Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Fusão entre DEM e PSL não deve alterar formação da chapa que buscará reeleger Caiado

Mesmo com a criação de uma megapotência partidária, MDB e PSD devem manter sua participação da chapa encabeçada por Caiado

Como vai se desenhar o cenário político até o fim 2021? Quais os passos que são dados agora e que de fato vão influenciar nos rumos das eleições em 2022? As alianças mais sólidas sobreviveram até o início do calendário eleitoral do próximo ano? Quais adversários políticos subirão juntos no mesmo palanque no pleito que se aproxima? A lista de incertezas no cenário político atual não termina. Uma das poucas certezas que se tem é que as articulações encontram um prazo curto para tamanha a intensidade com que elas vem ocorrendo.

Para além das incertezas provocadas por ameaças incisivas, recuo duvidoso, protestos em carros de som e manifestos redigidos por ex-presidentes, a democracia vai caminhando rumo às eleições marcadas para outubro de 2022. É esperado que muitas decisões, ações e reações ocorram para afunilar todo esse processo que vai formatar os grupos de aliados e adversários. Um dos passos que podem influenciar muito esse processo, tanto nacionalmente quanto regionalmente, é a fusão entre DEM e PSL. 

A fusão está prestes a ser oficializada. A expectativa é de que na próxima semana os líderes DEM e PSL acertem os últimos detalhes, inclusive um novo nome, para lançar a já considerada megapotência partidária. Sem contar possíveis dissidências, uma nova legenda deve nascer com 81 deputados federais. Será a maior bancada na Câmara, com força para decidir votações importantes  –  inclusive terá um peso reconhecido em um possível processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Prestes a sair do papel, esse novo partido não será só o maior da Câmara. O resultado da fusão entre PSL e DEM vai reunir o maior número de governadores em uma única sigla. Atualmente o PSL governa Santa Catarina, com Carlos Moisés, e Tocantins, com Mauro Carlesse. O DEM administra Goiás, com Ronaldo Caiado, e Mato Grosso, com Mauro Mendes.

A sigla que saíra do DEM-PSL terá um tempo de propaganda em Rádio e TV significativo (ainda a ser calculado) e receberá ainda, no que ano vem, a maior fatia do fundo eleitoral, cujo valor ainda deve ser corrigido pelo Congresso, mas, provavelmente, será superior a R $ 2,1 bilhões. Se considerada a soma dos valores de 2020 dos fundos eleitoral e partidário, o novo partido teria R $ 478,2 milhões. 

A fusão entre as duas siglas é uma dos fatores quase certos, que vai permitir a consolidação de apoios e composições até então tidas como incertas. Juntos, em uma sigla só, PSL e DEM vai favorecer a formação de palanques regionais nas disputas eleitorais em 2022. Isso é certo. 

O que também é certeiro é o fato de que essa fusão em nada vai mudar a formatação da chapa majoritária que foi trabalhada até aqui para viabilizar a reeleição de Ronaldo Caiado ao governo do Estado. A vaga de vice ficará com MDB, confirmando uma das improváveis alianças previstas no começo deste ano –  que já chega com atraso, afinal, Caiado e Daniel Vilela já podiam ter se aliado no segundo turno de 2018. 

A vaga ao Senado certamente ficará com Henrique Meirelles (PSD), dado ao pragmatismo do ex-ministro da Economia, o poder e influência econômica, e, acima de tudo, a capilaridade que o PSD demonstrou ter nas eleições municipais de 2020.

Essa chapa é para eleição de 2022, mas ela também é montada pensando em 2026. Veja: Ronaldo Caiado, caso reeleito, em 4 anos deixará o governo, provavelmente  para disputar uma das duas vagas ao Senado. A outra vaga fica para que Vanderlan Cardoso (PSD) busque a reeleição. Ao deixar o governo, seu vice assumirá o governo e, como tal, será candidato à reeleição, com a possibilidade de vencer o pleito, dadas a aliança política encorpada e uma chapa majoritária poderosa – contando inclusive com a megapotência partidária que vai nascer da fusão de PSL e DEM.

O nome do atual presidente do PSL em Goiás, delegado Waldir, chega a surgir como um possível candidato a compor a chapa encabeçada por Ronaldo Caiado. Mas, embora tenha potencial eleitoral – tendo em vista que foi eleito deputado federal com mais de 270 mil votos -, ele não deve ser contemplado com uma vaga na disputa majoritária. A questão não é o nome do delegado Waldir em si, até porque ele é bem cotado, tem admiração do seu eleitorado e é sim um candidato forte ao Senado. A questão é a fusão DEM e PSL.

Sendo um partido só, DEM e PSL, a lógica é que esse novo partido vá em busca de ampliar as alianças, contemplar tornar sua chapa ainda mais capilarizada. Em razão disso, não parece estratégico formar uma chapa que agrega tantos partidos aliados com dois nomes pertencentes à mesma sigla. 

Levando em consideração o tempo de Rádio e TV, além dos recursos bilionários que o novo partido poderá ter, a sigla vai atrair muitos nomes dispostos a serem candidatos ao Legislativo, mas continuará precisando de um bom puxador de votos. Esse candidato que dará força a chapa proporcional deve ser estrategicamente delegado Waldir.

Embora haja muitas correntes a favor da fusão entre DEM e PSL, ainda há de se aguardar que esse passo seja realmente confirmado. Por hora ainda é incerto. E, ainda faltando quase um ano para o registro das candidaturas, é praticamente certo que a chapa que visa a reeleição de Caiado esteja formatada em definitivo com MDB e PSD.

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