Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Google completa 21 anos, mas como ele afeta nossa memória?

Buscador mais popular do planeja faz aniversário, mas, apesar de facilitar enormemente a vida de todos, desperta questões que as pesquisas científicas procuram responder

Quantas vezes por dia você acessa o celular, ou o computador, para checar qual é mesmo o nome de um filme, de uma música, de um livro ou daquele artista famoso? Ou, quem nunca, no meio de uma conversa, checou em tempo real as informações sobre o modelo de um carro ou o comportamento dos gatos? Provavelmente, mais de uma dezena de vezes.

E um dos grandes responsáveis por esse hábito completa hoje 21 anos de idade: o Google. Maior buscador do planeta, ele é utilizado para cerca de 63 mil consultas por segundo. Criado por estudantes californianos, o Google começou como um concorrente do Alta Vista e Yahoo, entre outros. No Brasil, o mais famoso era o Cadê? Por trás de todos, um único objetivo: como organizar o conteúdo, cada vez mais extenso, disponível na web?

Com uma tecnologia mais refinada e um design muito mais simples, logo o Google tornou-se líder de mercado e expandiu seus tentáculos para diversas áreas. O webmail mais utilizado do planeta, o Gmail, é um desses ramos. Literalmente, o Google sabe muito mais de você que qualquer pessoa do seu círculo mais íntimo – talvez até mesmo mais que você próprio.

Tanta facilidade, contudo, tem suas consequências. Várias pesquisas demonstram que o Google interfere diretamente na capacidade de memória. Com as informações a um clique, o cérebro logo aprende que não precisa retê-las – milhares de anos de evolução ensinaram a ele que o ideal é fazer o máximo possível com o mínimo de energia. Sem estímulo, nosso cérebro tende ao sedentarismo.

Por outro lado, as gerações nativas do mundo digital desenvolvem profundamente a habilidade de pesquisar no Google. Crianças rapidamente conseguem descobrir a combinação perfeita de palavras-chave para chegar ao resultado desejado.

A questão faz lembrar o deus Toth. Segundo o relato platônico, Toth e o rei Tamuz travaram um interessante embate em torno da invenção da escrita, atribuída ao primeiro. O receio de Tamuz é que, a partir da nova tecnologia, as lembranças virão de fora e não de dentro, do íntimo das pessoas. E que, por meio dela, as pessoas parecerão sábias sem o ser.

Com o Google, estaremos diante da mesma questão? Só o passar das gerações é que vai dizer.

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