Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Indefinição de Meirelles reflete na formatação do cenário político goiano

Ex-ministro da Economia segue sinalizando ser candidato, mas não bate o martelo. O resultado é a desconfiança – de aliados e eleitores

As articulações e composições para as eleições de outubro se afunilam. Quanto mais o tempo passa, mais reuniões de bastidores acontecem nos partidos – tanto internamente quanto entre diferentes legendas. Na pauta estão as composições para a formação das chapas, que, claro, leva em conta os principais personagens deste complexo tabuleiro da política regional. O nome que mais tem sido lembrado nos últimos dias é o do ex-ministro da Economia Henrique Meirelles (PSD). A razão: sua indefinição.

Confirmar ou não que será candidato ao Senado por Goiás é o que faz de Meirelles um dos principais atores da política neste momento. A definição que partirá dele pode mexer muito com o cenário, ou pode não mudar nada. O fato é que a indefinição atrapalha o caminhar natural para formatação do cenário político para as eleições deste ano.

É inegável que o ex-ministro da Economia tenha alto valor político em Goiás. Um valor que lhe é merecido pelo histórico de engenheiro especialista no setor econômico, suas passagens pelo setor privado e posições ocupadas no governo federal, além do renome internacional. Mas reconhecimento não vai lhe garantir o espaço político no estado pelo qual ele quer candidatar ao Senado. Meirelles ainda segue no cargo de secretário de Fazenda de São Paulo, atuando como auxiliar do  governador de João Dória (PSDB). Houve uma promessa de que iria se desincompatibilizar após o carnaval, mas algo o demoveu da ideia, e ele segue morando na capital paulista, cumprindo algumas poucas agendas em Goiás.

Nessas idas e vindas de Meirelles a Goiás, sempre há uma grande expectativa sobre uma declaração mais efusiva e firme sobre sua candidatura ao Senado. Sempre há agendas de encontros com correlegionários, figuras da política local e lideranças setoriais. Mas a dúvida sobre sua candidatura persiste. Enquanto isso, alguns avanços políticos vão permanecendo suspensos, enquanto o ex-ministro expõe sua indefinição. 

Na última semana, Meirelles surpreendeu parte de aliados e imprensa ao se reunir com o governador Ronaldo Caiado (UB). Acreditava-se que a partir desse encontro, sua candidatura seria enfim definida. Entretanto, o ex-ministro voltou mais uma vez para São Paulo deixando para trás as mesmas dúvidas que pairam desde o início do ano.

Com a indefinição de Meirelles, o PSD sobre profundamente. Isso porque sua candidatura colocaria o partido como um protagonista nas eleições estaduais. O ex-ministro chega com respaldo do PSD nacional, com total apoio de Gilberto Kassab. Meirelles é um nome forte e catalisador para filiações de nomes com potencial eleitoral, ou seja, é  decisivo para formação de chapas para deputado federal, estadual e também para acerto dos termos da aliança com o governador Ronaldo Caiado, que é o cabeça de chapa na busca pela reeleição. 

O prazo para janela partidária, que se encerra no próximo dia 1º de abril, é um obstáculo para o PSD, frente a indecisão de Meirelles. Isso porque muitos possíveis candidatos têm sua filiação condicionada a candidatura dele ao Senado. Há nomes que já trabalham com plano B e C. As promessas com estrutura, dobradinhas e articulações ainda seguem, mas tudo agora com a desconfiança gerada pela indefinição.

Ao prolongar sua indefinição, Meirelles também causa prejuízo ao seu projeto (caso realmente confirme sua candidatura). Ele acaba por diminuir seus espaços e dar artilharia para outros pré-candidatos que querem seu espaço. Os deputados federais João Campos (Republicanos) e delegado Waldir (União Brasil) estão no páreo. As pesquisas até apontam que Meirelles possua alguma vantagem eleitoral sobre eles, entretanto, ambos notaram que o economista não tem marcado presença no Estado durante a pré-campanha. Em razão disso já traçaram suas estratégias para sincronizar suas agendas com a do governador Ronaldo Caiado (UB), que ainda não confirmou quem vai ocupar a vaga ao Senado na sua chapa para reeleição.

Nos eventos do governo, João Campos e Delegado Waldir se tornaram figuras recorrentes. Eles não só transparecem maior aproximação com o governador, como também usam desses momentos para dialogar com líderes classistas e políticos. Estão ganhando campo. Henrique Meirelles, que saiu a frente nas pesquisas, pode ter que correr atrás do prejuízo, caso não reforce sua agenda no Estado.

Por fim, o recuo de Meirelles também fortalece a oposição. Deixando de ser candidato, quem tende a ganhar parte de seus votos é o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que hoje, apesar de liderar as pesquisas para o Senado, teme o potencial eleitoral do ex-ministro. A disputa pela única vaga para senador tente a ficar entre o tucano e Meirelles.

Sem confirmar se é candidato, o ex-ministro ainda mantêm uma expectativa acessa para o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que ainda não se filiou – a especulações são de que ele ainda possa desembarcar no Patriota. Mas os rumores de que o candidato oposicionista estaria próximo do PSD crescem junto com a indefinição de Meirelles.

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