Enquanto na capital Iris Rezende resiste à reabertura dos shoppings centers, seu colega de partido, Gustavo Mendanha, autoriza o retorno das atividades

Iris Rezende e Gustavo Mendanha: mesmo partido, decisões opostas | Foto: reprodução

A partir desta quinta-feira, 4, Goiânia e Aparecida de Goiânia seguem caminhos diferentes no enfrentamento à pandemia de Covid-19. Enquanto na capital o prefeito Iris Rezende resiste à reabertura das últimas atividades econômicas ainda proibidas (especialmente os shoppings), na cidade vizinha esses estabelecimentos foram liberados para funcionar pelo prefeito Gustavo Mendanha (o maior deles, o Buriti Shopping, alega que precisa de mais tempo para abrir as portas).

A decisão coloca dois gestores do mesmo partido (o MDB), mas com estilos e de gerações diferentes, em posições opostas diante dos mesmos inimigos: o coronavírus Sars-CoV-2, causador da doença, e o deblaque (para usar um termo antiquado) da economia local. Ambos, Iris e Gustavo, equilibram-se entre as necessidades sanitárias e a urgência econômica.

Importante observar o desenrolar da pandemia nos dois municípios. Em Goiânia, o número médio de novos casos tem oscilado em patamares mais ou menos estáveis (e altos) nas últimas quatro semanas. Na semana entre o dia 10 e 16 de maio, a média diária de casos diagnosticados foi de 48,5. Nesta semana, que começou no dia 31 de maio – e com resultados até o dia 3 de junho –, a média está em 47,5.

Em Aparecida de Goiânia, observa-se uma curva mais acentuada. Na semana epidemiológica de 10 a 16 de maio, a média de casos diários era de 11,5. Ela subiu, seguidamente, nas semanas seguintes: 14,5 (entre 17 e 23 de maio), 19,4 (entre 24 e 30 de maio) e está, agora, em 32,7.

Testagem

Olhando apenas para o número de casos, aparentemente a situação está mais descontrolada em Aparecida de Goiânia. Essa é, porém, uma percepção enganosa. O município apostou na ampliação da testagem, o que, por si só, explica boa parte do aumento dos registros. Em Goiânia, ainda vigora uma testagem mais limitada de pessoas.

O modelo adotado por Gustavo Mendanha remete ao que foi adotado no Rio Grande do Sul e em São Paulo. O município foi dividido por regiões, de acordo com os riscos. O afrouxamento e o aumento no rigor dependerão da evolução da Covid-19.

As próximas semanas esclarecerão qual dos dois prefeitos tomou a melhor decisão. Até agora, pelo que se conhece do vírus e pelos estragos econômicos, fica difícil cravar quem está certo. O que se sabe é que o coronavírus colocou na mesa dos gestores, que caminhavam para uma reeleição quase certa, desafios que podem ameaçar as pretensões políticas de cada um deles.