Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Há dois governos Bolsonaro: o da economia (bom) e o das redes (péssimo)

As crises causadas pelo presidente se sobrepõem ao trabalho que tem sido feito pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Tarcísio Gomes (Infraestrutura)

O Brasil gerou, em setembro, o maior número de empregos com carteira assinada para o mês desde 2013. O risco Brasil, importante termômetro da economia, é o menor dos últimos cinco anos. A febre do dólar recuou (ainda que vez ou outra volte a subir), a Bolsa bate recordes, as privatizações e concessões, que retiram o Estado de onde ele não deve estar, estão bem, obrigado.

Contudo, tudo o que se ouve são os ruídos provocados por uma péssima condução da comunicação do governo Bolsonaro. Acostumado à conversa direta com seu eleitorado, sem mediação dos veículos tradicionais, o presidente acumula tropeços.

Apenas nesta semana, dois casos de como um presidente não deve se comportar: o do vídeo em que Bolsonaro é apresentado como um verdadeiro Rei Leão cercado por perigosas hienas (que são nada menos que o STF, a OAB, a imprensa e os partidos de oposição ou não); e o da live em resposta à reportagem da Globo sobre visitas que usavam o nome do presidente para ter acesso ao miliciano que era seu vizinho.

Reação

É lícito que Bolsonaro reaja ao que considera uma ilação contra si – e, ainda que a reportagem em momento algum a tenha feito, o efeito óbvio é o telespectador juntar os pontos e enxergar uma relação próxima do presidente com os acusados de matar a vereadora Marielle Franco. O tom e os meios utilizados, porém, ultrapassaram muito o limite do razoável.

Quem assistiu à série Versailles (recomendo) vai perceber que nem mesmo um rei pode fazer tudo o que quer. O séquito de Luís XIV o bajulava, mas deixava claro a ele que havia limites – especialmente nas questões protocolares. Em dado momento, Filipe I, irmão do monarca, ressalta que a França dominaria o mundo por meio da gastronomia, da moda e, especialmente, da etiqueta.

Ainda que seja demasiadamente humano, Bolsonaro, como presidente, precisa se atentar a essa última. Ser duro não significa ser bronco. Ser autêntico não significa ignorar protocolos. Ser líder não é ser autoritário.

Até aqui, o barulho da ala liderada por Carlos Bolsonaro e Fabio Wajngarten tem silenciado as realizações do grupo de Paulo Guedes, Tarcísio Gomes.

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