O pedetista disse com certa frequência que todos os presidentes eleitos no Brasil chegaram sem maioria no Congresso Nacional, mas, mesmo assim, tiveram “poderes imperiais” nos primeiros seis meses.

Portanto, iniciar com o pé direito é fundamental. E Jair Bolsonaro, se quiser ter vida longa — isto é, governabilidade — terá que saber como usar esses poderes a seu favor, uma vez que o presidente eleito pode enfrentar mais resistência dependendo de quais serão suas primeiras ações.

Principais pautas econômicas

O próprio Jair Bolsonaro já admitiu não ser especialista em economia e deixou esta área por conta da equipe econômica, liderada por Paulo Guedes. Entre todas as pautas levantadas, a reforma da Previdência é, indiscutivelmente, a que parece ser prioritária.

Além da previdenciária, outras reformas, como a tributária, devem entrar em pauta. Paulo Guedes também prometeu adotar austeridade fiscal e privatizar o maior número possível de estatais. A propósito, a política de privatizações ainda gera incertezas — Jair Bolsonaro afirmou que a Petrobras, por exemplo, pode ter algumas partes privatizadas.

Com 12,7 milhões de desempregados no Brasil, as medidas precisam ser certeiras para que o País acelere o crescimento e, consequentemente, crie empregos — isto certamente será um dos principais desafios do futuro governo.

Principais pautas sociais

Redução da maioridade penal — possivelmente apenas para crimes hediondos —, flexibilização do Estatuto do Desarmamento e aprovação do projeto Escola Sem Partido — uma das principais ideias defendidas pelo futuro ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez —, são algumas das pautas sociais que mais devem estar em evidência a partir de 2019.

Por sua vez, a pena de morte tem sido um tema controverso. Jair Bolsonaro disse, por meio do Twitter, que a questão não deve ser debatida em ser governo. “Além de tratar-se de cláusula pétrea da Constituição, não fez parte de minha campanha. Assunto encerrado antes que tornem isso um dos escarcéus propositais diários”, escreveu.

Contudo, o deputado federal reeleito e filho do próximo presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL), não descarta a possibilidade de a pena de morte entrar em discussão. Ele é defensor da prática especialmente para crimes hediondos.

Ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o parlamentar lembrou da cláusula pétrea, mas disse acreditar que a pena de morte é um assunto para o Congresso Nacional. “Se for debatido, vai ser no âmbito do Congresso.”

O que pensam os deputados

O portal de notícias G1 fez um levantamento sobre a opinião de alguns parlamentares em relação a determinados temas. Todos os 513 deputados federais eleitos ou reeleitos foram procurados, mas só 412 — o que representa 80% da Casa — responderam aos questionamentos.

De acordo as respostas, percebe-se que Jair Bolsonaro terá mais facilidade em aprovar as pautas econômicas, já que os parlamentares se mostraram mais divididos quando o assunto é de origem social.

O presidente eleito precisa ter isso em mente e começar o governo justamente pelas pautas econômicas. Se de fato obtiver sucesso, terá uma lua de mel prolongada e, assim, terá mais chances de aprovar as questões sociais.

Confira abaixo como se posicionaram os deputados federais eleitos ou reeleitos ouvidos pelo G1 sobre privatizações de estatais, idade mínima para aposentadoria, porte de armas e redução da maioridade penal, entre outros temas:

Teto dos gastos:

  • 246 a favor
  • 197 contra
  • 19 não responderam

Privatizações das estatais:

  • 294 a favor
  • 159 a favor apenas para as estatais deficitárias
  • 92 contra

Idade mínima para aposentadoria:

  • 300 a favor
  • 82 contra
  • 30 não quiseram responder

Facilitar a compra e o porte de armas:

  • 199 a favor
  • 188 contra

Policial que matou alguém em serviço não responder a processo:

  • 240 contra
  • 111 a favor

Ensino religioso obrigatório nas escolas:

  • 299 contra
  • 95 a favor

Criminalização da homofobia:

  • 269 a favor
  • 111 contra

Redução da maioridade penal:

  • 168 a favor
  • 122 a favor para determinados casos
  • 112 contra

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