Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Haverá um novo Iris ou um novo Marconi?

Ruptura provocada pela vitória de Caiado em 2018 abre uma janela de oportunidade para a consolidação de novas lideranças políticas no Estado

Iris e Marconi: os dois líderes não formaram herdeiros políticos

Oito meses podem parecer muito tempo. Mas, a verdade é que as eleições municipais de 2020 estão logo ali, a poucas viradas do calendário. Período propício para se pensar na política da forma que ela é. Nesse momento, quando se vislumbra o que vem pela frente, impossível deixar de pensar na completa incapacidade de renovação de lideranças nos partidores políticos de maior porte.

Os dois que protagonizaram as disputas em Goiás desde a redemocratização, MDB e PSDB, passam por momentos diferentes, mas ambos exemplificam bem essa realidade. Aos 86 anos de idade, Iris Rezende continua sendo o grande nome do MDB goiano. Os tucanos, sem Marconi Perillo, estão à deriva.

Após a acachapante derrota de 2018 e as sucessivas operações policiais envolvendo seus principais nomes – Marconi, inclusive –, o PSDB vive um dilema. Ensaia lançar o deputado Talles Barreto, uma voz cada vez mais solitária na oposição ao governador Ronaldo Caiado (DEM) dentro da Assembleia Legislativa, candidato a prefeito de Goiânia.

Apesar de ser um parlamentar respeitável, e corajoso, não há nada que indique que será ele o responsável por devolver o poder aos tucanos na Capital, coisa que não ocorre desde a eleição de Nion Albernaz, em 1988 (lá se vão 32 anos). Também não há perspectivas favoráveis ao partido nos dois maiores municípios do interior: Aparecida de Goiânia e Anápolis.

Mesmo com Marconi Perillo, o PSDB há três décadas não mostra força no eixo Goiânia, Aparecida, Anápolis. Com o ex-governador momentaneamente fora da arena pública – nos bastidores ele ainda dá as cartas – a situação fica ainda mais difícil. Com o agravante de que a capilaridade no interior, que garantiu o poder central ao marconismo durante anos, foi extremamente abalada pelos fatos recentes da política goiana.

Em 20 anos, Marconi não construiu um herdeiro político. Lideranças que surgiram aqui e ali sempre orbitaram em volta dele, com brilho tênue e restrito a determinada área de influência. Por isso, além de não ter candidato competitivo nos grandes centros este ano – exceção para o Entorno do Distrito Federal –, dificilmente o PSDB o terá em 2022. Ainda mais com a perda de quadros importantes que se avizinha.

No MDB, emerge algum ar de frescor. Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia, e Daniel Vilela, presidente da sigla, representam a perspectiva de que o partido manterá a relevância em Goiás nos próximos anos. A tendência é que Mendanha seja reeleito, caso não ocorra algum terremoto político até outubro, e Daniel se consolida como liderança, projetando-se como candidato competitivo no futuro breve.

Ainda assim, é Iris quem ainda dita o ritmo do partido. Basta ver a eleição em Goiânia. Novamente, são os movimentos do prefeito (e sua tática de gerar expectativa) que determinam a reação de adversários e aliados.

Grosso modo, Daniel e Gustavo nem podem ser classificados como herdeiros políticos de Iris, já que existe um abismo geracional entre eles. Quem poderia ocupar esse posto era Maguito Vilela. Contudo, fiel e polido, o ex-governador, ex-prefeito e ex-senador nunca buscou ocupar o lugar que sempre foi de Iris.

Difícil imaginar até quando durará o apetite político do prefeito de Goiânia. Por muitas vezes, analistas e agentes políticos decretaram a aposentadoria do emedebista. Só para terem de engolir suas certezas a cada nova eleição disputada, vencida ou perdida por Iris. Ele é o tipo de homem para quem a política é mais vital que o oxigênio que respira. E, por isso, nada leva a crer que deixará de disputar a reeleição e depois uma nova eleição em 2022. Parece um absurdo fazer tais projeções para um homem de 86 anos – mas, no caso de Iris, não é.

Ronaldo Caiado

A ruptura causada pela eleição de Caiado, em 2018, abriu uma janela de oportunidade para os novos políticos – exatamente por causa da idade de Iris e das incertezas em torno de Marconi (políticos costumam dizer que o fundo do poço deles sempre tem uma mola). O democrata tem todas as possibilidades de tentar a reeleição daqui a três anos. Mas não há elementos que permitam imaginar que ele esteja inaugurando uma nova dinastia, como seus dois antecessores no Palácio das Esmeraldas. As peças, no momento, estão espalhadas e diversos novos nomes podem surgir ou se consolidar nos próximos anos.

Difícil apostar se haverá novos caciques na política goiana, nos moldes de Iris e Marconi. Vanderlan Cardoso não se mostrou, até agora, um homem de grupos. Tanto que está no quinto partido (PL, PR, MDB, PSB e PP) e caminha para filiação no sexto, o PSD.

No tabuleiro de apostas sobre quem será o novo Iris ou o novo Marconi, jogar as fichas em Gustavo Mendanha é um bom palpite. É jovem, agregador (praticamente não tem oposição em Aparecida), sua administração é aprovada. Contudo, não dá para cravar nada, ainda. Vai depender de suas ambições e de sua capacidade de ampliar sua zona de influência para todo o restante do Estado.

Existem vários jovens promissores na política goiana. Elias Vaz, Adriana Accorsi, Virmondes Cruvinel, Thiago Albernaz, Sabrina Garcez, Dra. Cristina Lopes, Francisco Júnior, Lissauer Vieira, Alexandre Baldy, Daniel Vilela, Gustavo Mendanha e tantos outros se destacaram, cada um a sua maneira, nos últimos anos.

Talvez um deles assuma o protagonismo no futuro próximo. Mas, para o bem da política, será mais saudável que o poder seja mais diluído e plural que concentrado em uma ou duas figuras, como tem sido até aqui em Goiás.

Uma resposta para “Haverá um novo Iris ou um novo Marconi?”

  1. Renato Bernardes disse:

    De todos os nomes citados aí no Jornal opção.
    Só o Daniel vilela.
    Isto eu falei a muitos anos atrás no próprio jornal opção.
    Que o Daniel vilela e o Marquinhos do privê seriam os nomes,mas como o marquinhos se afastouficou o Daniel sozinho.

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