Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Fusão de DEM e PSL gera ambiente propício para projeto de terceira via

União Brasil é a nova sigla resultante da junção de Democratas e PSL. O nome é até sugestivo, pois pode agregar e gerar consenso para um candidato que que seja alternativa a Bolsonaro e Lula

O eleitor, ao falar de política, vislumbra inicialmente apenas dois candidatos ao Palácio do Planalto: um é o atual presidente. O outro, é um ex-presidente. São eles que lideram as pesquisas. Mas, sem contar com aqueles que são bolsonaristas ao extremo, ou os apaixonados pelo lulopetismo, comumente se ouve o desejo de uma alternativa a essa polarização. Embora os nomes que possam liderar a chamada terceira via ainda estão restritos às análises dos cientistas políticos e comentaristas da grande mídia, esse xadrez não terá apenas dois jogadores – e as peças já estão se movendo. 

As mesmas pesquisas que colocam o nome do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Lula da Silva como os nomes que vão para decisão da eleição, apontam também que o brasileiro está mais atento na busca por uma alternativa. Levantamento do Atlas Político mostra que no último mês 28% dos eleitores esperavam uma nova candidatura fora do atual Fla-Flu. Esse é um sentimento crescente (em julho, eram 23%) e com bastante espaço para evoluir.

É desse sentimento de buscar alternativa que a tese de uma terceira via tem ganhado cada vez mais força. Ainda falta um ano para as eleições, mas o processo foi adiantando, tanto pelo desejo afoito de Bolsonaro em se reeleger, quanto pela anulação das condenações de Lula. Formar a terceira via é foco de trabalho de ao menos 11 partidos, e se eles se entenderem e trabalharem em prol de um nome realmente viável, os eleitores estão prontos para aderir a uma alternativa fora do cenário polarizado.

Mas o que tem deixado o eleitor ainda perdido sobre dar o voto de confiança a uma terceira via é a falta de consenso sobre quem seria o nome que mais agrega e tem chances de terminar à frente de Lula e Bolsonaro na contagem das urnas em 2022. Alguns desses possíveis candidatos já ficaram pelo caminho. Sérgio Moro e Luciano Huck são os exemplos de que a falta de pensamento comum ainda atrapalha a formação da alternativa almejada pelos brasileiros.

Assim, fica evidente que a tarefa na disputa presidencial será convencer pretendentes cederem espaço para “um candidato” de consenso e formarem coalizão de partidos, oriundos do centro, direita, esquerda não radical e direita não bolsonarista. 

É aí que entra a fusão de DEM e PSL, que deu origem ao partido União Brasil, que de início foi encarada apenas como um movimento que daria fôlego às duas siglas para as eleições de 2022. Entretanto, essa junção entre as legendas fortalece o projeto de terceira via e pode mexer com o cenário político no ano que vem. Até então, eram 33 partidos. Agora saem duas e surge uma gigante com 82 deputados na Câmara. Essa super legenda tem José Datena, Luiz Mandetta e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, como opções de presidenciáveis.

Além dos bons nomes em seu quadro, o União Brasil passará a dominar, ao menos em números, a direita política no Brasil. A legenda também vai liderar o tempo de TV em horário eleitoral, tal como o fundo partidário anual e o fundo eleitoral.

A tese é de que a alternativa a Bolsonaro e Lula deva surgir do União Brasil. Será fundamental a credibilidade do candidato escolhido e da coligação formada. A sigla resultante da fusão de DEM e PS  tem nomes que podem catalisar articulações em torno de si. De imediato, a nova sigla deve testar a aceitação junto a potenciais eleitores, para trabalhar articulações com outros partidos que possuem interesse em bancar uma terceira via e que só esperam um nome prestigiado. 

Ninguém duvida que para consolidar-se, a terceira via dependerá dos partidos interessados dialogarem entre si, buscando as convergências e afastando divergências. O ambiente propício é um partido novo, mas que já tenha meios e elementos para negociar. É daí a expectativa de que União Brasil reforce uma alternativa aos eleitores em 2022. 

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