Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Henrique Meirelles terá que encontrar espaço para disputar vaga ao Senado

Os indicativos são de que o PSD queira uma vaga na chapa que deverá ser encabeçada por Caiado. Mas assim como o ex-ministro da Economia, há outros nomes que já trabalham pela mesma posição

Na contagem regressiva para as eleições de 2022, novos elementos são colocados em jogo e pormenores ganham novas nuances no processo. É aquilo que os jornalistas são mestres em descrever: as mexidas no tabuleiro da política. E a movimentação nas peças só tende a se intensificar a cada dia que se aproxima o pleito.

Henrique Meirelles é o nome que chega para esquentar as discussões, articulações e movimentos políticos que têm como alvo a formação de chapas para as eleições do próximo ano. Pelas posições já ocupadas, Meirelles deveria ser sempre lembrado quando se fala em alguma composição política no Estado, mas não é o que ocorreu.

Inúmeros cenários foram imaginados para a disputa ao governo do Estado em 2022. Quais são os possíveis candidatos? Quem poderia ocupar as vagas de vice? Quem tentaria as vagas ao Senado? Obviamente são as perguntas pelas quais mais se buscam respostas. Mas até a semana passada nenhum analista político ou entusiasta da política havia citado o nome de Henrique Meirelles.

Ex-presidenciável, ex-ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Michel Temer, ex-presidente do Banco Central, eleito deputado federal por Goiás e atual secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo. Este é o currículo político e técnico de Henrique Meirelles, que trocou o MDB, partido pelo qual concorreu à Presidência da República em 2018, pelo PSD, sigla que ajudou a fundar em 2011. O retorno de Meirelles à legenda do Centrão foi formalizado no último dia 12 de fevereiro. E, tão logo anunciou sua filiação, já avisou que a intenção é ser senador por Goiás.

O distanciamento de Meirelles do Estado de Goiás fez crer que não havia interesse na política local, nem mesmo na economia regional — setor em que possui renome e cujas opiniões têm forte valor e repercussão. Surpreenderam muito tanto sua filiação quanto a manifestação de retornar a política por Goiás, e não em São Paulo, onde reside e ocupa cargo público.

Assim como iniciou sua carreira política por Goiás (ele nasceu em Anápolis, cidade onde também nasceu o governador Ronaldo Caiado), Meirelles aposta nos votos goianos para novamente ser dono de um mandato. Aos 75 anos e bem-sucedido financeiramente (gastou dezenas de milhões de reais do próprio bolso em sua campanha em 2018), o pessedista terá de buscar seu espaço para concorrer a uma cadeira ao Senado — vaga à qual ele já tentou correr em 2002, mas foi minado pelo PSDB, seu partido a época, e acabou se lançando deputado federal (Lúcia Vânia “brigou” duramente e ficou com a vaga).

O PSD deixa transparecer que tem intenção de fazer parte das composições da chapa de Ronaldo Caiado (DEM), que conta com boa aprovação e deve ser candidato à reeleição ao governo do Estado. Mas é preciso destacar que uma vaga nesta chapa está bem concorrida.

Entre os nomes que sempre são colocados à mesa quando se fala em formação da chapa de Caiado está Daniel Vilela, do MDB, Lissauer Vieira, do PSB, Adib Elias, do Podemos, Lincoln Tejota, do Cidadania, Glaustin da Fokus, do PSC, e Alexandre Baldy, do Progressistas — que, embora esteja rompido com governador, há muitos que trabalham para uma reconciliação e, consequentemente, por uma composição em 2022.

A intenção de Meirelles de se lançar candidato ao Senado, e numa chapa encabeçada por Caiado, mexe com o jogo. Quais partidos que estão na base caiadista ou nomes que já trabalham para uma composição em 2022 podem dar espaço para o pessedista?

Caiado apoiou a candidatura de Vanderlan Cardoso (PSD) à Prefeitura de Goiânia. Esse fato poderia significar uma facilidade do PSD em indicar um nome para a chapa do democrata em 2022, mas só essa proximidade não deve bastar. Também é preciso lembrar que tão logo se deu o resultado das eleições na capital, houve uma aproximação benquista entre o líder emedebista Daniel Vilela e o governador. Embora alguns apostem que o MDB deva liderar a oposição em 2022, a maioria ainda crê numa aliança — que pode resultar em bons frutos para DEM e MDB.

O trabalho que Lissauer Vieira tem executado à frente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Goiás pavimenta sua candidatura em uma chapa majoritária ao lado do governador — seja na vaga de vice (que ele prefere) ou senador. Além da aproximação e confiança que há entre Caiado e Lissauer, o deputado estadual é fundamental para costura da base governista na Alego. Seu capital político se ampliou muito frente ao trabalho que fez nas eleições municipais, em que ajudou a eleger prefeitos em cidades de todas as regiões do Estado. E, vale frisar, representa uma das regiões mais ricas de Goiás — o Sudoeste.

Os nomes do prefeito de Catalão, Adib Elias, do atual vice-governador, Lincoln Tejota, e do deputado federal Glaustin da Fokus possuem força nas composições partidárias e têm peso por terem a confiança de Ronaldo Caiado. Nenhum deles será descartado dando espaço facilmente para Meirelles.

Embora ainda tenha que lutar por espaço para se lançar ao Senado, Meirelles já é de grande valia para o PSD goiano. Nas últimas semanas, parte do PSD têm externado insatisfação por acreditar que o partido ainda segue inerte em relação a 2022. Membros do PSD acreditam que, se não houver mudanças na direção e o empenho em atrair novos filiados que possuam capital político, no ano que vem a sigla pode não conseguir eleger seus deputados — ficando ainda mais fraco. A regra que elimina as coligações proporcionais é uma forte preocupação dentro da sigla, que precisa atrair nomes competitivos para se lançar e também manter em seu quadro nomes de peso. O deputado federal Francisco Júnior é um dos que podem ter dificuldade para se reeleger — caso não seja formada uma chapa forte. A situação pode até fazer com o que o parlamentar busque uma nova legenda que lhe garanta a reeleição.

A chegada de Meirelles já demonstra que o PSD pode encontrar um caminho para 2022, permitindo uma reoxigenação. Espera-se que novos nomes se filiem ao partido, além de encorajar o lançamento de candidaturas a deputados estadual e federal. A vereadora Sabrina Garcez pode se sentir estimulada a se lançar na disputa em 2022. Assim como outros.

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